É oficial. Cristina Ferreira compra 2,5% de ações da Media Capital

É a primeira vez que um apresentador, em Portugal, atinge este poder de decisão nos destinos do canal.

A nova diretora de Entretenimento e Ficção da TVI voltou à casa de partida com mais poder e este não está apenas concentrado no cargo de direção. Cristina Ferreira tornou-se oficialmente acionista da Media Capital, uma posição comunicada na quinta-feira, 10 de setembro, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"Para os devidos efeitos, a DoCasal Investimentos, Lda, (...) comunica por esta via que celebrou, enquanto compradora, um Shares Sale and Purchase Agreement com a Promotora de Informaciones, S.A. e a Vertix, SGPS, S.A., em 4 de setembro de 2020, relativo à aquisição de uma participação qualificada, concretamente para a compra e venda particular de 2.112.830 ações representativas de 2,5% do capital social e direitos de voto da Media Capital", lê-se no comunicado assinado por Cristina Ferreira.

"A referida compra e venda encontra-se sujeita a determinadas condições suspensivas, da verificação das quais depende a realização da transação", sublinha a nota.

E, caso restassem dúvidas de quem é a detentora da empresa que compra agora uma parte das ações da Media Capital, o comunicado esclarece: "Também para os devidos efeitos, comunica-se que a DCI é detida maioritariamente pela sua sócia Cristina Maria Jorge Ferreira, pelo que quaisquer direitos que sejam ou venham a ser imputáveis à DCI serão igualmente imputáveis à referida sócia (...)".

A espanhola Prisa informou no dia 4 de setembro o regulador do mercado espanhol que chegou a acordo com vários investidores para a venda de 64,47% da Media Capital, "o que representa a totalidade da participação acionista".

A empresa espanhola Prisa vendeu a participação que detém na Media Capital, empresa que detém canais como a TVI, TVI24, e rádios como a Rádio Comercial e M80.

Tony Carreira, Cristina Ferreira e Abrunhosa juntam-se a Mário Ferreira

Em comunicado presente no site do regulador do mercado de capitais espanhol, a CNMV, pode ler-se que depois de ter levado a cabo uma operação de prospeção de mercado à procura de potenciais investidores, a Vertix, SGPS, S.A., uma filial detida na totalidade pela Prisa, foram assinados hoje "com uma pluralidade de investidores acordos de vendas de ações da entidade portuguesa cotada Grupo Media Capital".

A Prisa explica ainda a vendas das ações a vários acionistas "no conjunto representam a totalidade da participação acionista (64,47%), mantida pela Vertix na Media Capital". A operação foi "autorizada pela Pluris Investments", detida por Mário Ferreira.

O Expresso avançava no mesmo dia que as famílias Gaspar, que controla a Lusiaves, e Serrenho, que controla a CIN, passarão a ter cerca de 20% e 10%, respetivamente, da dona da TVI.

Tony Carreira, Cristina Ferreira e Pedro Abrunhosa também vão ser acionistas da empresa que controla a TVI. Juntam-se a Mário Ferreira que detém 30,22% do canal de televisão.

A apresentadora anunciou, em julho, que rescindia unilateralmente o contrato com a SIC, e que entraria em funções na TVI durante o mês de setembro. Em 2018, tinha feito o caminho inverso - anunciou a saída da TVI para a SIC, a convite de Daniel Oliveira, diretor de programas.

"Trata-se de um regresso à casa mãe, com funções distintas e um projeto ambicioso ao qual era impossível dizer que não. É uma escolha conduzida pelo afeto com a firme vontade de contribuir para recolocar a TVI no coração de todos os portugueses", diz a apresentadora em comunicado.

"Neste momento de saída, não posso deixar de agradecer à SIC, à sua Administração, a oportunidade que me foi concedida e a possibilidade de trabalhar com profissionais de exceção. O meu muito obrigada a todos. A SIC é uma estação de televisão de referência, onde fui muito bem acolhida e para a qual formulo votos de maior sucesso profissional para o futuro", disse ainda.

Apresentadora refuta pagamento de 20 milhões à SIC

Em comunicado, a SIC lamentou "a decisão abrupta e surpreendente, mas apesar da desilusão, quer agradecer o trabalho de Cristina Ferreira desenvolvido ao longo deste curto mas intenso período, no seio de uma equipa vencedora, que continuará a empenhar o seu talento e profissionalismo para merecer a confiança do público".

A nota revelava que a apresentadora decidiu cessar unilateralmente o contrato que a vinculava à estação até 30 de novembro de 2022. "A SIC informa ainda que reserva todos os seus direitos em face desta situação", pode ler-se.

Dias depois, a estação de televisão reclamou uma indemnização de 20 milhões de euros a Cristina Ferreira, devido ao incumprimento do contrato que estava em vigor até 2022, mas a apresentadora refuta e diz que vai defender interesses "até às últimas instâncias".

A mudança de Cristina Ferreira da TVI para a SIC foi anunciada a 22 de agosto de 2018 e colocou um ponto final a uma ligação de 16 anos.

Na SIC, a apresentadora assumiu o comando de um novo programa das manhãs, O Programa da Cristina, e o cargo de Consultora Executiva da Direção-Geral de Entretenimento.

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