Eletrificação da linha do Alentejo custa pelo menos 68 milhões 

Gestora da rede ferroviária nacional vai ao parlamento explicar quais os planos para modernizar o troço Casa Branca-Beja. Eventual reabertura até à Funcheira custa mais 77 milhões.

São necessários pelo menos 68 milhões de euros para eletrificar a linha do Alentejo. A gestora da rede ferroviária nacional, a IP, tem um estudo de 2015 com os trabalhos necessários para o troço Casa Branca e Beja. O documento deverá servir de base para as explicações que a IP dará hoje na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, a pedido do PCP. A reabertura do troço até à Funcheira custa mais 77 milhões de euros.
No cenário mínimo, 68 milhões de euros serão suficientes para o troço Casa Branca-Beja ter comboios elétricos até 140 km/h, graças à colocação de catenária, sinalização eletrónica e ainda a supressão das 17 passagens de nível. Para os comboios circularem até 200 km/h, a despesa sobe para 94 milhões de euros: além da eletrificação, é necessário construir cerca de 12,5 quilómetros de variantes ao traçado original.

De Beja até à Funcheira, o investimento mínimo necessário é de 77 milhões de euros. A verba contempla a modernização e eletrificação do troço - sem serviço de passageiros desde 2012 -, a supressão de todas as passagens de nível e a construção de pontos de cruzamento para circularem comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento. Ainda no cenário base, prevê-se a construção de uma variante de 4,1 quilómetros e uma renovação de 2,4 quilómetros de via junto a Ourique.

Se a IP for mais ambiciosa, para o troço Beja-Funcheira são necessários mais nove milhões de euros. Com 86 milhões de euros, os comboios poderão circular até 200 km/h graças à construção de mais 13 quilómetros de variantes e à vedação integral da linha.

Contas feitas, para uma intervenção entre Casa Branca e Funcheira, no total de 127,2 quilómetros, estão orçamentados entre 145 e 180 milhões de euros, pouco mais de 1,25 milhões de euros por quilómetro.
Concluídos estes trabalhos, em vez de uma hora e 50 minutos, a viagem entre Casa Branca e Funcheira poderia demorar uma hora ou 10 minutos (cenário económico) ou 55 minutos (cenário ambicioso) com comboios convencionais. Se forem usadas unidades pendulares - como no Alfa - a deslocação poderia demorar apenas 45 minutos.

Além do regresso dos serviços regionais ao Baixo Alentejo, a reabertura até à Funcheira permite a ligação aos comboios do Algarve. A nível de rede, a aposta confere "redundância na ligação ferroviária do porto de Sines às regiões Centro e Norte de Portugal e à fronteira com Espanha", assente apenas numa via única da linha do Sul.
Por outro lado, a reativação do troço serviria como "reserva estratégica para aumentar a capacidade instalada na infraestrutura ferroviária, caso a capacidade da linha do Sul venha a ser excedida e se verifique necessidade de intervir na sua duplicação", nota o estudo ainda elaborado pela Refer, fundida em 2015 com a Estradas de Portugal e que criou a IP.

Estes trabalhos serão feitos ao abrigo do PNI 2030. O plano contempla um orçamento total de 230 milhões de euros para a modernização, até 2025, das linhas ferroviárias do Alentejo e também do Sul - no troço entre Torre Vã e Tunes e com uma eventual ligação ao aeroporto de Faro.
Foram ainda estudadas ligações da linha do Alentejo ao aeroporto de Beja e à linha de Évora. A variante para o aeroporto de Beja poderá custar 20 ou 26 milhões de euros e permitir uma viagem de comboio até Lisboa em cerca de um hora e 30 minutos. A escolha mais barata tem uma extensão de 12,8 quilómetros; serve para as instalações militares e o transporte de mercadorias por via aérea. A opção mais cara está mais vocacionada para passageiros e prolonga-se por perto de 17 quilómetros.

Para a ligação direta à linha de Évora, a concordância de Casa Branca poderá custar entre 8 e 15 milhões de euros. A escolha económica implica a construção de 3,5 quilómetros; na opção mais dispendiosa, são necessários trabalhos de 7,2 quilómetros, com a concordância a ser construída em linha reta.

O programa nacional de investimentos 2030 contempla um orçamento total de 230 milhões de euros para a modernização, até 2025, das linhas ferroviárias do Alentejo e também do Sul - no troço entre Torre Vã e Tunes e com uma eventual ligação ao aeroporto de Faro. O programa também prevê que sejam feitos os "estudos necessários à expansão e reforço da rede onde tal se revele pertinente".

No início de maio, a IP lançou o concurso para o projeto de eletrificação da linha do Alentejo entre Casa Branca-Beja e ligação ao aeroporto da região. Resta saber até onde vai a ambição da empresa liderada por António Laranjo.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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