Decisão do tribunal abre novo capítulo, dizem empresas

Negócios portugueses em Angola esperam agora melhor ambiente e um 2018 mais interessante

A decisão é judicial mas abre um novo capítulo nas relações económicas luso-angolanas, defendem empresários portugueses com interesses em Angola. Há quem antecipe um "segundo semestre muito interessante", no qual um desanuviamento político, conjugado com o momento alto dos preços do petróleo, poderá fazer avançar projetos que estão parados ou contribuir para o pagamento a Portugal de dívidas atrasadas.

António Mota, presidente da Mota-Engil, empresa com forte atividade em Angola, defende que a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa "já devia ter sido [tomada] há muito tempo". "É bom para as relações entre Portugal e Angola", disse o gestor ao DN/Dinheiro Vivo.

António Monteiro, ainda presidente do conselho de administração do BCP, participado pela Sonangol, considera que "é uma boa decisão". "Espero que tenha consequências positivas para as relações entre os dois países, uma vez que clarifica a questão", afirmou o antigo embaixador em Angola.

Para a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), a decisão é "em teoria" boa notícia. "As relações portuguesas no contexto empresarial nunca dependeram do contexto judicial. Se ajuda a melhorar o contexto político, muito bem. Mas as relações económicas estão muito para lá disso", ressalvou João Traça, presidente da organização. "Não se pode resumir tudo a uma questão política e não se deve" fazê-lo, alertou.

Carlos Bayan Ferreira, antecessor de João Traça na CCIPA, entende, no entanto, que há agora boas perspetivas para as relações luso-angolanas na segunda metade do ano. "Realmente, [o caso] estava a ser considerado um entrave a que as relações corressem de uma maneira fluente e no interesse das duas partes."

As exportações portuguesas para Angola caíram 22,4% no primeiro trimestre, somando apenas 348 milhões de euros. O investimento português continuava a crescer (+7,3%) no final de 2017, atingindo 4,8 mil milhões de euros.

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