Ténis, futebol, natação, capoeira, patinagem... Mafalda escolheu o surf

A surfista lisboeta está a cumprir a sua primeira Liga Meo na íntegra e depois de ter alcançado a final no Porto, vai tentar subir novamente ao pódio no Allianz Sintra Pro, este fim de semana

Mafalda Lopes deu nas vistas na Liga Meo há dois anos, quando, então wildcard de apenas 15 anos, subiu a pulso até à final da etapa de Cascais, perdendo apenas frente à categorizada e mais experiente Camilla Kemp. Este ano, esta promissora surfista que divide o seu tempo entre o surf e a escola (passou para o 12º ano), corre a Liga Meo na íntegra pela primeira vez, e já conseguiu a segunda final da sua curta carreira, no Porto, perdendo apenas para Teresa Bonvalot, bicampeã nacional e apontada como a mais forte candidata a primeira portuguesa no World Tour feminino.

Um curto mas valioso currículo ao qual a jovem lisboeta de 17 anos ainda junta um título europeu de juniores em Marrocos e um terceiro lugar individual no Europeu (Eurosurf) que Portugal venceu coletivamente na Noruega, o ano passado.

Mas, afinal, quem é Mafalda Lopes e o que faz dela uma das jovens surfistas nacionais com maior potencial? "Acho que sou apenas uma adolescente normal, que gosta de ir ao cinema, estar com os amigos, fazer desporto, o habitual na minha idade...só que com menos tempo."

O tempo pode, de facto, ser curto para uma adolescente que tem de esgrimir a complicada vida social desta fase da vida com os estudos e o surf. E desengane-se quem acha que esta modalidade é menos exigente que as tradicionais. A própria Mafalda esclarece, socorrendo-se do seu próprio multifacetado "background" desportivo: "Pratiquei muitos desportos até encontrar o surf. Acho que era uma daquelas miúdas cheias de vida que os pais encorajavam a praticar desporto como escape. Fiz ténis, futebol, natação, capoeira, patinagem...mas quando experimentei o surf, adorei e percebi que aquilo era o que queria acima de tudo. É que nos outros desportos era tudo mais monótono e rotineiro, enquanto no surf, o mar...foi o mar que me 'agarrou'. O mar é sempre diferente e é muito divertido treinar em condições sempre diferentes. As outras modalidades não tinham essa componente."

A entrada no surf foi feita, entretanto, através de uma modalidade aparente e com uma "ajuda" da irmã mais velha, recorda: "Eu e a minha irmã fazíamos skimboard, até que ela decidiu ter aulas de surf e eu fui atrás. Tinha 11 anos e depois de experimentar nunca mais larguei."

Em alguém com um passado desportivo tão rico, a competição de surf surgiu naturalmente. Primeiro os regionais na Caparica (onde começou a treinar e onde ainda hoje faz a maior parte do seu aprendizado), depois os Nacionais de Esperanças, onde conquistou os títulos de sub-16 e sub-18, até à Liga Meo e à seleção nacional. Uma evolução fulgurante a que vai faltando uma vitória na Liga. O que faz falta para lá chegar, então? "Mais experiência e mais treino. Por causa da escola, durante a semana faço três treinos e ainda uma sessão de preparação física, mas vou aproveitar o verão para intensificar o trabalho. Mas as minhas adversárias na Liga, no que toca às finais, têm sempre mais experiência e mais surf. Mas estou a trabalhar para lá chegar."

Para ajudar a definir a personalidade de Mafalda Lopes, é interessante saber quem são as suas referências na modalidade: "A nível nacional, sem dúvida o Kikas [Frederico Morais]; internacionalmente, a Stephanie Gilmore [seis vezes campeã mundial]. Mas acho que a minha grande referência nos homens é o Ítalo Ferreira. Ele está no World Tour mas não teve um caminho nada fácil para lá chegar, teve de lutar muito. E isso, para mim, é a maior inspiração."

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