Construção resiste

No atual contexto económico, uma análise flash aos principais setores de atividade da economia, focando ameaças, oportunidades, fraquezas e forças, apontando tendências. Retrato do desempenho nos primeiros nove meses de 2020.

Neste segundo painel da nova rubrica de análise, com o apoio da informação Iberinform, apresentamos as forças e fraquezas da construção.

No diagnóstico, analisando os pontos fracos e as ameaças, a construção sofreu um impacto suave da pandemia, com quebra da produção de -2,6% e aumento do valor acrescentado de 3,5% até setembro, aumentando o seu contributo para o valor acrescentado de Portugal, para 4,7%.

A taxa de margem de segurança era de 8,8% em 2019 - não elevada mas superior à quebra de produção em 2020, com o tempo de paralisação crítico de rutura de tesouraria (4,2 meses) a ser superior ao estimado de 0,3 meses.

Os investimentos e os financiamentos alheios eram elevados, com a sua cobertura de 5,1 anos de EBITDA recorrente extrapolado.

As empresas com risco de incumprimento de pagamentos elevado representavam no final de 2020 36% do total das empresas.

Nos pontos fortes e oportunidades salienta-se que as empresas que resistiram à crise na década passada, conseguiram ter um nível de obras em carteira favorável no início da pandemia e manter a sua produção, nomeadamente através do esforço notável de internacionalização que realizaram. Houve uma diminuição de insolvências em 2020 de -4,9%, relativamente a 2019. O peso das empresas insolventes no total de empresas baixou de 2,8% em 2019, para 2,2% em 2020.

No prognóstico vale a pena anotar vulnerabilidades, entre elas: quanto mais tempo a pandemia exercer a sua pressão fortíssima sobre a limitação da oferta e da procura na construção, afetada também pela cadeia de valor turística, mais os pontos fracos e as ameaças se tornarão mais graves, sem um forte apoio de todas as medidas que façam ganhar tempo para a recuperação.

Em relação às potencialidades, destaca-se que, com apoio (do Estado e das instituições financeiras), as estruturas de oferta podem resistir à pandemia, que apresenta tendências de suavização lenta ao longo de 2021, e poderão continuar a ser realizadas as potencialidades relacionadas com o nível de atividade, a ser pouco limitado pela pandemia em si, e por estarem previstos aumentos dos investimentos em construção, já existentes em 2020 e que serão reforçados com o apoio da União Europeia.

Nesse sentido, está previsto um aumento da produção na construção em 2021 de 2,2%, de acordo com as associações empresariais representativas do setor da construção (AECOPS e AICCOPN).

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