Das viagens ao disparar dos preços. De que se queixam os consumidores?

Transportes públicos e supermercados também estão a gerar inúmeras reclamações. Mas há já consumidores a relatar subidas de preços de produtos como álcool, gel desinfetante ou botijas de gás.

No princípio era o problema do cancelamento das viagens, depois a confusão nos supermercados, seguida dos transportes públicos a deixar os portugueses à beira de um ataque de nervos. No meio do surto do covid-19, as burlas estão a ganhar expressão e já há consumidores a queixar-se de subida de preços de bens de consumo essenciais. Desde o início da pandemia, o Portal da Queixa recebeu 506 reclamações relacionadas com o surto do novo coronavírus.

"A evolução tem sido muito manifesta e tem incidido na maioria acerca das agências de viagens e das companhias aéreas. A dificuldade no contacto com as agências e o reembolso das viagens canceladas foram os motivos que mais geraram reclamações", adianta Pedro Lourenço, CEO do Portal da Queixa. Só os problemas relacionados com as agências de viagens geraram 231 queixas, seguida de 89 focadas nas companhias aéreas, com os consumidores a relatar problemas com remarcação, cancelamento ou reembolso de viagens já marcadas.

"Essa avalanche de contactos com as agências de viagens e companhias aéreas acabou por resultar num outro problema, desta vez a dificuldade de contacto", descreve. Edreams (103), a Xtravel (57) e a Rumbo (16) são as agências de viagens objeto do maior número de queixas. Do lado das companhias aéreas a Ryanair lidera com 47 reclamações, seguida da TAP (34) e da Easyjet (5).

Depois, os problemas começaram a estender-se a outras áreas. E as reclamações também. "Nos dias seguintes, começamos a receber reclamações referentes à dificuldade de organização dos espaços comerciais, nomeadamente os supermercados e, mais recentemente, após terem sido decretadas novas orientações relativas à circulação de pessoas, os transportes públicos foram os mais referenciados com situações de excesso de lotação e supressão de oferta."

Saúde (24), hiper e supermercados (22), sites de reserva de alojamento (21), operadoras de telecomunicações (16) - com "alguns relatos de aproveitamento com ofertas camufladas", em que as operadoras "referem oferecer determinados acessos ou condições gratuitas, contudo com a contrapartida de fidelização por mais 24 meses" - e transportes públicos (12) são as áreas que registam mais queixas.

A pandemia também tem vindo a fazer disparar os preços de alguns bens essenciais, como gel desinfetante - ao DN/Dinheiro Vivo chegaram relatos de um litro desse produto a ser vendido por 38 euros e, em alguns casos, por 50 euros -, bem como de a subida numa semana de 2,5 euros no preço das botijas de gás butano.

"A ERSE faz supervisão dos preços e não temos evidência de alterações dos preços em termos médios. Não há ainda qualquer reclamação nesse sentido", garante fonte oficial do regulador da energia. No país há cerca de 50 mil postos de abastecimento.

"Desde o início da pandemia, o Portal da Queixa recebeu 506 reclamações relacionadas com o surto do novo coronavírus"

"Temos recebido relatos de situações anómalas devido à pandemia, contudo as reclamações são menos expressivas", diz Pedro Lourenço. Mas cita um caso em que o preço foi amplamente exponenciado devido ao aumento da procura. O caso que chegou ao Portal da Queixa dá conta de um consumidor que em três dias viu o preço de um frasco de álcool 250 ml, na mesma farmácia, ter aumentado de um euro para 2,50 euros. Ou seja, em três dias o preço disparou 150%.

E, como é habitual, em momentos de crise há quem tente aproveitar-se. "Ainda de uma forma lenta, mas sabemos que já correm tentativas de burla online, com aproveitamento da condição atual dos consumidores em casa e com acesso à internet. Esta será uma realidade que será amplamente aproveitada pelos alegados burlões para aliciar os consumidores à utilização de ferramentas que por falta de literacia digital estarão vulneráveis a novas formas de burla", alerta.

Reclamações, acredita o CEO do Portal da Queixa, não se vão ficar por aqui. "Devido à nova condição do consumidor, que estará confinado à sua residência, será natural um aumento de reclamações, nos próximos dias, relativas ao comércio eletrónico."

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