Centeno: "O país deve permanecer focado na resposta à crise"

O governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças voltou a insistir na necessidade de continuarem ativas as políticas de apoio à economia enquanto durar a crise provocada pelas medidas adotadas no âmbito da epidemia do novo ​​​​​​​coronavírus.

Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, afirmou esta terça-feira que "o país deve permanecer focado na resposta à crise", reafirmando a necessidade de terem de ser mantidas as políticas de apoio à economia.

Segundo Centeno, a atual crise "requer a manutenção e a adaptação das políticas económicas até ao seu final".

O governador está esta terça-feira a ser ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças sobre o pagamento de bónus aos membros do conselho executivo do Novo Banco, na sequência de um requerimento do PAN, e a auditoria especial ao Novo Banco, fruto de um requerimento do CDS-PP.

Centeno reiterou que "esta crise não é uma crise estrutural" e também "não é uma crise de sobreendividamento".

Mário Centeno reconheceu que o volume de moratórias no crédito em Portugal é "muito maior do que a média do conjunto da área do euro e da média da União Europeia".

No total, empresas e famílias têm em suspenso 13 mil milhões de euros de prestações do crédito até setembro de 2021, segundo dados do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal.

"É um instrumento que se deve manter ativo mas que deve ir evoluindo", afirmou Mário Centeno aos deputados. Destacou que as moratórias serão alvo de análise "ao longo dos próximos meses".

Destacou que "do lado do setor bancário, a preservação do capital nas instituições bancárias é crucial".

Existem preocupações sobre um forte aumento do crédito malparado quando chegar o final do prazo das moratórias.

Portugal vive uma das maiores crises económicas de sempre, com o Fundo Monetário Internacional a prever uma quebra do Produto Interno Bruto (PIB) de 10% em 2020. Na origem desta crise estão as medidas adotadas pelo governo, em linha com as implementadas por outros países para gerir a epidemia do novo coronavírus. O desemprego disparou e empresas fecharam devido às medidas, que incluíram confinamento ou recolher obrigatório da população, proibição de circulação entre concelhos e encerramento forçado de estabelecimentos comerciais e de restauração em determinados horários.

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