Títulos na era Jesus renderam 31,6 milhões ao Flamengo. Pouco comparado com a Europa

A Taça Libertadores foi de longe o troféu que mais dinheiro rendeu ao clube carioca, que conquistou mais quatro títulos desde que Jesus é treinador. Mas o total embolsado em prémios está muito longe do que se pratica no futebol europeu.

O Flamengo conquistou cinco títulos desde que no verão passado Jorge Jesus se tornou treinador dos rubro negros, e a equipa sagrou-se ainda vice-campeã do Mundial de Clubes, título perdido em dezembro para o Liverpool. Conquistas que valeram ao clube carioca vários prémios monetários. No total, convertendo reais para euros, o Flamengo encheu os cofres com 31,6 milhões de euros. Um valor considerável para a realidade brasileira, mas muito pouco quando comparado com os valores que se praticam no futebol europeu.

Entre todos os títulos ganhos pelo emblema brasileiro, destaca-se o valor garantido com a conquista da Taça Libertadores (a Champions da América do Sul, na qual o Fla bateu na final o River Plate), um total de 19 milhões de euros contabilizando toda a campanha da equipa na prova. O campeonato brasileiro rendeu 6,8 milhões de euros, a Supertaça sul-americana 1,1 milhões, a Taça Guanabara 370 mil euros e a Supertaça do Brasil um milhão. A estes valores o Flamengo juntou ainda mais 3,4 milhões por ter sido vice-campeão do Mundo de clubes. Tudo somado dá um valor a rondar os 31,6 milhões de euros.

Estes valores são bastante consideráveis para o futebol brasileiro e sul-americano em geral, mas muito abaixo dos prémios que se praticam na Europa. Analisando os valores pagos na Taça Libertadores e na Liga dos Campeões, por exemplo, só o vencedor da Champions ganha 19 milhões de euros, enquanto na Libertadores a equipa vencedora embolsa 10,8 milhões de euros.

As verbas encaixadas num e noutro continente são mais significativas se contabilizarmos toda a participação nas duas provas (Libertadores e Liga dos Campeões). O Flamengo, pelo campanha que terminou com o título de campeão da Libertadores no ano passado, ganhou 19 milhões de euros. O Liverpool, vencedor da Champions europeia, encheu os cofres com 109 milhões!

Aqui entra também o poderio financeiro das organizações que tutelam o futebol nos dois continentes, assim como a própria economia do país. A UEFA tem receitas muito superiores à CONMEBOL, graças aos contratos televisivos e de patrocínio de centenas de milhões de euros. Assim se explica, por exemplo, os prémios pagos pela entidade aos clubes só pelo simples facto de estarem presentes na Champions. Esta época, o Benfica, único representante português na fase de grupos da Liga dos Campeões, recebeu 43 milhões só como prémio de participação na competição.

O orçamento projetado pelo Flamengo para 2020 atingem os 149 milhões de euros. Para tal, nas previsões, o clube carioca traçou algumas metas, como chegar às meias-finais da Libertadores, o que em prémios pagos pela CONMEBOL, acrescidos de receitas televisivas e de patrocinadores permitirá arrecadar cerca de 50 milhões de euros.

O clube destinou ainda uma verba considerável na venda de atletas, e grande parte já foi cumprida com a venda de Reinier para o Real Madrid por 30 milhões de euros. Foram ainda negociados os passes de Pablo Marí para o Arsenal e de Matheus Sávio para o Kashiwa Reysol, do Japão.

O Flamengo destinou ainda verbas para contratações, e neste particular bateu nesta temporada o recorde de dinheiro gasto na aquisição de um jogador - o clube pagou cerca de 18 milhões de euros ao Inter de Milão pela compra a título definitivo do passe de Gabriel Barbosa. Gabigol é, contudo, um caso à parte na realidade do clube carioca, um dos poucos jogadores que tem um salário equiparado ao que se pratica na Europa - aufere quatro milhões de euros/ano. De acordo com a imprensa brasileira, a folha salarial mensal do Flamengo é de três milhões de euros.

Há também uma perspetiva económica a nível global na disparidade de verbas pagas em prémios num e noutro continente. De acordo com o relatório Perspetiva Económica Mundial, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2019, o Brasil surgia como a nona economia mais rica do mundo, atrás de países europeus como a Alemanha (quarta da lista), o Reino Unido (sexto), a França (sétima) e a Itália (oitava).

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