Esperamos quase até aos 40 anos para comprar casa

Em média as famílias gastam 138 mil euros na aquisição de habitação. Maioria só acaba de pagar o crédito após a reforma.

Dos portugueses que recorrem a financiamento bancário para comprar casa, o valor médio gasto na compra de habitação é de 138 mil euros. Esta é uma das conclusões de um barómetro que avalia a preferência dos consumidores na hora de comprar um imóvel. "O valor médio que os portugueses pagam nos mais recentes contratos de crédito habitação fixa-se nos 401 euros", adiantam os dados avançados pela plataforma ComparaJá.pt. O barómetro aponta que perto de 40% das famílias pagam entre 250 e 399 euros de prestação mensal ao banco, enquanto 22% pagam entre 400 e 549 euros.

Outra das conclusões indica que "em média, os portugueses esperam até aos 37 anos para pedir crédito à habitação". Mas "a idade de término do pagamento do empréstimo à habitação, na maioria dos casos, só acontece depois dos proponentes entrarem na idade da reforma". Segundo a análise, "apenas 17,66% acabará de pagar o crédito da casa antes da reforma", sendo que quase 60% dos portugueses com crédito à habitação só acabará de pagar o empréstimo ao banco entre os 71 e os 80 anos de idade.

Em termos de prazos dos financiamentos, a maioria das famílias "está a solicitar empréstimos a mais de 30 anos, sendo que 55% dos portugueses ultrapassam os 36 anos". Mas "a maturidade média dos empréstimos solicitados pelos utilizadores do ComparaJá.pt está nos 33 anos, abaixo dos 40 anos recomendados pelo regulador, mas ainda acima do valor que este quer ver para os novos créditos a partir de 2022". A plataforma destaca que Portugal é dos poucos países europeus a dar crédito a 40 anos, sendo que a maioria dos países apenas disponibiliza maturidades até aos 30 anos.

No que diz respeito à dimensão da casa, a área bruta média dos imóveis adquiridos pelas famílias que recorreram ao portal de comparação é de 132 metros quadrados, sendo a tipologia T3 a preferida.
O barómetro destaca que a maioria dos consumidores querem o máximo de financiamento. "No que respeita ao rácio garantia/financiamento dos pedidos de financiamento é possível perceber que o número de famílias que pretende um loan-to-value (LTV) de 90% é semelhante ao número de famílias que pretende um LTV na ordem dos 80%", avança a análise. "Ainda assim, os valores de LTV mais desejados pelos portugueses situam-se entre os 70 e os 79%, fixando a percentagem nos 27%", frisa.

Em termos do rendimento das famílias que recorrem a crédito à habitação, "uma grande parte dos pedidos de crédito habitação (37%), mais de um terço, continuam a ser de consumidores cujo rendimento vai até aos mil euros por mês". Trata-se de um valor ligeiramente superior ao do salário médio de um português por conta de outrem, que ronda os 970 euros, destaca a ComparaJá.pt.

A taxa de esforço média dos 11 mil consumidores que recorreram aos serviços da plataforma no primeiro semestre deste ano situou-se nos 22%. "Aliás, apenas uma residual percentagem (13,79%) dos portugueses ultrapassam os 40% de taxa de esforço", aponta a plataforma.
O barómetro mostra ainda que em Portugal apenas quatro bancos têm apoios específicos para jovens e um em cada três não possui oferta de crédito bonificado para pessoas com limitações físicas ou outras.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

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