Há melhorias no emprego jovem, mas há ainda menos 79 mil a trabalhar

Estimativas provisórias para fevereiro, mês completo de novo confinamento, apontam para inversão ligeira nas perdas de postos de trabalho que foram retomadas em dezembro.

Fevereiro terá registado melhorias ligeiras no emprego jovem, segundo estimativas provisórias divulgadas ontem pelo INE, que contabilizam mais 9700 jovens com até 24 anos no mercado de trabalho por comparação com o mês anterior. O emprego nacional manteve-se ainda assim 1,7% abaixo do nível pré-pandemia, com menos 79 mil pessoas a trabalhar.

Naquele que foi, em 2021, o primeiro mês completo de restrições à atividade adotadas pelo governo como resposta a nova vaga da pandemia, a evolução mensal do emprego contrasta com a de há um ano, em abril, aquando do primeiro mês de confinamento no país.

No primeiro mês integralmente marcado por restrições em 2020 terão sido perdidos quase 70 mil postos de trabalho, segundo os dados atuais do INE . Já o primeiro mês completo de confinamento imposto neste ano, fevereiro, assiste a um ganho ligeiro no emprego, com mais nove mil pessoas a trabalhar que em janeiro, reflexo de melhorias nos dados do emprego jovem.

Segundo o INE, a população empregada aumentou 0,2% em fevereiro, para 4,67 milhões de pessoas. As duas décimas de ganhos são conquistadas grandemente na faixa dos 16 aos 24 anos, onde o número dos que têm emprego aumentou de 240,6 mil para 250,3 mil. Já entre a população mais velha o emprego continuou a recuar, tal como entre as mulheres.

O emprego estimado em fevereiro está ainda 1,7% abaixo dos números de um ano antes, havendo menos 79 mil postos de trabalho que em fevereiro de 2020.

Desde a chegada da pandemia, o trajeto tem sido instável. O emprego afundou nos meses de março a junho de 2020, para iniciar alguma recuperação de julho a novembro, interrompida já no final do ano. Dezembro e janeiro assistiram ao desfazer de parte da recuperação, mas fevereiro sinaliza uma eventual nova inversão na tendência, ainda que muito ligeira, mais notória por ocorrer em pleno estado de emergência. Os dados do INE são porém uma estimativa que vai ainda ser revista no próximo mês já com dados mais completos.

O emprego estimado pelo INE para fevereiro está 1,7% abaixo do nível de há um ano, com menos 79 mil postos de trabalho.

Já do lado do desemprego, o INE aponta para uma redução em 0,3% na população que manteve procura ativa por emprego e disponibilidade para aceitar trabalho, sendo assim oficialmente desempregada. O INE conta 344,2 mil desempregados, menos mil que em janeiro, e muito aquém dos 431,8 mil desempregados registados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional no mesmo período.

Mas, ao mesmo tempo, as estimativas dão conta de um aumento da chamada subutilização do trabalho: desempregados, trabalhadores com horários parciais e com vontade de trabalhar mais horas, e inativos à procura de emprego ou disponíveis para o emprego mas que não cumprem as duas condições em simultâneo. Eram 733,5 mil pessoas, mais 6 700 que em janeiro (ou mais 0,9%).
A subida ocorre sobretudo entre inativos disponíveis mas sem procura ativa de trabalho. Eram mais de 215 mil em fevereiro.

Em fevereiro, a taxa provisória de subutilização do trabalho aumentou para 13,9%. Já a taxa de desemprego terá ficado em 6,9%.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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