UEFA não recorre da decisão que permite entrada do Manchester City na Champions

"Não estamos satisfeitos com a decisão do TAS, mas temos de respeitar a sentença deste órgão", afirmou o presidente Aleksander Ceferin, garantindo que as regras do fair-play financeiro foram "bem-sucedidas".

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, admitiu esta segunda-feira que não ficou insatisfeito com a sentença do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) que possibilita a participação do Manchester City nas competições europeias, mas afastou a possibilidade de avançar com um recurso da decisão.

"Ninguém quer perder um caso. Não estamos satisfeitos com a decisão do TAS, mas temos de respeitar a sentença deste órgão, que acordámos que é a última instância na decisão deste processo", lançou Ceferin em entrevista à agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), em Lisboa, na primeira vez que falou do caso que envolveu o Manchester City numa alegada violação do fair-play financeiro.

No dia seguinte à final da Liga dos Campeões, disputada no Estádio da Luz, que coroou o Bayern Munique como novo campeão europeu, Ceferin considerou que, apesar da decisão desfavorável do TAS, as regras de fair-play financeiro da UEFA foram bem-sucedidas. Segundo o esloveno, que lidera a UEFA há quase quatro anos, este programa "não está morto" e saiu "bem-sucedido deste caso", no qual "as questões processuais acabaram por ser decisivas".

Questionado pela AP sobre um possível recurso para uma instância superior da justiça suíça, Ceferin sublinhou que não é um caminho que queira seguir.

Em meados de julho, o TAS considerou que várias das acusações da UEFA sobre quebra de regras financeiras por parte dos citizens não podiam ser provadas, enquanto outras estavam fora do tempo limite, decidindo anular a suspensão de dois anos das competições europeias que o organismo de cúpula do futebol europeu tinha aplicado.

Não obstante a decisão favorável ao Manchester City, o TAS também reconheceu que o clube inglês não cooperou com a UEFA e aplicou-lhe uma multa de 10 milhões de euros, quando o emblema tinha sido punido com uma sanção inicial de 30 milhões de euros imposta pelos órgãos jurisdicionais da UEFA.

A UEFA tinha excluído em fevereiro o clube das competições europeias por dois anos devido a "quebras significativas" das regras do fair-play financeiro, estabelecidas pelo organismo de cúpula do futebol europeu, nomeadamente através da sobrevalorização de receitas de patrocínios entre 2012 e 2016.

A decisão da UEFA partiu de uma investigação iniciada em março de 2019 e que teve por base uma série de documentos publicados no site Football Leaks, criado pelo português Rui Pinto, que está em prisão domiciliária em Portugal e a aguardar julgamento.

O Manchester City nunca desmentiu a autenticidade dos documentos, mas argumentou que foram roubados e utilizados fora de contexto, tendo congratulado a decisão do TAS divulgada em 13 de julho, que lhe reabriu as portas das competições europeias nos próximos dois anos.

De resto, fruto do segundo lugar alcançado pela equipa de Guardiola na última temporada da Premier League, o City, que conta com os jogadores portugueses Bernardo Silva e João Cancelo, assegurou presença na próxima edição da Liga dos Campeões.

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