Hoteleiros pedem "ponderação" dos impactos da proibição de circulação entre concelhos

O Concelho de Ministros da semana passada decretou que no próximo fim de semana será proibido deslocar-se para fora do concelho de residência. AHP diz que "é necessário acautelar que as poucas reservas efetuadas para esse período possam ser concretizadas".

No próximo fim de semana - entre 30 de outubro e 3 de novembro - vai ser proibido deslocações para fora do concelho de residência. A decisão tomada pelo governo foi anunciada na última quinta-feira, 22 de outubro. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) pede ao governo que as reservas que foram feitas nas unidades de alojamento possam ser concretizadas.

"É necessário acautelar que as poucas reservas efetuadas para esse período possam ser concretizadas, permitindo aos hóspedes deslocar-se dos seus concelhos de origem para aqueles onde os estabelecimentos se localizem. Temos associados que nos sinalizaram a imensa perturbação e cancelamentos que a proibição anunciada, mas ainda não publicada, gerou nas reservas previstas de pequenos grupos, nacionais e estrangeiros, junto de alguns estabelecimentos", pede Raul Martins, presidente da AHP, em comunicado.

O turismo é um dos setores que tem sentido mais profundamente os efeitos da pandemia de covid-19. Em Portugal, e de acordo com os dados do gabinete de estatística, até agosto houve 7,3 milhões de hóspedes nas unidades de alojamento turístico (menos 60,3%), mais de quatro milhões eram residentes. Houve menos cerca de oito milhões de turistas estrangeiros, comparando com o mesmo período de 2019.

Os efeitos na economia também são claros. As receitas turísticas - aferidas pelo Banco de Portugal e que mostram quanto é que os turistas estrangeiros deixam em Portugal - ascenderam a 5,6 mil milhões de euros de janeiro a agosto, o que representa menos 56% face ao mesmo período de 2019, altura em que as receitas estavam próximas dos 12,8 mil milhões de euros. A diferença é brutal: são 7,1 mil milhões de euros gastos a menos em Portugal, devido à pandemia de covid-19, que levou a implementação de medidas para travar o contágio da doença e que limitaram a circulação de pessoas.

Na semana passada, a AHP já tinha alertado para a possibilidade de as receitas da hotelaria recuarem 3,6 mil milhões de euros neste ano face a 2019.

Agora, Raul Martins nota ainda que: "será necessário garantir que estas deslocações possam ser asseguradas, com o comprovativo de reserva nos hotéis, em data prévia ao anúncio da medida. Temos por garantido que os hotéis cumprem todas as regras da DGS e do Governo, são certificados com o selo Clean & Safe do Turismo de Portugal e existirá um geral cumprimento das regras de não deslocações Inter concelhos senão para esse fim de alojamento".

"Somos seguramente os primeiros interessados em que exista um generalizado cumprimento das regras que permitam controlar o crescimento da pandemia no nosso país, todavia tal não se pode fazer com o sacrifício cego das poucas unidades hoteleiras e trabalhadores que lutam por manter as portas abertas", acrescenta.

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