Altice, NOS e Vodafone admitem desligar rede 3G mas ainda não há calendário

Massificação do acesso à rede 4G e avanços no 5G levam operadores europeus a desligar redes móveis anteriores para otimizar serviços e negócio. Em Portugal também o 3G, e talvez o 2G, poderão vir a ser descontinuados.

A Altice, a NOS e a Vodafone admitem desligar o sinal da rede móvel 3G, seguindo uma tendência internacional já em voga na Europa e também por uma questão de eficiência e qualidade dos serviços assegurados pelas redes 4G e 5G. As empresas de telecomunicações estão a acompanhar o que se passa a nível internacional, mas ainda não têm um calendário definido para descontinuar o sinal de redes anteriores ao 4G e 5G.

"Com a migração para as novas gerações é natural que, a devido tempo, se avaliem cenários já em implementação pela Europa de phase-out [descontinuar] progressivo das redes menos eficientes como é o caso do 3G", admite fonte oficial da Altice Portugal ao Dinheiro Vivo.

A evolução tecnológica nas comunicações tem ocorrido a grande velocidade, na última década, com o 4G. E a partir de agora, com o 5G, as inovações prometem ser ainda mais disruptivas. O espetro radioelétrico é um bem escasso e, atualmente, com o acesso ao 4G massificado e a chegada do 5G, os operadores entendem ser normal que o foco recaia sobre as gerações móveis mais recentes, em detrimento das gerações anteriores, numa lógica de otimização das redes móveis e do negócio. As gerações anteriores podem ser entendias como 1G, que este na base das primeiras chamadas telefónicas sem fios na década de 1980, seguindo-se o 2G na década de 1990, que passou a permitir o envio de mensagens curtas escritas (SMS) e mais tarde o envio de fotografias por mensagem (MMS). Já o 3G tornou-se um marco na história das redes móveis, permitindo desenvolver a internet móvel há duas décadas. O 4G veio acrescentar capacidade e velocidade à transmissão e tráfego de dados e, agora, o 5G vem elevar as redes para outro patamar, o da Internet das Coisas.

A mesma fonte diz que a rede 4G da Altice "já cobre 99,7% da população portuguesa", realçando que está a promover a sua utilização. Além disso, a empresa "está a trabalhar para garantir maior cobertura da população em 5G", mas não revela quanto do país já é coberto com 5G da dona da Meo.

Para a NOS há "uma tendência mundial" e são já "dezenas os operadores que anunciaram ou desligaram as suas redes 3G". Fonte oficial explica que isso está a acontecer porque "as gerações de comunicações móveis subsequentes ao 3G a substituem com melhor desempenho a todos os níveis, inclusivamente ambiental, com uma eficiência energética superior, dada a conversão do espetro 3G em 4G e 5G, traduzindo-se também numa melhor experiência de utilização para o consumidor".

A empresa liderada por Miguel Almeida "está ciente desta necessária evolução" e, nesse sentido, "progressivamente", o 3G "dará lugar às tecnologias que lhe sucederam", com as frequências ocupadas por essa rede a serem "realocadas para dar mais capacidade e cobertura" ao 4G e 5G, futuramente. No entanto, a NOS "não tem, neste momento, um calendário definido para o phase-out da sua rede 3G".

"Mais de 90% do tráfego de dados da NOS é suportado na rede 4G e 5G, com menos de 10% a utilizar os serviços na rede 2G e 3G", adianta a mesma fonte. Ainda que recente, o 5G da NOS "cobre já mais de 75% da população portuguesa". Todavia, para já, apenas pouco mais de 15% dos clientes da empresa têm dispositivos aptos para o 5G. Segundo a mesma fonte, a tendência é que esse número cresça "dada a disponibilidade de 5G na maior parte dos novos dispositivos".

Também a Vodafone Portugal admite acabar com o 3G, e talvez o 2G. "Em função da migração de clientes para outras tecnologias, 4G e mais recentemente 5G, [as tecnologias 2G e 3G] serão passíveis de encerramento no futuro, como se tem observado em outros países, com a consequente realocação dessas frequências para as tecnologias que garantam acrescida eficiência e qualidade de serviço para os consumidores, afirma fonte oficial.

A Vodafone - tal como a Altice e a NOS - está a monitorizar as necessidades do mercado e, para já, afirma "não estar em condições de antecipar uma data para o encerramento de qualquer uma das tecnologias em causa". Realça fonte oficial que o número de pessoas que ainda usa as redes anteriores ao 4G e 5G, "por inerência dos equipamentos utilizados, não se compadece com o encerramento a curto prazo de qualquer uma das tecnologias". E dá uma garantia: ao dia de hoje, o desempenho das redes 4G e 5G "não depende da realocação das frequências que seriam libertadas com o eventual encerramento do 2G e do 3G".

A telecom não diz quanto do tráfego de dados corresponde a cada tipo de rede, mas adianta que a sua rede 5G já chega a todas as capitais de distrito e que, nas regiões dos Açores e Madeira, "a percentagem de população com cobertura de rede 5G superior a 90% será já alcançada até ao verão de 2022". Mas ainda só 10% dos clientes da Vodafone têm dispositivos 5G. O objetivo para todo o setor é cobrir 95% do país até 2025, incluindo 90% das freguesias de baixa densidade populacional.

Apesar de não haver datas, o desligamento das redes móveis anteriores ao 4G e 5G deverá mesmo acontecer, em Portugal. E a primeira a acabar deverá ser o 3G. Para já, não se sabe quantas pessoas poderiam ser afetadas por essa decisão. Os últimos dados da Autoridade Nacional de Comunicações indicam que, no final de 2021, a taxa de penetração do serviço móvel em Portugal era de 125,7 por 100 habitantes e que nove milhões de pessoas recorriam às redes móveis (3G, 4G ou 5G) para aceder à internet.

Com os avanços nas telecomunicações, países como Bélgica, Luxemburgo, Polónia, Roménia, Eslováquia e Espanha determinaram o desligamento da rede 3G até 2025. Até 2030 será o 2G. No início deste ano, a Vodafone anunciou que vai acabar com o 3G no Reino Unido, a partir de 2023. Também a Orange, em março, fez saber que vai terminar com o 3G até 2028 e com o 2G até 2025, em França.

Face a esta tendência, a Comissão Europeia anunciou, recentemente, que as frequências das redes 2G, 3G (e algumas do 4G) vão passar a ser utilizadas para suportar o 5G, respondendo "à procura crescente de banda larga e de aplicações digitais inovadoras".

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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