Empresas admitem aumentos salariais superiores a 2%

A economia está a dar sinais de retoma e as empresas já estão a preparar o novo ciclo, embora com otimismo moderado. Estudo da Mercer revela que estão a contratar e predispostas a incrementar os salários em 2022.

As empresas com presença em Portugal admitem aumentar, no início do próximo ano, os salários em mais de 2%, numa tendência de crescimento face ao já verificado em 2021. As intenções de subida salarial oscilam entre os 1,89% e os 2,59%, o que reflete algum otimismo do universo empresarial na recuperação económica do país. Estas projeções de revisão salarial para 2022 estão inscritas no estudo Total Compensation Portugal 2021, elaborado pela Mercer, e que contou com a participação de 502 empresas - 62% internacionais -, a maior amostra de sempre do relatório. A consultora aponta, no entanto, que "a variação salarial global observada parece evidenciar algum efeito da pandemia, apresentando-se como menos favorável que em anos anteriores".

Ainda assim, as intenções dos empresários reveladas no estudo traduzem confiança de que o motor da economia, mesmo que devagar, está a acelerar. É que outro dos sinais é a redução das intenções de congelamento dos salários. O relatório aponta que apenas cerca de 7% das empresas participantes estão a prever congelar os vencimentos em 2022, indicador que regista um decréscimo face aos 11% que avançaram este ano com um congelamento para toda a sua estrutura e aos cerca de 17% contabilizados em 2020.

Aposta nos incentivos

Entre janeiro e abril, os colaboradores saberão com exatidão se as empresas para onde trabalham vão abrir os cordões à bolsa. Certo é que para as participantes os aumentos salariais estarão indexados ao desempenho individual (para cerca de 87% das inquiridas), ao posicionamento na grelha salarial (cerca de 62%) e aos resultados da empresa (cerca de 51%). No entanto, o universo empresarial a operar no mercado português terá de estar de novo atento às saídas voluntárias. É que se em 2020, fruto da incerteza vivida com o início da pandemia, a percentagem de trabalhadores que deixou a empresa por decisão própria foi de apenas 1,5%, já este ano esse valor subiu para uma média 5%. Ainda assim, está longe dos 10% registados em 2019. Para garantir a retenção do talento, as empresas têm apostado num conjunto de benefícios de curto prazo.

Segundo o estudo da Mercer, cerca de 89% das empresas analisadas atribuem um bónus variável a todos os colaboradores com uma periodicidade na sua grande maioria anual e cerca de 64% oferecem incentivos de vendas, sobretudo às áreas comerciais, que podem ser mensais, trimestrais ou anuais. Outros dos benefícios que muitas apontam como fazendo parte da política de incentivos aos colaboradores são um plano médico, automóvel, seguro de vida, comparticipação de despesas de educação, seguro de acidentes pessoais e oferta de dias adicionais de férias. Os prémios de longo prazo é que ainda não fizeram carreira. Só 31% é que têm esta estratégia e estas optam, maioritariamente, por distribuir ações de acordo com o desempenho do colaborador.

O estudo Total Compensation 2021 permitiu também concluir que as empresas a operar em Portugal estão atualmente ativas nos processos de recrutamento. Cerca de 31% das organizações empresariais que participaram nos inquéritos revelaram que pretendem aumentar ainda este ano o número de colaboradores. Ainda assim, 10% reconheceram que vão eliminar empregos até dezembro. O ambiente é, pois, de um otimismo moderado. No ar pairam ainda várias incertezas sobre a evolução da economia e as firmas mostram-se cautelosas face ao futuro próximo.

Os números do relatório assim o exprimem: perto de 27% das empresas afirmam que vão recrutar colaboradores em 2022, mas 41% ainda não tomaram nenhuma decisão sobre esta matéria. E há que contar que só 25% responderam que vão manter a mesma força laboral no próximo ano, quando neste exercício 37% tinham essa certeza. Positivo é que só 7% admitiram reduzir o número de postos de trabalho no próximo ano.
Refira-se que o estudo se baseou nas respostas de mais de 500 empresas, 38% nacionais, de vários setores de atividade, e com foco sobretudo em organizações que faturam menos de 50 milhões de euros por ano.

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