CGD. Rescisões pagam até 2,1 salários/ano e máximo de 60 meses

Mário Centeno assegurou que mandato dado a Paulo Macedo impede banco de recorrer a despedimentos. "E será cumprido", garantiu o ministro das Finanças

A administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) já oficializou os termos que vai pôr em cima da mesa para todos os trabalhadores do grupo que queiram aderir ao programa de rescisões voluntárias.

Tal como já tinha sido avançado em reuniões com os sindicatos bancários, o banco público propõe aos trabalhadores que descontam para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) uma indemnização de 2,1 meses de salário por cada ano de trabalho e aos trabalhadores que descontam para a Segurança Social uma indemnização de 1,6 meses de salário por cada ano de serviço, com acesso ao subsídio de desemprego. Em ambos os casos, a indemnização não ultrapassará os 60 meses - o equivalente a cinco anos completos de ordenado.

O programa de rescisões do banco público é de adesão voluntária, com a gestão a reservar para si o direito de não aceitar todas as candidaturas apresentadas. O avanço das rescisões insere-se no plano estratégico desenhado em Bruxelas para a CGD, mediante o qual foi aprovada a recente injeção de capital por parte dos contribuintes no grupo bancário (ver caixa).

Segundo o documento enviado aos trabalhadores do banco, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, os interessados em aderir ao programa de rescisões devem manifestar o seu interesse até ao próximo dia 26 de setembro, já que a intenção de Paulo Macedo é ter este primeiro processo fechado até ao final do ano. A CGD conta reduzir em até 550 o quadro de pessoal.

A oficialização dos termos oferecidos aos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos surge um dia depois de Mário Centeno, ministro das Finanças, ter garantido aos deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social, na Assembleia da República, que a administração de Paulo Macedo não avançará com despedimentos em nenhuma circunstância. A razão é simples: as ordens do acionista Estado são essas mesmo, explicou.

"A palavra já dada por mim e também pelo primeiro-ministro é o que vai ser implementado: não há despedimentos na Caixa Geral de Depósitos. Há uma administração que tem um mandato para cumprir, que tem como pedra basilar não haver despedimentos", avançou Mário Centeno, depois de questionado pelo CDS na Comissão de Trabalho e Segurança Social sobre receios manifestados por sindicatos em relação aos cortes nos postos de trabalho no banco público.

"Não há nada que indicie que se esteja a passar algo diferente da palavra dada e do compromisso assumido também pela administração da CGD", reforçou o ministro das Finanças. "Estou totalmente convencido de que, dada a idoneidade das pessoas que estão à frente do banco, este processo será conduzido como referido."

De acordo com os valores avançados em março, o plano de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos exige a redução em 25% do total de agências e em 25% o total de trabalhadores, ou seja, cortes anuais de 45 balcões e 550 empregos entre 2017 e 2020.

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