10 hábitos que vão mudar no setor imobiliário

Nada será como dantes. Os preços vão cair e o comprador assumirá a palavra no negócio. Mas não só.

A ComprarCasa, rede imobiliária com mais de 150 escritórios entre Portugal e Espanha, admite que a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus fez disparar os sinais de alarme no setor, mas ressalva que a conjuntura não é igual à da última recessão, em 2008.

Com base nas dezenas de reuniões que tem promovido com os seus agentes para identificar problemas e encontrar soluções para contornar a suspensão da economia e a consequente paragem do movimento de compra e venda de imóveis, a ComprarCasa concluiu que há "10 hábitos que o coronavírus vai mudar e, talvez para melhor, no sector imobiliário".

1. Há razões para alarme, mas esta crise não é como a de 2008

Se no passado a construção e o imobiliário foram "o pavio que desencadeou a crise económica, neste caso, é um dos afetados", diz a ComprarCasa. A última crise preparou os bancos centrais e o Banco Central Europeu a agir num contexto de incerteza.

2. Vem aí uma queda nos preços

Esta crise irá forçar uma redução dos preços das casas. As quebras poderão chegar aos 10%/15%. Nos próximos meses, é certo que o comprador voltará a ter a palavra, diz a ComprarCasa.

3. Paciência, é preciso aguardar que passem os momentos mais críticos

A experiência é uma ferramenta preciosa neste período. Por isso, os responsáveis ibéricos da ComprarCasa acreditam que "a extrema volatilidade observada nos mercados financeiros e as baixas taxas de juros" irão ajudar a consolidar o sector imobiliário como "um destino interessante para investimentos".

4. A explosão das ferramentas tecnológicas

O período de confinamento que vivemos está a ajudar o setor a dar o salto tecnológico de que necessitava. Muitos profissionais estão a aproveitar esta pausa para ter formação, atualizar as suas ferramentas, fortalecer relações com os clientes graças à tecnologia. Nesta altura, há já mecanismos que permitem que o processo de compra de casa se desenvolva sem presença física dos intervenientes.

5. Um novo paradigma para o Alojamento Local

O turismo será um dos setores que mais vai sofrer com esta crise tanto em Portugal como em Espanha. É de esperar que muitos dos imóveis que até agora estavam afetos ao Alojamento Local migrem para o arrendamento tradicional de longa duração, "originando um aumento significativo na oferta e um natural ajuste nos preços", lembram os responsáveis da ComprarCasa.

6. Quedas de taxa de juros sem precedentes

A crise do Covid-19 deverá atrasar para 2023 o incremento da Euribor para taxas positivas, previsto inicialmente para 2022. O índice de referência ao qual a maioria dos empréstimos hipotecários está vinculada não deverá retornar a valores positivos nos próximos três anos. Com base nesta perspetiva, a ComprarCasa acredita que o setor imobiliário continuará a ser "um dos ativos mais interessantes para os investidores" e o impacto no segmento médio e médio/alto não durará muito.

7. Construção nova, possivelmente a mais afetada.

Para a ComprarCasa, "as empresas de construção que tinham as suas obras - e respetivas vendas - já numa fase adiantada, poderão verificar que as entregas das mesmas se irá atrasar" e os seus compradores podem vir a ser afetados pelo desemprego. Porém, adianta, as entidades que poderão ser mais prejudicadas são aquelas que estavam com planos de comercialização ainda em projeto ou início de construção.

8. Dinamismo na gestão profissional do arrendamento

A gestão profissional de ativos permite uma resposta mais eficiente do que a dos proprietários privados. Essa tendência, que já se observava, deverá consolidar ainda mais após essa crise.

9. Uma nova arquitetura de habitação e planeamento urbano.

É muito provável que os vestígios que nos deixarão estas semanas de confinamento, com o fenómeno nacional, ibérico, europeu e até mundial que emergiu e que intitulamos de "As Varandas" e da convivência do "bairro" venham provocar uma profunda reflexão ao nível do planeamento urbano. Para a rede imobiliária, o perfil do consumidor de imobiliário deverá alterar face ao que vivenciou nas últimas semanas. Varandas, pátios e logradouros, mesmo pequenos, deverão ser valorizados pelos consumidores.

10. Só os melhores sobreviverão.

O imobiliário irá consolidar-se como uma atividade altamente profissionalizada e na qual apenas os melhores sobreviverão. A tecnologia que os agentes imobiliários possuem, a formação contínua, as operações em rede, os serviços complementares, as ferramentas financeiras e a força da sua marca, reforçarão a diferença entre sobreviver ou não.

jornalista do Dinheiro Vivo

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