Varandas voltou ao Exército e movimento pede eleições antecipadas no Sporting

Perante a declaração de Estado de Emergência, líder leonino teve de voltar ao Exército. Grupo de sócios levanta dúvidas sobre a compatibilidade com as funções que exerce no clube e acena com os estatutos do Sporting.

Frederico Varandas anunciou na quinta-feira que irá integrar o corpo médico no combate à pandemia da covid-19 e já há um grupo de sócios do Sporting a exigir eleições antecipadas, por considerar que estas novas funções "impossibilitam fisicamente" o presidente leonino de cumprir as suas funções no clube, situação que, segundo os estatutos, leva à destituição.

Este regresso ao Exército de Frederico Varandas não é bem em regime voluntariado, pois o líder leonino, de acordo com a Lei da Defesa Nacional, está obrigado a fazê-lo. Mas Varandas disponibilizou-se de imediato para voltar e até já começou a fazer formação em covid-19 no Hospital das Forças Armadas.

Neste sentido, o movimento "Sou Sporting" emitiu um comunicado a levantar várias questões, pedindo mesmo que haja eleições antecipadas para o final de abril. Há ainda um outro problema relacionado com o regime de exclusividade a que esta nova missão obriga. Mas fonte do Sporting, em declarações à revista Visão, diz que o panorama atual é diferente.

"Estamos a viver um momento absolutamente atípico. É nosso entendimento, e também de todos aqueles que consultámos, que a noção de estado de emergência prevista na Lei de Defesa Nacional refere-se, regra geral, a cenários de guerra e que podem implicar, nomeadamente, mobilizações, mudanças de cidade ou país de residência. O panorama atual é diferente, estamos perante um cenário de pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde. E todos esperam que seja um período breve para que a vida possa retornar à normalidade", referiu fonte oficial do Sporting em declarações à Visão.

Frederico Varandas suspendeu a sua ligação ao Exército em 2013, ficando desde então com licença sem vencimento, por ter sido eleito nas eleições autárquicas para ser deputado da Assembleia da Junta de Freguesia de Odivelas, cargo não executivo e não remunerado - foi eleito em 2013 e mais recentemente em 2017. Só que esta licença especial mudou com a declaração do Estado de Emergência, decretada na quarta-feira, devido ao surto de covid-19.

O artigo 33 da Lei da Defesa Nacional é muito claro nestes casos, determinando que "a licença especial caduca, determinando o regresso do militar à situação anterior com a declaração de guerra, do estado de sítio e do estado de emergência". O mesmo artigo, no ponto 7, reforça que "só podem ser chamados à efetividade de serviço em caso de declaração de guerra, do estado de sítio ou do estado de emergência, que determinam a suspensão do respetivo mandato".

Aqui fica o comunicado na íntegra o comunicado do movimento "Sou Sporting":

"Tendo em conta que no site do Presidente da República informa que no passado dia 20-03-2020 'assinou o Decreto do Governo que estabelece os termos das medidas excecionais a implementar durante a vigência do estado de emergência, decretado pelo Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020, de 18 de março, em resposta à pandemia da doença COVID-19.'

Após a promulgação do estado de emergência algumas questões se colocam a que urge responder no quadro legal vigente no País porque:

Até ao momento da declaração do estado de emergência o Doutor Frederico Varandas estava 'Fora da efetividade de serviço' tal como refere a alínea b), do nº 1, do artigo 45º, do DL 90/2015, diploma que aprova o Estatuto dos Militares das Forças Armadas.

Encontrava-se nessa situação de "licença especial" em decorrência do disposto no n.º 2, do artigo 33º do Lei de Defesa Nacional (52/2009) por despacho do CEME do ramo, por desempenho de funções "politicas" num órgão de administração local;

Com a declaração do estado de emergência a situação em que se encontrava caducou automaticamente, por força da própria lei 8 nº 6, do artigo citado no ponto anterior;

Por tal situação passou à "efetividade de funções" por força da alínea a), do nº 1, do supracitado artigo 45º do Estatuto;

Nessa qualidade a efetividade de serviço pressupõe a prestação de funções militares, em regra, em regime de exclusividade;

Ora, desde a declaração do "estado de emergência" o cidadão Frederico Varandas não pode exercer outras funções, nomeadamente em acumulação com os cargos diretivos que exerce no Sporting Clube de Portugal e na SAD do Clube;

A possibilidade de desempenhar outras funções depende de "autorização prévia do CEM do respetivo ramo sujeito ao regime de incompatibilidades e acumulações para o exercício de funções públicas, com as necessárias adaptações" de acordo com o n.º 2 do artigo 14º do DL 90/2015 (LDN).

Primeira questão o senhor CEM do Exército já "produziu a autorização prévia acomodada ao regime de incompatibilidades?

Se não produziu o senhor Frederico Varandas não pode legalmente desempenhar as funções que desempenhava nos órgão do Sporting Clube de Portugal e da SAD.

Depois, na qualidade de militar efetivo vai ter direito a remuneração, questionamos se vai acumular com a remuneração da SAD?

Finalmente, há que olhar aos Estatutos do Sporting Clube de Portugal, que no artigo 37º sob a epígrafe "Cessação de mandato", no seu n.º 1, determina que: "O mandato cessa ANTECIPADAMENTE por morte, IMPOSSIBILIDADE FÍSICA, perda da qualidade de sócio, perda e cessação do mandato, nos casos previsto no número 7, do artigo 31 e no número 4, do arrigo 33º, SITUAÇÃO DE INCOMPATIBILIDADE, renuncia ou destituição"

E no seu nº 2, determina que: a morte, IMPOSSIBILIDADE FISICA, (...) do Presidente do Conselho Diretivo determina a cessação automática antecipada do mandato de todos os órgãos sociais devendo a Assembleia Geral eleitoral ser convocada para o prazo máximo de 30 dias da ocorrência da cessação antecipada do mandato do Conselho Diretivo"

Ora face ao quadro legal em vigor no País - se não for das bananas - Sporting (Clube) e por arrastamento a SAD não possui Conselho Diretivo e qualquer ato é abusivo, porquanto:

Não se conhece "AUTORIZAÇÃO PRÉVIA " anterior à publicação do estado de emergência por parte do CEME; tudo o que seja "fabricado" posteriormente, parece-me de todo ilegal, sendo nula nos termos do artigo 220º do Código Civil;

Ora, não havendo autorização prévia do CEME, o senhor Frederico Varandas é um efetivo do Quadro Permanente do Exército atualmente

Não possui o dom da "ubiquidade" pelo que é manifesta a "impossibilidade física" e a "situação de incompatibilidade" prevista nos Estatutos.

Pelo que aguardamos pela convocação da AG estipulada nos Estatutos (nos trinta dias subsequentes à declaração do "estado de emergência") para que os sócios se possam pronunciar no quadro legal vigente no País.

Aguardamos pois, pela referida convocação da AG, sob pena de estarmos perante uma evidente, clara, forte e dolosa violação dos Estatutos do SCP.

PS. A ser verdade o que correu pela comunicação social dando conta de que o doutor Frederico Varandas se "voluntariou" antes da declaração do "estado de emergência" então a necessária autorização prévia do senhor CEME ainda teria que ser produzida antes da declaração do Presidente da República, e será uma boa altura para averiguar quem fala verdade ou mentira."

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