Apple One junta vários serviços e chega a Portugal, mas com limitações. O que tem

Apple junta vários serviços numa assinatura. Versão portuguesa custa €11,95, chega no outono e inclui TV, música, cloud e jogos. Spotify deixa criticas

A guerra do streaming e dos serviços em plataformas digitais ganha uma nova dimensão com a entrada da Apple no domínio do chamado bundle, ou assinatura que aglomera alguns serviços que pressupõe uma poupança, com o chamado Apple One. A rainha (por número de subscritores) do streaming no vídeo é a Netflix (com cada vez mais concorrentes, da HBO e Amazon à Disney+), na música é o Spotify (com YouTube Music, Amazon e Apple como principais rivais) e nos chamados bundles é a Amazon, com o seu serviço Prime.

No seu evento de terça-feira, a Apple deixou de fora os novos iPhone 12 (terá evento próprio previsto para outubro), lançou novos relógios (Watch), iPad e o tal conjunto de serviços Apple One. Portugal está incluído, embora alguns dos serviços mais relevantes fiquem de fora do pacote que chega ao país durante o outono.

Isso mesmo pode ler-se no site oficial da Apple para Portugal, existindo já descrições e valores, só falta data oficial de lançamento. O que, para já, não está incluído no país no tal pacote é o serviço já existente Apple News+, que dá acesso a um sem número de jornais e revistas, e o novo Fitness+, que promete fornecer um misto de ferramentas e vídeos com treinos personalizados preparados por personal trainers reputados. Ambos fazem parte do pacote Premier, que inclui cinco serviços e 2TB na cloud e é lançado até ao final do ano nos EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália (onde fica com um custo de 29,95 dólares).

O plano para Portugal é mais modesto e inclui, assim, Apple Music, Apple TV+, Apple Arcade e espaço de armazenamento na cloud da empresa e é feito a pensar nas famílias, já que pode ser partilhado entre cinco pessoas. Há o pacote individual, que custa €11,95 e inclui 50GB de armazenamento na iCloud e o familiar, que custa €16,95 mas pode ser partilhado entre cinco pessoas (e inclui 200GB na iCloud).

E que serviços são estes?

A Apple Music (70 milhões de canções) é rival do Spotify e fornece streaming de música, que inclui algumas rádios. Já o mais recente Apple TV+, lançado em 2019, tal como o Arcade, está muito longe do número de títulos oferecidos pela Netflix ou mesmo pela HBO ou Disney+. Tem algumas dezenas de séries, documentários e filmes originais da Apple, entre os quais o premiado The Morning Show. O Arcade é o serviço de jogos por streaming, com mais de 100. O iCloud traz espaço de armazenamento online para fotos, vídeos, ficheiros nos dispositivos da Apple.

Os analistas estimam que é provável que comece a existir maior aglomeração de serviços num pacote de subscrição mais amplo que permita poupanças. Isso pode acontecer por parcerias entre marcas diferentes ou, no caso da Apple e Amazon, com expansão do seu ecossistema digital. A Apple poderá, no futuro, incluir uma assinatura que dá ainda acesso também ao próprio iPhone (permitindo trocar todos os anos), ou mesmo iPad ou Apple Watch e companhia, uma possível expansão ao serviço que a empresa tem que inclui reparações em vários produtos chamado Apple Care+.

Spotify critica "monopólio da Apple"

O Spotify aproveitou o lançamento do Apple One para voltar a acusar a Apple de práticas anticompetitivas, indicando que a assinatura lançada prejudica os seus concorrentes. "Mais uma vez, a Apple está a usar a sua posição dominante e práticas injustas para prejudicar a competição e limitar os consumidores, favorecendo seus próprios serviços".

A empresa diz que as práticas da Apple podem causar "danos irreparáveis à comunidade de programadores" e são uma "ameaça à liberdade coletiva."

Amazon Prime é rei das assinaturas

A Amazon pode não ter uma loja online em Portugal, mas as lojas de Espanha e Reino Unido têm muitos clientes portugueses e é mesmo possível assinar (especialmente na loja espanhola) o serviço Amazon Prime. O gigante do e-commerce divide os benefícios entre entregas de produtos e streaming.

Nos EUA é onde os benefícios são mais óbvios, com entrega gratuita em dois dias (em alguns locais no próprio dia) e descontos vários (especialmente na Whole Foods, nos livros ou em programas de cashback em compras).

No streaming há o serviço com várias séries e filmes - onde se destaca Fleabag, Undone ou The Marvelous Mrs Maisel -, serviço de música em streaming e de jogos, de livros digitais e de armazenamento de fotos ilimitado.

O serviço em Espanha, sem várias das opções (especialmente nos descontos e na rapidez das entregas) que existem nos EUA, custa 36 euros por ano e tem limitações no envio de alguns produtos para Portugal. Já nos EUA vai para os 119 dólares por ano (100 euros) e há a opção de só ter o serviço de vídeo, por 8,99 dólares por mês.

Operadoras ainda só incluem a HBO Portugal

As operadoras portuguesas MEO e Vodafone já facilitam a utilização da Netflix e HBO Portugal nos seus serviços - já aparece incluída nos canais das próprias boxes - há algum tempo. No caso da Vodafone, tem mesmo uma assinatura com vários canais que já inclui a HBO Portugal, sem custos adicionais.

Para já, ainda não há nos operadores portugueses assinaturas que juntem todos estes serviços internacionais em streaming - o foco ainda é mais entre os canais de cabo -, embora a Yorn (submarca da Vodafone para jovens) já ofereça três meses gratuitos da HBO Portugal e do Tidal (serviço de streaming de música) nos seus pacotes para telemóveis. Uma realidade que é provável que comece a mudar em breve, com o aumento de interesse e de subscritores dos serviços de streaming que investem muitos mil milhões de euros em novos conteúdos.

A rainha, nesse domínio, é a Netflix, que vai gastar 14,35 mil milhões de euros em conteúdos só em 2020. Com mais de 193 milhões de subscritores pagos a nível mundial, não há outra plataforma com tanto impacto.

A Spotify domina no áudio (tem 130 milhões subscritores pagos; 286 milhões incluindo as subscrições gratuitas) tem investido agora mais nos podcasts e pagou ao comediante e famoso podcaster Joe Rogan 100 milhões de dólares (84,4 milhões de euros) num vasto acordo de licenciamento - também tem acordos exclusivos com Michelle Obama e Kim Kardashian.

Disney+ chegou esta semana a Portugal

O serviço de streaming do mundo Disney, o Disney+ (lê-se Plus), foi oficialmente disponibilizado esta terça-feira em Portugal com algumas particularidades diferentes do seu principal rival, a Netflix, a começar pelo preço.

Só existe um plano de subscrição, no valor de 6,99 euros por mês ou 69,99 euros por ano, que permite ter acesso a todas as funcionalidades da plataforma com mais de 600 filmes, documentários e séries (entre os universos da Disney, Star Wars, Marvel, Pixar, National Geographic e alguns conteúdos do catálogo da Fox).

É assim possível ter acesso aos mais de 100 conteúdos em Ultra Alta Definição (4K) e fazer downloads de conteúdos em 10 equipamentos diferentes - todos estão disponíveis, indica a Disney - e ainda é possível ver em quatro ecrãs em simultâneo para facilitar a partilha (a Netflix tem essa modalidade em planos mais caros, entre os 10,99 e os 13,99 euros).

O serviço é assim mais barato do que o plano mais básico da Netflix (7,99 euros, que só permite um ecrã a ser usado em simultâneo) e mais caro do que a HBO Portugal (4,99). Além disso não tem nenhum período de teste gratuito disponível, como é o caso da Netflix (30 dias) e HBO (14 dias).

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