Dragão dominado pela ansiedade perde hipótese de fugir ao rival

O FC Porto esteve em vantagem graças a um golo de Mbemba, mas o Rio Ave conseguiu o empate 1-1 graças a um golo de Taremi. Aliás, os vila-condenses perderam uma boa ocasião de levar os três pontos para casa. Na frente, portistas e Benfica continuam separados por um ponto.

E ficou tudo na mesma. O FC Porto desperdiçou este sábado a oportunidade de se alcançar uma confortável vantagem de três pontos para o Benfica, mas não conseguiu melhor que o empate 1-1, em pleno Estádio do Dragão, com o Rio Ave, em jogo da 24.ª jornada da I Liga.

Um resultado que acaba até por ser lisonjeiro para a equipa de Sérgio Conceição, que na segunda parte foi dominada por uma ansiedade tão grande que os vila-condenses acabaram por dispor de duas grandes oportunidades nos últimos 20 minutos.

O Rio Ave apresentou-se com uma estrutura algo diferente do habitual, com cinco defesas, mas que procurava desdobrar-se rapidamente para o ataque com um futebol apoiado, não se remetendo nunca a uma defesa compacta.

Por sua vez, Sérgio Conceição apresentou como grande novidade o japonês Nakajima, num 4x2x3x1, em que, Marega surgia na esquerda e Otávio sobre a meia direita.

E o que se pode dizer é que o empate cedido pelo Benfica, minutos antes, no Bonfim, deu uma injeção extra de motivação aos jogadores do FC Porto, que entraram em campo a utilizar rápidas trocas de bola e uma pressão muito grande sobre o portador da bola. O objetivo era claro: marcar cedo e garantir desde logo a tranquilidade necessária que pudesse levar a equipa à vitória.

Mbemba incendeia Dragão e Taremi apaga o fogo

A verdade é que Sérgio Oliveira esteve muito perto de abrir o marcador num cabeceamento poderoso que Kieszek foi ao chão defender. Estava dado o mote para aquilo que seriam os primeiros minutos: o FC Porto a atacar, a rodar a bola de um flanco ao outro à procura de espaços e os vila-condenses a defenderem a sua baliza com unhas e dentes.

Sucediam-se os pontapés de canto - um dos pontos fortes dos portistas - e num deles, aos 18 minutos, eis que surge o golo de Mbemba, que marcou o seu primeiro golo na I Liga, com um remate dentro da área, após um passe de Nakajima, que apareceu solto ao segundo poste.

E quando se pensava que era apenas o início de uma exibição sólida do FC Porto, que mais golos iriam surgir, eis que aos poucos o jogo mudou. O Rio Ave começou a assentar o seu jogo, os seus jogadores passaram a trocar a bola e começaram a conseguir sair para o ataque. E num lance bem gizado pela direita, Diogo Figueiras fez um passe para Mehdi Taremi que, depois de tirar Marcano do lance, rematou para o empate.

O Estádio do Dragão ficava em silêncio e mais ficou quando dois minutos volvidos, Nuno Santos rematou potente de muito longe, obrigando Marchesín a uma defesa difícil para canto. O que se passava com os dragões? A verdade é que a forma como os vila-condenses trocavam a bola e assim faziam com que os portistas chegassem mais tarde à bola e, consequentemente, abriam espaços para o Rio Ave aproveitar.

O início da segunda parte mostrou que o FC Porto continuava com os níveis de ansiedade elevados, a prova disso foram os remates de Sérgio Oliveira e Otávio de muito longe e para fora. Era o resultado da boa organização defensiva do Rio Ave.

Festa anulada por três centímetros

Os portistas bem rodavam a bola, procuravam espaços para entrar na área, mas invariavelmente recorriam ao cruzamento, onde Aderllan Santos e Keiszek estiveram a grande nível. Aliás, só aos 62 minutos deixaram Soares solto, mas o cabeceamento do brasileiro foi por cima da baliza.

A cada saída dos vila-condenses para o contra-ataque, os adeptos portistas tremiam e aos 72 minutos, Nuno Santos correu por ali fora, passou por Corona e cruzou para Taremi, que só não fez o segundo golo porque a bola saiu ligeiramente por cima da barra.

O FC Porto já jogava mais com o coração e foi assim que acabou por conseguir um golo, com Kieszek a defender os remates de Sérgio Oliveira e Soares, sobrando depois a bola para Marega que falhou o remate, mas a bola dirigiu-se para a baliza tocada por Aderllan Santos. O Dragão entrou em festa, mas após seis minutos de análise por parte do VAR, chegou-se à conclusão que Soares foi apanhado em posição de fora-de-jogo por... três centímetros.

O jogo estava na reta final e esse lance "matou" por completo o ânimo da equipa de Sérgio Conceição, que em tempo extra viu Marchesín negar o golo a Gelson Dala e Marcano fazer o mesmo a Carlos Mané, jogadores lançados por Carlos Carvalhal para tentar ganhar o jogo nos minutos finais.

Numa noite que tinha tudo para ser de festa no Dragão, pois uma vitória cavava um fosso de três pontos para o rival Benfica, o Rio Ave mostrou que esta Liga vai continuar a ser disputada até ao final e que nenhuma equipa pode dar nada por adquirido. Faltam dez jornadas e, a avaliar por este sábado, emoção não vai faltar.

A Figura - Aderllan Santos

O central brasileiro de 30 anos foi um gigante na defesa do Rio Ave. Jogou no eixo da defesa a cinco montada por Carlos Carvalhal e foi o patrão da equipa, mantendo-a sempre organizada no processo defensivo. No jogo pelo ar, um dos pontos fortes do FC Porto, esteve insuperável e aí esteve o segredo do ponto conquistado pelos vila-condenses.

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FICHA DO JOGO

Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)

FC Porto - Marchesín; Jesús Corona, Mbemba, Marcano, Alex Telles; Danilo Pereira (Fábio Silva, 88'), Otávio, Sérgio Oliveira, Nakajima (Romário Baró, 62'); Soares (Aboubakar, 81'), Marega
Treinador: Sérgio Conceição

Rio Ave - Kieszek; Borevkovic, Aderllan Santos, Nélson Monte; Diogo Figueiras (Júnio Rocha, 90'+2), Al Musrati, Tarantini, Pedro Amaral; Nuno Santos, Mehdi Taremi (Gelson Dala, 88'), Lucas Piazon (Carlos Mané, 88')
Treinador: Carlos Carvalhal

Cartão amarelo a Diogo Figueiras (29'), Alex Telles (34'), Borevkovic (59'), Aderllan Santos (87'), Pedro Amaral (90')

Golos: 1-0, Mbemba (18'); 1-1, Mehdi Taremi (33')

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