22 milhões de desempregados. Estados Unidos anulam ganhos dos últimos 10 anos

Só na última semana, 5,25 milhões de pessoas pediram subsídio de desemprego no país com mais mortes por Covid-19.

Mais de 22 milhões de pessoas perderam o emprego nas últimas quatro semanas nos Estados Unidos. Por causa dos efeitos económicos do novo coronavírus, foram anulados os empregos criados desde a última crise financeira e a taxa de desemprego está próxima dos 15%, a mais elevada desde a Grande Depressão, da década de 1930, segundo a informação divulgada esta quinta-feira.

Os 22 milhões de desempregados no último mês superaram os cerca de 21,5 milhões de empregos criados desde junho de 2009, segundo a agência Bloomberg. Isto numa altura em que o presidente dos EUA, Donald Trump, prepara-se para anunciar um plano para a reabertura da economia.

Só na última semana, mais 5,25 milhões de pessoas pediram subsídio de desemprego, segundo os dados citados pela CNBC. Este número ficou acima dos 5 milhões de pedidos de subsídios estimados pelos economistas consultados pela agência Dow Jones. Na última semana, os trabalhadores independentes passaram a ter acesso ao subsídio de desemprego.

Ainda assim, o número de desempregados nos últimos sete dias está abaixo dos pedidos da semana anterior (6,6 milhões) e da semana anterior a essa (6,8 milhões), segundo as autoridades locais.

Os números da semana passada, embora continuem em níveis historicamente elevados, representam um ligeiro recuo em relação aos da semana anterior, quando os pedidos de apoio por desemprego tinham chegado a 6,61 milhões.

Os dados dizem respeito à semana entre 5 e 11 de abril e mostram que existiram quase menos 1,4 milhões de pedidos de apoio ao governo em relação à semana anterior. No ano passado, e no mesmo período, 203 000 pessoas entraram, pela primeira vez, com pedidos de subsidios de desemprego.

A pandemia de covid-19 é a razão apontada para este aumento do desemprego nos EUA, que regista casos de demissões generalizadas. Hotéis, serviços ligados à alimentação e o setor da construção são algumas das áreas mais afetadas.

Gregory Daco, da Oxford Economic, refere um "período traumático" para o mercado de trabalho. O especialista, citado pela AFP, afirma que os números do desemprego vão "permanecer extraordinariamente altos nas próximas semanas", à medida que a "economia mergulha numa recessão ".

Na quarta-feira, a bolsa nova-iorquina encerrou em baixa, após a divulgação de indicadores negativos que antecipam uma crise económica mais profunda do que o esperado. O Dow Jones desceu 1,86% e o Nasdaq 1,44%.

Em março, a produção industrial nos Estados Unidos registou uma queda mensal de 5,4%, a maior no período de um mês desde 1946, depois de muitas fábricas terem parado para conter a pandemia de covid-19. As vendas do comércio retalhista tiveram um declínio sem precedentes de 8,7%.

Os Estados Unidos estão entre os países mais afetados pelo novo coronavírus, com 639 664 casos e 30 985 mortos.

Com agências.

Atualizado às 17:53

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