Acionistas do Popular perdem tudo. Depósitos estão a salvo

Santander compra Popular por um euro para evitar colapso do sexto maior banco
espanhol, mas tem de injetar 7000 milhões de euros. 300 mil acionistas perdem tudo

Da noite para o dia o panorama da banca ibérica voltou a mudar: o Santander respondeu de forma satisfatória ao telefonema tardio das autoridades europeias e "comprou" o Banco Popular, incluindo a operação portuguesa, por um euro para evitar a falência do sexto maior banco espanhol, sem capacidade para fazer frente à fuga de depósitos.

"As autoridades ligaram-nos ontem à noite [dia 6] e preparámos uma oferta. Não fizemos uma oferta antes mas estudámos o banco. E, como já o conhecíamos, conseguimos avançar com uma proposta em muito pouco tempo", explicou ontem Ana Botín, presidente do Grupo Santander.

Os acionistas do Popular perdem tudo, mas os depositantes portugueses estão a salvo. A atividade do Banco Popular Portugal mantém a "normalidade" e a unidade do grupo espanhol é integrada no Santander Totta. As poupanças na instituição financeira, que conta com 118 agências no nosso país, "estão salvaguardadas", garante o Banco de Portugal.

As tentativas de encontrar um comprador de última hora para o Popular das últimas semanas foram repetidamente saindo frustradas, apesar do interesse manifestado não só pelo Santander como por BBVA, Bankia e CaixaBank. Contudo, a cada tentativa frustrada, a perceção da solidez do Popular foi afundando. Em bolsa, o banco caiu mais de 50% e, face a tudo isto, os clientes começaram a retirar o dinheiro do banco. E, se a sangria tivesse continuado ontem de manhã, o Popular já não teria dinheiro para dar aos clientes. Foi ao perceber isto que o Conselho Único de Resolução (CUR), braço da Comissão Europeia responsável pelas resoluções, decretou o colapso como iminente.

A operação que se seguiu foi como tirar um penso rápido: sem aviso, de forma rápida e contendo a dor. Pela manhã, as autoridades europeias, espanholas e portugueses já tinham vários comunicados na rua, tal como o Santander, a apresentar o resultado final, inapelável. "O BCE concluiu que o Popular se encontrava em risco de falhar e notificou o CUR, que, em conjunto com o Fundo de Resolução espanhol, decidiu que a venda era a solução que melhor salvaguardava o interesse público e dos depositantes do Popular." E assim foi

"É uma boa saída, dada a situação a que havia chegado o Popular nas últimas semanas", destacou Luis de Guindos, ministro da Economia espanhol. A operação "foi levada a cabo sem a utilização de recursos públicos e sem que tenha produzido um eventual contágio soberano e bancário".

"Como parte da operação, o Santander vai realizar um aumento de capital de sete mil milhões de euros que cobrirá necessidades e provisões necessárias para reforçar o balanço do Popular", a braços com muito milhões de malparado. Apesar do esforço exigido para a absorção do Popular, esta operação traz a liderança da banca ibérica ao Santander, vai resultar em 500 milhões em sinergias e aumentar a rentabilidade do banco, garante Ana Botín.

Para pior cenário acordaram os 300 mil acionistas do Popular, onde o empresário Américo Amorim chegou deter 8%: se no final da terça-feira tinham 1300 milhões de euros em ações do banco, ontem tinham uma mão-cheia de nada - eles e os investidores donos de quase dois mil milhões em obrigações convertíveis. Efeito de esta ter sido a primeira resolução ao abrigo das novas regras europeias, que já privilegiam o resgate interno. Desta vez salvaram-se não só os depositantes como os contribuintes.

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