Caixa Bank estará a negociar fatia de Isabel dos Santos no BPI

Acordo para a compra dos 21% pode acontecer nos próximos dias, avança a Bloomberg, e obrigaria o banco espanhol a lançar OPA

Pode estar por dias o acordo com Isabel dos Santos para que o CaixaBank compre os 21% que a empresária angolana tem no BPI, uma solução que poria fim aos problemas de exposição do banco liderado por Fernando Ulrich a Angola. De acordo com a Bloomberg, que cita fontes próximas do processo que pediram para não ser identificadas, o terceiro maior banco espanhol estará em conversações com Isabel dos Santos para viabilizar esta via, que passaria pelo lançamento obrigatório de uma OPA do CaixaBank sobre a totalidade do capital do BPI. Nenhum dos bancos nem um representante oficial da empresária angolana quiseram comentar a notícia à agência norte-americana.

Esta solução, que poderá não chegar a acontecer mas estará em cima da mesa, permitiria resolver um problema: a necessidade do BPI de reduzir a sua exposição a Angola, como exige o Banco Central Europeu, uma vez que considera que a supervisão naquele país não é equivalente à europeia. O BCE já avisou que essa alteração tem de acontecer até ao dia 10 de abril, ameaçando a instituição liderada por Fernando Ulrich com multas diárias de cerca de 3 milhões de euros se esse prazo não for respeitado.

O CaixaBank é o maior acionista do banco português, com uma participação de 44,1%, e no verão passado fez uma oferta de 1,1 mil milhões de euros para adquirir o resto do capital. A proposta, rejeitada pela segunda maior acionista da instituição, Isabel dos Santos (que detém 18,6% através da Santoro e mais 2,3% através do angolano BIC, de que tem a maior fatia: 43%), acabou por ser retirada depois de os acionistas chumbarem o fim da regra que limita os direitos de voto a 20% do capital. Já em fevereiro deste ano, a comissão executiva marcou nova assembleia geral para voltar a tentar acabar com a limitação de 20% na contagem de votos por acionista.

O BPI apresentou este mês lucros de 236,4 milhões de euros relativos ao ano de 2015, com o braço angolano da instituição, o BFA, a representar a fatia mais gorda desses resultados: 136 milhões, contra 93,1 milhões da atividade doméstica. Os resultados de 2015 comparam com os prejuízos de 289,7 milhões de euros obtidos no ano anterior.

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