João Galamba: "Em dez anos, 5% da energia consumida em Portugal virá do hidrogénio verde"

Governo e entidades europeias acreditam no enorme potencial de Portugal para a produção e exportação de hidrogénio, que vai contar com mais de 7 mil milhões de euros de financiamento.

"Portugal tem um enorme potencial para produzir hidrogénio verde e para alavancar uma indústria com forte capacidade exportadora", disse hoje o secretário de Estado adjunto e da Energia João Galamba, no painel do Portugal Mobi Summit dedicado ao Hidrogénio Verde e o Green Deal da União Europeia.

As estimativas são de tal maneira otimistas que João Galamba prevê que, até 2030, em apenas dez anos, "5% do consumo total da energia nacional seja já oriunda do hidrogénio verde, o mesmo se passando no setor dos transportes pesados, de passageiros e de mercadorias".

Isto porque, admitiu o governante, "Portugal quer ir mais longe" do que a própria estratégia europeia para o hidrogénio e incluir uma dimensão tecnológica industrial, com lugar para projetos de várias dimensões e de vários setores, sendo que o de maior dimensão é o de Sines.

"Faz todo o sentido posicionar Portugal para tirar partido das suas vantagens competitivas nas energias renováveis" face aos países do Norte da Europa, considerou.

Nesta matéria, Galamba foi secundado pelo Secretário-Geral da Hydrogene Europe, Jorgo Chatzimarkakis, que teceu rasgados elogios ao governante: "fez com que um país que não estava no radar desta tecnologia passasse a estar em condições de ser um dos líderes do setor", afirmou.

É claro que o financiamento em larga escala desses projetos é a única maneira de fazer a utopia acontecer e, nessa matéria, o Governo conta com um megapacote comunitário da ordem dos 7 a 8 mil milhões de euros para a sua Estratégia Nacional para o Hidrogénio Verde, lembrou João Galamba.

EDP quer produzir 15 MW já em 2021

Na pole position para esta cruzada na nova era energética está a EDP, que já anunciou um projeto-piloto em parceria para a produção de hidrogénio verde em Sines, o H2 Sines, e o encerramento da emblemática central a carvão. "Estamos neste projeto porque faz sentido, é uma tecnologia de futuro com capacidade de crescimento e temos de entrar neste comboio", justificou o administrador João Marques da Cruz. Até porque, mesmo que demore tempo, "é rentável, a EDP só entra em negócios rentáveis", acrescentou.

Para que o hidrogénio se torne competitivo face ao carbono é, no entanto, necessário que a diferença de preço não seja como é agora, de 30 para 60, daí que sejam necessários subsídios indiretos ao hidrogénio, alertou João Marques da Cruz. Seja como for, o administrador acredita que no próximo ano o projeto-piloto da EDP estará a produzir 10 a 15 MW, em 2025 100 MW em 2027 e "queremos chegar a1GW até 2030".

Setor pode gerar 18 mil empregos

Na mesma linha, Bart Biebuyck, da FCH, EU lembrou que "os primeiros a investir serão também os mellhores posicionados para colher os lucros". E referiu, a propósito, que "o potencial para o hidrogénio em Portugal é gigantesco e pode gerar 18 mil empregos".
Bart Biebuyck adiantou que "as empresas que investirem agora vão ter muito retorno nos próximos cinco a dez anos", pois é um mercado de médio longo prazo, mas estável.

O responsável referiu que até ao momento foram já apoiados 263 projetos na área do hidrogénio no valor de 2 mil milhões de euros de investimento, divididos em partes iguais pelo setor público e privado. "E se há dez anos já era um desafio produzir 100 KW, no ano passado conseguiu-se chegar aos 160MW, o que significa multiplicar por mil."

Também otimista sobre o potencial de Portugal neste mercado, o responsável da FCH disse que, no último leilão, os dados que o país apresentou indicam que tem condições de produzir hidrogénio verde ao mesmo preço do hidrogénio fóssil, o que "é um feito notável", assinalou.

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