Catherine Gall. "Gostava que as pessoas não precisassem do carro para serem felizes"

Ter a um quarto de hora tudo o que precisamos é a definição de "cidade dos 15 minutos" que Catherine Gall estuda há três anos. A investigadora acredita que a proximidade "é o futuro".

Perceber como as pessoas podem usar melhor as cidades onde vivem e "qual o real valor de andar mais devagar" são os principais objetivos da investigação de Catherine Gall, diretora executiva do ETI (Entrepeneurship Technology and Innovation) que estuda, há cerca de três anos, o conceito das cidades de proximidade. A investigadora francesa está a testar em alguns bairros de Paris a "cidade dos 15 minutos", procurando perceber as rotinas das comunidades e o que é preciso mudar para terem tudo o que precisam a 15 minutos de distância. "Nós acreditamos no progresso e que as pessoas podem escolher onde viver", frisou.

Catherine Gall explicou que "há seis dimensões que estruturam as cidades", relacionadas com "onde as pessoas vão trabalhar, onde vão aprender, onde vão ao ginásio, onde vão se divertir e onde vão às compras". "Temos de perceber onde fazem estas atividades para que não tenham de demorar mais de 15 minutos. Queremos mais pessoas a envolverem-se emocionalmente com a cidade. É bom para a saúde e bom para as relações comunitárias", explicou a oradora.

Catherine Gall lembrou que a covid-19 confrontou a sociedade com muitas mudanças e uma delas está relacionada com a perceção do tempo. Questionada por Charles Landry, co-curador da cimeira, sobre o que se pode fazer quanto à resistência à mudança de alguns negócios no sentido de causarem menos impacto ambiental, a investigadora disse que se trata apenas de "reconectar" os cidadãos com meio ambiente.

A especialista considera que nos dias de hoje não faz sentido ter carro em Paris e que o habitantes "estão mais felizes" com a diminuição do trânsito e a melhoria da qualidade do ar. "Gostava que as pessoas vivessem mais confiantes e que não precisassem de andar de carro ou num autocarro para serem felizes", desabafou Catherine Gall. Esperando que a bicicleta e o caminhar a pé se tornem em escolhas naturais em meios urbanos, a diretora executiva do ETI diz que a pandemia e as alterações climáticas levaram as pessoas a reconsiderar muitos aspetos que antes eram "intocáveis", como é o caso dos transportes públicos.

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