Bancos italianos têm dois PIB de Portugal em crédito malparado

Empréstimos de cobrança duvidosa somam 360 mil milhões. Resgate pode chegar aos 40 mil milhões, com um quarto do valor para um só banco, o UniCredit

O mundo está preocupado com a banca italiana. Um terço do crédito problemático da zona euro está concentrado naquele país e vale 360 mil milhões de euros, duas vezes o produto interno bruto (PIB) de Portugal. A combinação de uma dívida elevada com um crescimento económico baixo podem resultar num cocktail explosivo, com "contágio regional e global", refere o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"A não ser que os problemas de qualidade dos ativos e de rentabilidade sejam resolvidos no tempo apropriado, os problemas persistentes dos bancos mais fracos podem, eventualmente, afetar o resto do sistema", escreve a instituição liderada por Christine Lagarde.

Os non-performing loans (NPL) estão avaliados em 360 mil milhões de euros em Itália. Destes, 210 mil milhões são créditos de má qualidade, ou seja, dificilmente recuperáveis.
"Os esforços à escala europeia devem continuar para reforçar a arquitetura da zona euro", indica o documento publicado na segunda-feira. Este é mais um risco para a economia mundial, que lida atualmente com o brexit, a crise dos refugiados e as dificuldades da União Europeia em avançar com uma união bancária e fiscal.

O governo liderado por Matteo Renzi está a introduzir medidas para melhorar os processos de reestruturação de créditos e fomentar a consolidação do setor bancário. Medidas, ainda assim, insuficientes, na perspetiva do FMI, que fala em laços muito estreitos entre os bancos e as empresas, de acordo com o El País.

As contas são do Goldman Sachs. A banca italiana tem falhas de capital avaliadas em 38 mil milhões de euros. Em causa está a concessão de empréstimos duvidosos, que foram contabilizados a 40 cêntimos quando no mercado estão avaliados por metade do preço (20 cêntimos), de acordo com o jornal espanhol Expansión.

O resgate à banca italiana poderá, no entanto, ser de 40 mil milhões de euros e em forma de ajuda pública. O objetivo é evitar que a fatura seja paga pelos pequenos investidores, que são detentores de obrigações emitidas pelos bancos locais.

Este é o principal entrave à resolução dos problemas da banca italiana. Nas novas regras europeias introduzidas a 1 de janeiro deste ano cada Estado não pode resgatar os bancos sem que haja o chamado bail-in, ou seja, sem que os credores, bem como os depositantes acima de 100 mil euros, do banco sejam penalizados.

Os analistas indicam que só o UniCredit, o banco italiano mais importante, poderá ser alvo de um resgate de até 10 mil milhões de euros, duas vezes o montante aplicado no processo de resolução que deu origem ao Novo Banco, em Portugal.

O economista chefe do Deutsche Bank apontou Itália como o país mais preocupante ao nível do setor bancário E acrescentou que a banca europeia vai precisar de 150 mil milhões de euros para sanear as contas.

Um relatório recente da OCDE apontava que Itália tinha mais balcões do que pizarias, o que gera problemas de rentabilidade. Só que o ajustamento vai ter um forte custo social, porque é necessária a saída de dezenas de milhares de empregos e o fecho de agências em todo o país.

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