Exportações. Carros, maquinaria pesada, roupa e trapos salvam o início do ano

Espanha e França ressurgem como grandes mercados para as empresas portuguesas, Angola continua a emagrecer e já vale menos de 5% das exportações totais.

As vendas de automóveis, máquinas e aparelhos mecânicos, ferro, plásticos, aparelhos de ótica, roupa e restos de materiais têxteis (trapos, por exemplo) salvaram as exportações no primeiro trimestre deste ano, mostram os dados detalhados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem conhecidos.

Os mercados de Espanha e França expandiram-se de forma pronunciada no período em análise. Reflexo do Brexit, as vendas para o Reino Unido estão a cair.

As exportações totais subiram 6,2% nos três meses de janeiro a março face a igual período de 2020 (que já inclui março, o primeiro mês de confinamento por causa da pandemia).

As vendas acumuladas de mercadorias ao exterior estavam a cair de forma consecutiva há 12 meses e agora, finalmente, interromperam essa tendência negativa. Em termos absolutos, Portugal conseguiu exportar mais 907 milhões de euros neste primeiro trimestre. O segmento dos veículos de transporte liderou e disparou mais de 8% em termos homólogos; o contributo para as exportações totais foi de 176 milhões de euros entre o primeiro trimestre de 2020 e igual período deste ano (ver infografia seguinte).

As exportações portuguesas também aumentaram de forma sólida no arranque de 2021 pois há um ano atrás começaram as dificuldades, os valores expedidos foram bastante afetados com isso. Um ponto de partida fraco, como este, acaba por impulsionar a taxa de crescimento. É o chamado efeito de base.

Em todo o caso, o INE mostra que o mês de março de 2021 também foi bastante melhor do que o esperado, tendo inclusive superado os valores registados na mesma altura de 2019, quando ainda faltava um ano para rebentar a pandemia.

Portanto, parece que as exportações como um todo estão a conseguir sair da crise.

Não significa isto que não haja problemas. Se as vendas de carros, maquinaria pesada, plásticos e roupas estão a ajudar bem, há outras fileiras de produtos que nem por isso.

De acordo com cálculos do Dinheiro Vivo a partir dos dados oficiais do INE, vestuário (que não fabricado em malha), papel e cartão, calçado, frutas e combustíveis, por exemplo, registaram quebras bastante importantes, tendo sido os maiores obstáculos (contributos negativos) à retoma das exportações.

Espanha e França em força; Angola, nem por isso

Nas geografias, Espanha e França destacam-se de forma evidente. Espanha, o maior parceiro económico de Portugal reforçou as compras à economia nacional em quase 9%, uma subida de 327 milhões de euros. O mercado francês expandiu-se em quase 11%, dando a faturar mais 208 milhões de euros aos exportadores baseados em Portugal.

No lado contrário aparece o Reino Unido, mercado que determinou uma quebra de quase 3% nas exportações portuguesas no primeiro trimestre. São as consequências do brexit e da subida de barreiras comerciais na sequência da saída do país da União Europeia. A Irlanda também comprou menos 22% de produtos portugueses.

Fora da Europa, Angola, mercado que ainda absorve quase 5% das exportações portuguesas, emagreceu mais de 12% no primeiro trimestre, o que equivale a menos 27 milhões de euros em vendas nacionais.

O mês de março marca a diferença e pode ser um ponto de viragem depois de quase um ano de declínio nas exportações. Segundo o INE, "em março de 2021, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de 28,8% e 12,2%, respetivamente (2,6% e -10,4%, pela mesma ordem, em fevereiro de 2021)".

Aqui, o instituto destaca "os acréscimos nas exportações de material de transporte (61%) e nas importações de fornecimentos industriais (15,1%) e de máquinas e outros bens de capital (27,3%)".

"Estas variações homólogas, em março, incidem sobre o primeiro mês de 2020 em que o impacto da pandemia covid-19 já foi sentido significativamente", o que terá empolado as taxas de crescimento.

Ainda assim, "tomando março de 2019 como referência, as exportações aumentaram 12,2% e as importações atingiram praticamente o nível então observado, crescendo 0,1%. No entanto aquele mês teve menos 3 dias úteis que março de 2021", observa o INE.

Excluindo os combustíveis e lubrificantes, por ser uma componente das exportações que flutua muito, não só por causa da procura, mas também devido às oscilações dos preços do petróleo nos mercados internacionais, as vendas ao exterior mantêm uma dinâmica positiva. "Em março de 2021 registou-se um aumento de 27,9% nas exportações e de 15% nas importações, em termos homólogos (respetivamente 2,1% e -9,8%, em fevereiro de 2021). E face a março de 2019, também há ganhos. "Os acréscimos foram de 11% nas exportações e 1,6% nas importações", indica o instituto.

Uma vez mais, a grande ajuda parece estar a vir de Espanha. "Em março de 2021, face ao mês homólogo de 2020, nas exportações por grandes categorias económicas, salientam-se os acréscimos de material de transporte (subida de 61%; 4,1% face ao mês homólogo de 2019) e de fornecimentos industriais (18,3%, principalmente para Espanha; 10,4% em relação a março de 2019)", refere o INE.

Luís Reis Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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