Horta-Osório é o novo chairman da portuguesa Bial

O banqueiro irá apoiar a definição da estratégia da farmacêutica portuguesa com vista à consolidação da sua presença nos mercados internacionais.

António Horta-Osório vai liderar o conselho de administração da Bial já a partir de abril, substituindo Luís Portela, que nos últimos 42 anos presidiu à farmacêutica de que é principal acionista. O conhecido banqueiro português, que irá acumular estas novas funções com as de chairman do Credit Suisse, terá como tarefas contribuir para a definição das grandes linhas estratégicas da Bial, tendo em vista a consolidação da empresa a nível internacional. A farmacêutica portuguesa, que exporta para 60 países e tem onze filiais no exterior, registou uma faturação de 344 milhões de euros em 2020, um aumento de 11,3% face a 2019, com 80% a ser garantida nos mercados externos. António Portela mantém-se como CEO da empresa com sede na Trofa.

O gestor português, que está prestes a deixar a presidência executiva do banco Lloyds, já tinha admitido que não excluía Portugal do seu futuro, e até reconheceu que podia deixar de trabalhar na banca. Esta última hipótese não se veio a colocar, mas aceitou colocar o seu know-how ao serviço da farmacêutica portuguesa. "A Bial é uma das empresas portuguesas que mais admiro", diz António Horta-Osório em comunicado, sublinhando que deseja que a sua experiência ajude a consolidar o caminho de empresa internacional de renome construído por Luís Portela.

Segundo o ainda chairman da Bial, "esta mudança vem sendo preparada há algum tempo, visando, por escolha da minha família, o reforço da estrutura profissional que desenvolvemos, preparando a Bial para um novo patamar no contexto internacional". Luís Portela está à frente da Bial desde 1979, quando comprou a maioria do capital da empresa fundada pelo avô em 1924. Neste percurso de 42 anos, transformou a Bial numa farmacêutica de âmbito internacional, com o lançamento a nível global dos primeiros medicamentos de investigação portuguesa, um antiepilético e um antiparkinsónicos. Há dez anos, decidiu passar a presidência executiva ao filho mais velho, António Portela, e assumiu as funções de presidente do conselho de administração. Mas foi avisando que queria retirar-se da vida profissional antes dos 70 anos, que completa a 28 de julho.

Cumprindo com o seu expresso desejo, Luís Portela prepara-se agora para se dedicar à Fundação Bial, aos livros e à família. "Retiro-me com um enorme agradecimento à fantástica equipa que tive o privilégio e o prazer de capitanear e com a convicção de que, com o apoio de António Horta-Osório, estão criadas condições para servirmos cada vez melhor a saúde de um cada vez maior número de pessoas".

Carreira de sucesso

A carreira de sucesso na banca de António Horta-Osório é já bem conhecida dos portugueses. O banqueiro iniciou o seu percurso profissional em 1987, no Citibank, na área de mercado de capitais, seguindo-se a Goldman Sachs, em Nova Iorque e Londres. Em 1993, aceitou um convite de Emilio Botín para ir trabalhar para o Santander e criou o Banco Santander de Negócios Portugal. Neste banco, trabalhou em Portugal e no Brasil e, mais tarde, no Reino Unido, sendo nomeado em 1999 vice-presidente executivo do grupo Santander. Um ano depois assume a presidência executiva do Lloyds. No seu curriculum consta ainda a nomeação pela Rainha de Inglaterra para administrador não executivo do Banco de Inglaterra.

No verão de 2020, Horta-Osório anunciou a sua saída do Lloyds no final do mandato, que termina agora em abril. Atualmente, exerce funções de administrador não executivo em alguns grupos económicos, como a Exor (holding da família Agnelli) e a INPAR (holding da família Lemann).

Sónia Santos Pereira é jornalista do Dinheiro Vivo

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