Comboios. Investimento de 819 milhões exclui longo curso 

Ministro das Infraestrutures anunciou abertura de concurso para aquisição de 117 automotoras elétricas, 62 das quais para o serviço urbano. Serão entregues entre 2026 e 2029.

O investimento estava previsto nas Grandes Opções do Plano 2021-2023 que acompanham o Orçamento do Estado. O documento previa a compra de 129 automotoras elétricas, 62 para o serviço urbano, 55 para o regional e 12 unidades de longo curso para reforçar o eixo Porto -Lisboa. Mas no anúncio feito ontem pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, no final da reunião do Conselho de Ministros, foram contempladas apenas 117 automotoras para os serviços urbano e regional. As unidades de alta velocidade ficaram pelo caminho, não estando incluídas no investimento anunciado de 819 milhões de euros em novos comboios, naquele que, para o ministro Pedro Nuno Santos, foi "um dia histórico na ferrovia".

As 117 novas unidades serão entregues entre 2026 e o final de 2029, detalhou o ministro em resposta às questões dos jornalistas. As aquisições serão financiadas através do quadro financeiro plurianual porque a entrega do material circulante irá decorrer para lá de 2025.

"O caderno de encargos está pronto e vamos lançar os concursos o mais depressa possível. A adjudicação ao vencedor será no final de 2022 e teremos de esperar três a quatro anos até o primeiro comboio ser entregue", disse Pedro Nuno Santos. Prevê-se um ritmo de entrega de três automotoras por mês a partir de 2026.
O concurso também prevê que "parte considerável dos comboios tenha incorporação nacional". Isto será possível caso a empresa que conquiste esta encomenda decida instalar uma unidade de produção em Portugal.
A maioria dos comboios, 62, será utilizada nos serviços urbanos da CP: 34 unidades vão servir para a Linha de Cascais e substituir material circulante com mais de 60 anos; 16 destinam-se aos serviços urbanos de Lisboa, nas linhas de Sintra, Azambuja e Sado; haverá ainda 12 automotoras para os serviços urbanos do Porto.

A CP também está autorizada a lançar o concurso para a compra de 55 novos comboios regionais. Atualmente, este serviço baseia-se sobretudo nas mais de 50 unidades da série UTE 2240, com mais de 50 anos de serviço. A última modernização foi feita entre 2003 e 2005 e levou estes comboios a ficarem conhecidos, entre os ferroviários, como "Lili Caneças". Desta forma, serão compradas no total 139 composições, contabilizou Pedro Nuno Santos.
O Conselho de Ministros também aprovou a reprogramação do financiamento para a compra de 22 novas automotoras para o serviço regional, que se juntam às 55 agora anunciadas. O concurso foi autorizado pelo governo em setembro de 2018; quase três anos depois, o processo está parado no Tribunal de Contas, que aguarda novos elementos da CP.

Centro de competências avança

Também na ferrovia, será criado o centro de competências para esta área, que ficará instalado em Guifões, no concelho de Matosinhos. Pensado desde a década de 1980, o centro irá nascer com um investimento de 12 milhões de euros ao longo dos próximos cinco anos.
CP, Infraestruturas de Portugal, Plataforma Ferroviária Portuguesa, Metro de Lisboa, Metro do Porto e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto são algumas das entidades fundadoras do projeto.

O centro de competências terá, por exemplo, uma escola dedicada à ferrovia, que irá formar novos profissionais na área e que poderão contribuir para a produção de alguns dos mais de cem novos comboios que a CP vai receber até ao final desta década

O Conselho de Ministros também deu autorização para a Infraestruturas de Portugal avançar com todos os estudos necessários para a concretização dos investimentos na rede ferroviária nacional nos próximos anos.
A eletrificação da restante rede ferroviária nacional, a construção da nova linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto, do novo troço entre Braga e Valença e a ligação entre a linha de Cintura e a linha de Cascais são as principais obras previstas ao abrigo do Programa Nacional de Investimentos 2030.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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