Centeno diz a Costa para ir com calma nos apoios públicos contra a pandemia

"Estes apoios públicos devem ser temporários, tendo em conta que esta crise não é estrutural", disse o governador do Banco de Portugal.

A crise económica que estamos a viver provocada pela pandemia de covid-19 "não é estrutural" e os apoios do governo a famílias e empresas para ajudar a responder a esta crise só podem ser "temporários", devendo ser removidos logo que esta crise pandémica tenha terminado, avisou o ex-ministro das Finanças, agora governador do Banco de Portugal, Mário Centeno.

Ou seja, para o economista, esta crise não é estrutural, portanto o adicional de apoios públicos também não o deve ser.

Na 10.ª Conferência do Banco de Portugal sobre o "desenvolvimento económico português no espaço europeu", que este ano decorreu online por causa da covid-19, Centeno assumiu uma posição muito crítica em relação aos perigos de acumulação da despesa pública, que podem colocar em xeque a disciplina que tem de existir nas contas (défices baixos ou excedentes e redução da dívida para 60% do PIB).

"Estes apoios públicos devem ser temporários, tendo em conta que esta crise não é estrutural"; "não devemos alterar as características fundamentais do nosso sistema de apoios sociais e económicos", declarou o ex-ministro.

O ex-ministro das Finanças, que ficou célebre pela sua defesa acérrima do investimento público e no papel crucial que este teve nos anos em que foi governante do PS, resolveu relativizar esta variável. "A esmagadora maioria do investimento" é privado e deve ser privado; e o investimento público que deve avançar é o que já está em execução e tem de ser de alta qualidade.

Para Centeno, investimento público só se for "sustentável e verde" para se poder pagar a si próprio e não se tornar em mais um fardo adicional (mais dívida) para a economia. O governador converge assim totalmente com o discurso de Vítor Gaspar, também ex-ministro das Finanças (do PSD), atualmente diretor de estudos orçamentais no FMI.

O governador do BdP teme que a resposta do governo ao qual pertenceu até junho possa ser mal desenhada e gere despesa publica permanente. Assim, "aquilo que não será temporário é o aumento da dívida pública e a maior desigualdade".

Portanto, Centeno defende que o governo intervenha de forma contida com políticas públicas "que atuem nas margens" e de forma mais focada.

"Os níveis de dívida tornam proibitivas as intervenções massivas nos apoios sociais e à economia". Como "esta crise não é estrutural, não se devem alterar as características estruturais do sistema de apoio social e económico".

Em vez de respostas massivas, que podem conduzir a uma problema de despesa e de endividamento ainda mais excessivo que o atual, os apoios do governo devem ser menores e mais direcionados e focados. "Devem centrar-se nos trabalhadores com maior dificuldade de inclusão no mercado de trabalho pós-pandémico", defendeu Centeno.

Luís Reis Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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