Dispara a procura de máscaras de nível 2

Incerteza sobre as novas estirpes está a levar empresas e consumidores a procurarem soluções equivalentes às máscaras cirúrgicas, mas reutilizáveis.

As notícias dos últimos dias sobre as proibições de máscaras sociais com menor capacidade de filtração em alguns países europeus, como a Alemanha e a Áustria, face à maior agressividade das novas estirpes do SARS-CoV-2 estão a gerar maior procura junto de fábricas portuguesas de máscaras têxteis nível 2, as que garantem uma capacidade de filtração de partículas superior a 90% e, por isso, com uma performance equivalente às máscaras cirúrgicas. Uma opção que está a ser seguida por grandes empresas, como forma de melhor proteger os seus funcionários, mas, também, por clientes individuais.

"Há muitas entidades coletivas a pedirem-nos preços para máscaras nível 2 em quantidades significativas. E, no online, nas últimas 24 horas, as vendas subiram consideravelmente, e sempre de nível 2", explicou ao DN/Dinheiro Vivo um dos empresários contactados. Braz Costa, diretor-geral do Citeve, reconhece que o movimento existe e que faz sentido. "Mesmo sem qualquer alteração nas recomendações das autoridades de saúde, é natural que as pessoas, preocupadas, optem por usar máscaras com uma capacidade de filtração mais elevada e sabemos que empresas e entidades públicas que estão a abrir concursos para comprar máscaras, estão, por precaução, a preferir as de nível 2", explica.

Recorde-se que o Citeve foi o laboratório que mais máscaras sociais certificou até ao momento, o que não é de admirar dada a sua ligação histórica à indústria têxtil. E dos mais de três mil modelos que aprovou, desde abril, só 20% são de nível 2, ou seja, com a filtração acima dos 90%. "Numa fase inicial, praticamente todas as máscaras que foram produzidas eram de nível 3 (capacidade de filtração acima de 70%) e, só mais tarde, é que as empresas foram evoluindo para as nível 2", diz. O facto de a norma que criou as máscaras comunitárias ter classificado as de nível 2 como de uso profissional - para profissionais em contacto frequente com o público, indica a norma - ajuda a explicar a procura inicial diminuta destes artigos. Tanto que as primeiras empresas que quiseram certificar máscaras de nível 2 para crianças debateram-se com alguma resistência inicial dos laboratórios.

Com as novas estirpes à solta, e com vários especialistas a aconselhar que se aumentem os níveis de proteção, o Citeve está a trabalhar para aumentar de forma generalizada o nível de filtração das máscaras. "Criamos uma equipa e estamos a estudar e a rever todas as soluções que passaram pelos nossos laboratórios de modo a identificar os elementos a ter em conta para aumentar a eficácia das máscaras", explica Braz Costa. O grande desafio não é escolher um material que filtre mais, é "encontrar soluções que mantenham o nível de respirabilidade adequado, com uma filtração superior", adianta.

O Equilibrium é outro dos laboratórios que tem vindo a certificar máscaras. Das mais de 25 mil amostras que deram entrada neste laboratório de Matosinhos, só 500 acabaram aprovadas e devidamente certificadas, entre máscaras cirúrgicas, que obedecem às normas dos equipamentos de proteção individual, e sociais. Destas, as sociais, ou comunitárias, são pouco mais de 200, mas, curiosamente, as de nível 2 correspondem a 67% das certificações emitidas pelo Equilibrium. E Cristina Carvalho assegura que 20% delas têm uma capacidade de filtração acima dos 95%. "A partir do fim do verão, notou-se uma grande preocupação das empresas em submeterem máscaras de nível 2 para aprovação. Este é um processo dinâmico, com a maioria das empresas a procurarem melhorar a estrutura da sua máscara, de modo a que aumente a capacidade de filtração, mas, também, a resistência a um maior número de lavagens", frisa.

Cristina Carvalho não poupa elogios à indústria nacional: "Em Portugal temos uma têxtil muito forte e e o que noto nos clientes é uma necessidade muito grande de estarem sempre a melhorar os seus produtos. Cerca de 30% do que nos chega para certificar destina-se à exportação, por toda a Europa, e o que notamos é que, efetivamente, os produtos nacionais têm outra robustez na sua estrutura e confeção", afiança.

A mais recente aposta do Equilibrium foi, a partir de finais de novembro, implementar a metodologia FFP2 de modo a dar resposta a esse mercado. E que, como dispositivos médicos que são, têm de obedecer a normas mais apertadas. Todas as amostras que foram submetidas são em TNT, o tecido não tecido em que, habitualmente, são feitos os equipamentos médicos, mas, na última semana, deram entrada algumas amostras de FFP2 em tecidos. "Estamos a tentar perceber os resultados, ainda não temos dados para apresentar", explica esta responsável.

Já o Citeve reconhece que recebeu pouco mais de três dezenas de pedidos de marcação CE em máscaras FFP2. "Há muito poucas certificadas porque é um processo muito complexo e muito caro", frisa Braz Costa.

Ilídia Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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