Catamarãs entre Lisboa e Barreiro com mais 100 lugares sentados até final do ano

Todos os barcos da Soflusa serão renovados até ao final deste ano, num investimento de 800 mil euros do Fundo Ambiental.

Os oito catamarãs que ligam Lisboa ao Barreiro pelo Tejo vão ter mais 100 lugares sentados até ao final deste ano. Todos os barcos da Soflusa estão a ser renovados, um a um, nos estaleiros do grupo Transtejo. Esta é a reposta da transportadora fluvial ao aumento de passageiros registado em 2019, com a entrada do programa público PART, de apoio à redução do preço dos passes de transportes.

A atravessar o Tejo desde 2003, os catamarãs Damen, fabricados em Singapura, contam com 600 lugares sentados. Mas esta lotação era "frequentemente atingida" mesmo com viagens a cada cinco minutos nas horas de ponta da manhã e da tarde, indica ao Dinheiro Vivo fonte oficial do grupo Transtejo. Em 2019, houve 9,1 milhões de utentes na viagem entre os terminais do Barreiro e do Terreiro do Paço, mais 8,3% do que no ano anterior.

Como não é possível colocar mais navios em operação, "para garantia de segurança da navegação", restou à empresa apostar em mais bancos por embarcação. A ampliação dos barcos começou em meados de agosto de 2019, após autorização da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos. Este reforço custa um total de 800 mil euros (100 mil por embarcação) e foi financiado pelo Fundo Ambiental.

Noutras transportadoras, o aumento de passageiros levou a Fertagus, Metro de Lisboa e Metro do Porto a retirarem mais lugares sentados para que os veículos pudessem viajar com mais gente.

Francisco e Rafael foram dois dos passageiros que notaram as alterações, ainda antes do segundo confinamento. Habituado a viajar no primeiro andar, Francisco notou que, "na zona central, passou a haver filas com seis lugares sentados, em vez de cinco". No piso zero, segundo Rafael, "meteram mais bancos junto ao bar e à janela de trás. Há menos espaço de circulação".

Ainda assim, continua a haver lugar para bicicletas, cadeiras de rodas e carrinhos para bebés, sobretudo ao pé da casa das máquinas. A Soflusa assinala que "os catamarãs Damen possuem uma estrutura com bastante folga ao nível da sua capacidade de carga. Os estudos previamente realizados por entidade especializada em arquitetura e engenharia naval, nos quais se incluem os estudos de estabilidade, assim o demonstraram".

Ao reforço de lugares juntou-se a compra de mais duas jangadas, cada uma com 51 assentos, para garantir a retirada dos passageiros em caso de emergência. Enquanto o mundo não se livrar da pandemia, cada navio vai respeitar a lotação nos dois terços da capacidade; ou seja, poderão ser transportados 400 passageiros, com o necessário distanciamento físico.

Cada embarcação circula habitualmente com quatro tripulantes. Mas os trabalhadores ainda não receberam instruções sobre quem vai orientar cada uma das jangadas de emergência. "As tripulações têm de receber formação", lembra o dirigente do Sindicato dos Transportes Fluviais, Carlos Costa. Esta situação tem de ficar resolvido até ao final deste ano, quando a empresa estiver preparada para o regresso à normalidade e à elevada procura de passageiros após a pandemia.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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