Como serão as videochamadas do futuro? Com tradução simultânea e apertos de mão, diz líder do Zoom

Eric Yuan, fundador da plataforma de videoconferência Zoom, aponta que, "no espaço de dez a quinze anos", as videochamadas vão permitir "sentir um aperto de mão, o cheiro do café" ou até ter tradução simultânea.

Há nove anos, Eric Yuan fundou a plataforma Zoom, após vários anos a trabalhar na Cisco, mais especificamente no projeto da plataforma Webex. "Sabia que iria, algum dia, fundar a minha própria empresa".

A ideia para a Zoom, que disponibiliza serviços de videoconferência para empresas e consumidores, surgiu após longas conversas com os clientes. "Não conhecia clientes satisfeitos com o Webex. Tinha passado muito tempo a falar com os clientes, sabia qual era o mercado. Vi uma pequena oportunidade para criar uma solução melhor."

Anos depois, Yuan é dono de uma plataforma com mais de 300 milhões de utilizadores - tudo devido a uma pandemia que levou o mundo para o teletrabalho e ensino à distância. O próprio fundador da empresa assumiu na Web Summit, este ano em formato digital, que "antes da pandemia nunca tínhamos pensado num crescimento deste género".

"Por um lado estávamos muito entusiasmados a ver todo o trabalho a compensar", explicou Yuan, mas também reconhece os desafios do crescimento exponencial da plataforma, que no ano passado tinha somente 10 milhões de utilizadores. Para enfrentar os desafios, nomeadamente na área da segurança, que levou a empresa a anunciar um plano de 90 dias para reformular os parâmetros de segurança para os utilizadores, também foi necessário reforçar o número de recursos humanos. Só este ano, o Zoom já contratou mil pessoas, elevando o número de trabalhadores para 2800. "Trabalham todos de casa e o processo de onboarding não é a mesma coisa."

Eric Yuan não é apologista das viagens de trabalho - já antes da pandemia e restrições às viagens não essenciais assumia que fazia muitas das reuniões de trabalho à distância, dispensando as viagens. Com a evolução das plataformas e com as provas da pandemia, de que a videoconferência pode ser uma alternativa séria, acredita que as viagens e reuniões de trabalho vão reduzir-se.

"Acho que toda a gente está a perceber agora que isso é possível e que tem impacto para as alterações climáticas e também para a economia. Posso encontrar-me com mais trabalhadores e clientes devido às plataformas mas também posso ter mais tempo para passar com a minha família."

Tal como foi mencionado pelo líder da Slack no primeiro dia de Web Summit, também Eric Yuan acredita que o modelo de trabalho será um híbrido entre dias de trabalho presencial e trabalho remoto.

Também as videochamadas e reuniões em plataformas como a Zoom serão diferentes, acredita Yuan. "Será possível sentir um aperto de mão, o cheiro de um café ou ter tradução simultânea graças à inteligência artificial, quase como se as pessoas estivessem no mesmo espaço". O líder da Zoom aponta que algo deste género será "possível daqui a 10 ou 15 anos".

jornalista do Dinheiro Vivo

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