Covid digitalizou portugueses: 43% veem filmes na net. 70% fizeram videochamadas

Pandemia levou ao reforço do uso do digital no último ano. Videochamadas e streaming dispararam com confinamentos.

Zoom, videochamadas e vídeo streaming foram palavras que entraram na vida de milhões de portugueses no ano passado, por causa da pandemia. Confinados em casa, fizeram muitas reuniões, chamadas e viram muitas séries e filmes usando plataformas digitais. Num ano, o uso dos chamados serviços over-the-top (OTT) para telefonar ou fazer chamadas de vídeo passou de 52,5% para 70,5%, e ver filmes e séries na internet subiu de 38,3% para 43%, revela o relatório "Covid-19: impacto na utilização dos serviços de comunicações", da Anacom, o regulador do setor.

Acesso à internet Famílias com acesso à internet aumentaram 3,6 p.p. no ano passado, para 84,5%, a maior subida anual desde 2016. Alentejo, Algarve e o Norte foram as regiões onde a subida foi maior

Fechados em casa, os portugueses ligaram-se digitalmente ao mundo, fazendo disparar em 55% o tráfego médio de dados fixos por acesso. "Estima-se que devido ao efeito da pandemia da covid-19 este tráfego tenha tido um incremento de 36,3% face à tendência histórica", aponta a Anacom. O maior crescimento foi no segundo trimestre do ano passado (+43,4%), no primeiro estado de emergência quando o teletrabalho se tornou uma realidade para muitos. Depois caiu para um crescimento de 25,8% no terceiro trimestre, voltando a subir para 40,2% na reta final do ano. "Caso não tivesse ocorrido a pandemia, estima-se que o crescimento teria sido de 19,3% em comparação com 2019".

Ter internet em casa transformou-se numa necessidade, com o número de famílias com este serviço a aumentar de 80,9% para 84,5%, uma subida de 3,6 pontos percentuais (p.p.) face a 2019. É preciso recuar quatro anos para encontrar um crescimento anual tão acentuado. Alentejo, Algarve e Norte foram as regiões com maior número de subscrições. Em queda há alguns anos, em 2020 o tráfego de voz fixa subiu 7%. "Estima-se que a covid-19 tenha provocado um aumento de 22,2% em comparação com a tendência histórica", tendo subido 12,6% até março do ano passado, disparando 30,4% durante o primeiro confinamento. "Estima-se que este tráfego teria diminuído 12,2% em comparação com o ano anterior". Em 2020 fizeram-se, em média, 70 minutos de chamadas de voz fixa.

Se os portugueses já faziam muitas chamadas de voz nos telemóveis, no ano passado fizeram 16,4% mais. Ou seja, estiveram ligados 238 minutos. Isto é, 11,9% acima da tendência histórica. Não fosse a situação de saúde sanitária, estima-se que o crescimento teria sido bem menor: apenas 6% face a 2019. Em contrapartida - certamente por estarem mais em casa - o número de utilizadores de internet móvel recuou 4,2%, contrariando a tendência. Sem surpresa, o uso das OTT explodiu. Fazer chamadas de voz ou vídeo subiu 18 p.p., para 70,5%; ter aulas online cresceu 6,9 p.p., para 30,8%, e ver TV na internet subiu 4,7 p.p., para 43,4%. Praticamente todos os portugueses (89,9%) enviaram mensagens usando serviços de instant messaging, mais 4,1 p.p. do que em 2019, o que terá contribuído para o acentuar da queda do envio de SMS, que num ano passou de uma média de 103 mensagens enviadas para 80, menos 22,4%. No segundo trimestre do ano passado enviaram-se uma média de 69 SMS, "o valor mais baixo da última década".

Mais encomendas

A pandemia também teve impacto no tráfego postal, que recuou 12,4%, estimando-se que a situação sanitária tenha tido um efeito negativo de 9,8%. Não fosse isso, teria crescido 2,9%. Para esta evolução contribuiu a descida em 15,3% do envio de correspondência, valor acima da descida de 7,5% de 2019. Já as encomendas subiram 20%, bem acima dos 14,1% do ano anterior. Um crescimento impulsionado pelo aumento do comércio eletrónico. Em 2020, cerca de 45% dos portugueses admitiram ter feito compras online nos últimos 12 meses (+5,8 p.p.que em 2019), enquanto 35,2% afirmaram tê-lo feito nos últimos três meses (+7 p.p.). O maior aumento desde que se dispõe desta informação.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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