Único barco português na The Ocean Race luta pela vitória e pelo planeta

Racing for The Planet é o nome do barco que vai representar Portugal e a luta pelas alterações climáticas na mais antiga e prestigiada regata do mundo

Racing for The Planet é o nome e constitui a missão do único barco português que vai participar na edição 2021-22 da The Ocean Race, a mais antiga e prestigiada regata do mundo. Além de navegar pelo planeta no sentido em que vai atravessar o mundo durante a competição, o representante luso vai navegar em defesa do planeta, assumindo-se não só como um candidato à vitória como um defensor da luta contra as alterações climáticas.

A equipa portuguesa vai representar a Fundação Mirpuri, que participa pela segunda vez consecutiva, depois de ter concorrido na edição 2017-18 com o barco Turn the Tide on Plastic, numa campanha que incidiu na luta contra os plásticos nos oceanos.

"Há muito tempo que muitos cientistas estão preocupados com as alterações climáticas. 195 nações assinaram o Acordo de Paris em 2015, para reduzir os custos e os impactos com as alterações climáticas, mas não estamos a fazer o suficiente para combater isso. Se não agirmos rapidamente, a temperatura da superfície do planeta poderá subir três graus, provocando destruição e sofrimento ainda não quantificáveis às populações e animais na Terra. Este é um problema global, que extravasa fronteiras", afirmou Paulo Mirpuri, presidente da Fundação e um dos tripulantes do barco, juntamente com os olímpicos Bernardo Freitas e Frederico Pinheiro de Melo, durante a apresentação do barco, que decorreu na Marina de Cascais.

A equipa Racing for the Planet irá competir na classe VO 65, projetada e construída para ser uma máquina de corrida competitiva de alto desempenho. A introdução do One Design VO65 revolucionou a corrida na última edição, atingindo velocidades recordes, tendo a margem de vitória para a equipa vencedora sido de apenas 16 minutos após os 126 dias de regata. Nessa prova, a formação da Formação Mirpuri recuperou 17,7 das 21,3 toneladas de plástico perdidas e que, ao utilizar pontos de recarga de água, poupou cerca de 388 mil garrafas de plástico descartáveis, além de cerca de 20 mil pessoas se terem inscrito no compromisso Clean Seas da ONU.

Oito meses e seis continentes

Agora o objetivo é fazer melhor na corrida que se inicia no outono de 2021 em Alicante, na costa de Espanha, e termina no verão do ano seguinte em Génova, em Itália, passando pelo meio em Cabo Verde. Para tal vai contar com o contributo de Bruno Dubois, que na última edição foi team manager da equipa vencedora, o Dongfeng. "Estou envolvido nesta corrida desde 1989. Não é uma corrida, é um estilo de vida, algo que está no nosso sangue. Vou dar o meu melhor por esta equipa, para alcançar um grande resultado", prometeu.

A The Ocean Race, refira-se, é a competição à vela mais longa e considerada a mais exigente do mundo. São oito meses de corrida, 45 mil milhas náuticas (83,3 mil quilómetros) à volta do mundo, com 12 escalas-chave em seis continentes. E o presidente da competição, Richard Brisius, está satisfeito por contar com a equipa que vai representar Portugal e a defesa da luta contra as alterações climáticas: "É uma corrida única, que atravessa o mundo e passa por seis continentes. Ganhar esta corrida é como ganhar uma medalha olímpica. Esperamos que a equipa da Fundação Mirpuri continue a participar por muito mais tempo. Estamos muito focados na saúde dos oceanos", afirmou em Cascais, elogiando o "mau tempo" português em comparação com o que encontrou ao início da manhã desta sexta-feira em Estocolmo, na Suécia.

Também bastante satisfeito está Gonçalo Esteves, presidente do Clube Naval de Cascais, onde o barco vai ficar alojado: "É um momento histórico para o Clube Naval de Cascais receber este barco. Nunca sonhámos ter uma equipa da Ocean Race sediada aqui. Desejamos que a tripulação encontre as melhores condições para chegar a vitória."

O entusiasmo também é expresso pela autarquia e pelo governo. A vereadora cascalense Joana Balsemão sublinhou que "o oceano faz parte da identidade dos portugueses" e deu o mote à equipa portuguesa: "Façam parte da mudança e naveguem pelo planeta." Já o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, reconheceu a importância de Portugal contar "com uma equipa numa das mais exigentes corridas de vela do nosso planeta" e que "é uma honra acrescida para o nosso país" ver o desporto servir de "veículo extraordinário para passar valores éticos e princípios essenciais."

Mais Notícias

Outras Notícias GMG