CP prevê recuperar cerca de 170 unidades em 2022

Além de completar a renovação do material comprado a Espanha, transportadora vai modernizar comboios a gasóleo com mais de 50 anos e mais de 100 carruagens do serviço Intercidades.

Enquanto não chegam os novos comboios, a CP vai reforçar a recuperação de material circulante em 2022. O Governo garante que a transportadora vai concluir o plano apresentado em 2019, com a intervenção em 168 unidades, entre automotoras e carruagens, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) entregue esta segunda-feira na Assembleia da República.

A oficina de Guifões será o epicentro da renovação do material da CP, com a reabilitação de 47 das 50 unidades compradas à congénere espanhola Renfe em meados de 2020: além das 33 carruagens Arco, serão intervencionadas outras 14 composições, que tinham diferentes funcionalidades do país vizinho, do serviço de bar a compartimento.

A CP também vai avançar com a modernização de 19 automotoras Diesel da série 450. O projeto tinha sido anunciado em fevereiro deste ano pelo então presidente Nuno Freitas.

As 19 unidades da série 450 começaram a circular em Portugal em 1965 e 1966. Na 'primeira vida', as automotoras pertenciam à série 400, também conhecida como Rolls Royce na gíria ferroviária. Perto da viragem do século, estes veículos foram modernizados nas oficinas de Guifões. Na 'segunda vida', a série passou a ter o número 450.

Também está prevista a modernização de 102 carruagens Corail e Sorefame do serviço Intercidades, para acompanhar o esperado aumento da procura na fase pós-pandemia.

Para conseguir executar o plano de recuperação "mantém-se a necessidade de continuar a aumentar a capacidade instalada de manutenção de material circulante na CP", assinala o relatório do OE2022.

Também está previsto para os próximos meses o início da revisão de meia-vida das 34 automotoras elétricas da série 3400 - dos serviços urbanos do Porto - e ainda a grande revisão das 55 automotoras da série 2240 e que servem para o serviço regional nas linhas eletrificadas.

O documento diz mesmo que "será ainda necessário avaliar o aumento das necessidades de manutenção permanentes, tanto da CP quanto do Metro do Porto, já que ambas irão aumentar a dimensão dos seus parques de material circulante ao longo dos próximos anos".

Ainda na ferrovia, 2022 será o ano de entrada em pleno funcionamento do Centro de Competências Ferroviário, em Guifões, num investimento de 12 milhões de euros.

Além da escola, o centro de competências vai estar focado noutras duas áreas: certificação de componentes e de material circulante e as parcerias entre empresas e startups nesta área. A Universidade do Porto tem o papel principal neste projeto, através das faculdades de Engenharia, Economia e Direito.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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