Caixa e o impacto da crise: há uma "almofada" de 370 milhões

O banco público reforçou as imparidades de crédito e tem 13% do total de crédito em moratórias. Lucro desceu 6%

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos está otimista com a recuperação da economia portuguesa. Mas, para acautelar eventuais impactos da crise pandémica e o fim das moratórias em setembro, o banco público voltou a reforçar as imparidades de crédito. "Trata-se de uma medida preventiva, não temos razões ainda para preocupação", sublinhou ontem Paulo Macedo, durante a conferência de imprensa dos resultados do primeiro trimestre.

De acordo com os dados revelados, no final de abril, as moratórias representavam 13% do total da carteira de crédito. Apesar de uma descida de 287 milhões nos últimos meses, a CGD tinha ainda 5,7 mil milhões de euros em créditos ao abrigo desta medida no final de abril. No entanto, apenas 9% estavam no nível mais arriscado de incumprimento (stage 3). Já 24% apresentavam alguns sinais de risco, sendo classificados como stage 2.

Apesar disso, Paulo Macedo mostrou confiança sobre o nível de cobertura que o banco tem para acautelar aquele risco e também sobre a recuperação económica. "Estamos com expectativa positiva [da evolução da economia] relativamente ao semestre e ao resto do ano", tendo em conta o ritmo da vacinação, "mas conscientes que a rentabilidade da banca continua muito difícil", apontou.

Para fazer face a eventuais riscos, nos três primeiros meses do ano, a CGD decidiu reforçar as imparidades de crédito, tendo registado 35,9 milhões de euros, um acréscimo de 26,5 milhões face ao trimestre homólogo do ano anterior. "Deste modo, e considerando o reforço já efetuado em 2020, a CGD tem no seu balanço cerca de 370 milhões de euros de imparidades preventivas para fazer face aos potenciais impactos na qualidade da carteira de crédito", indicou o banco no documento sobre os resultados.

Apesar do reforço das imparidades de crédito, e também da contabilização de custos regulatórios, a CGD obteve um lucro de 81 milhões de euros no primeiro trimestre, uma quebra de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os ganhos com comissões aumentaram 2,2% para 125,2 milhões. O banco prevê encaixar mais com estes serviços, devido à recuperação da atividade bancária. Mas Paulo Macedo descartou nova subida nos preçários neste ano.

Já o crédito malparado baixou e os rácios de capital aumentaram para valores que o presidente da Caixa garante serem "robustos" e "superiores à média europeia".

Depois da conclusão com "sucesso" do plano de reestruturação desenhado com Bruxelas, livrando-se da vigilância da Comissão Europeia, a administração do banco já está a desenhar o plano estratégico para o 2021/2024. Um trabalho que está bastante adiantado, como revelou o CEO do banco.

No entanto, na conferência de imprensa, Paulo Macedo não deu detalhes sobre metas e estratégia do banco para os próximos anos, já que, explicou, quer ter a opinião dos novos elementos da administração e do acionista Estado.

A gestão da Caixa terá mudanças neste ano. Como foi noticiado pelo Expresso, António Farinha Morais, ex-administrador do BPI, foi o nome escolhido para substituir Rui Vilar com presidente do conselho de administração. A equipa executiva vai ser também reforçada com presença feminina. Manuela Ferreira e Madalena Talone vão substituir Carlos Albuquerque e José de Brito, que estão de saída da equipa de Paulo Macedo, que será reconduzido como presidente executivo. A entrada em funções dos novos gestores precisa ainda de luz verde de Bruxelas.

Sara Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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