Frente Comum mede forças com Costa em nova greve geral

Ana Avoila acredita que esta será uma grande greve - saúde e educação serão os setores mais afetados. STE e Fesap não afastam formas de luta, mas não se juntam a esta paralisação

Pela quarta vez desde que este governo tomou posse, a função pública volta a estar em greve. A paralisação agendada para hoje foi convocada pela Frente Comum (afeta à CGTP) e expressa o descontentamento da estrutura sindical liderada por Ana Avoila à falta de resposta do governo a exigências de aumentos salariais ou à forma como vai ser feito o descongelamento das carreiras. Escolas e unidades de saúde deverão ser os serviços mais afetados, mas a sindicalista acredita que será "uma grande greve".

Ana Avoila recusa o argumento da falta de dinheiro e ontem, numa conferência de imprensa que simbolicamente realizou frente ao Ministério das Finanças, afirmou que "há um conjunto de coisas que o governo não faz porque não quer" e não porque não haja dinheiro.

"Há muito dinheiro. Basta [ao governo] retirar do Orçamento do Estado as aquisições de serviços, de advogados, de arquitetos ou engenheiros, que não fazem falta nenhuma aos serviços onde já existem técnicos. Basta retirar essa parte [da verba] e arranjam logo dinheiro", exemplificou.

A proposta do Orçamento do Estado acomoda algumas das exigências mas não lhes dá o cumprimento imediato que a Frente Comum reivindicava. E deixa outras de fora - como os aumentos salariais, por exemplo. E no caso do descongelamento das progressões, a Frente Comum não só não concorda com o faseamento como exige que o tempo de serviço seja tido em conta para as carreiras em que isso é relevante, como é o caso dos professores.

O facto de persistirem situações em que o horário das 35 horas semanal de trabalho ainda não é aplicado e a não atualização do subsídio de almoço são outros dos motivos que estão na origem desta paralisação à qual não se vincularam o Sindicato dos Quadro Técnicos do Estado (STE) e a Federação de Sindicatos da Administração pública (Fesap). "Embora não estejamos de acordo com tudo o que está na proposta do Orçamento do Estado há ainda um caminho a percorrer junto dos grupos parlamentares", referiu ao DN/Dinheiro Vivo Helena Rodrigues. O STE procurará assim, durante o debate na especialidade do OE, sensibilizar os partidos para a necessidade de serem concretizadas algumas alterações, nomeadamente a determinação de um valor mínimo a ser pago na sequência do descongelamento. "O faseamento é desproporcional", precisou, adiantando que ouvido os associados, a maioria decidiu que não era o momento para fazer greve.

José Abraão salienta que, durante o processo negocial, a Fesap marcou sempre uma posição de não aceitação do faseamento do descongelamento, mas reconhece que o governo deu sinais de estar disposto a negociar e que isso permitiu melhorar a proposta inicial. Neste contexto, e tendo em conta que o OE não está fechado e que há ainda o debate na especialidade, continua a privilegiar a negociação "deixando para mais tarde, se necessário, formas de luta".

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