FC Porto empata com o Schalke num estádio onde já foi feliz

Os golos só surgiram na segunda parte. Os alemães marcaram primeiro, mas Otávio reduziu de penálti, depois de Alex Telles ter falhado um castigo máximo no primeiro tempo

Gelsenkirschen, maio de 2004. O FC Porto de Mourinho vence o Mónaco e conquista pela segunda vez a Champions. 14 anos depois, os dragões voltaram ao mesmo estádio onde tinham sido felizes, mas não foram além de um empate com o Schalke, na primeira jornada do Grupo D da Liga dos Campeões. Um resultado, apesar de tudo, positivo.

Sérgio Conceição terá certamente apelado aos jogadores antes da partida frente aos alemães para o significado daquele palco que iriam pisar. E, diga-se, o FC Porto podia ter sido mais feliz. Logo à partida porque Alex Telles falhou um penálti ainda na primeira parte, que se tivesse sido convertido, poderia ter mudado a história do jogo que permitiu a Casillas bater mais um recorde - tornou-se no futebolista com mais presenças consecutivas em fases de grupos da Champions. Já são 20!!

Comecemos então pelo minuto 13. Naldo colocou a mão na bola na área dos alemães e o árbitro assinalou penálti. Chamado a marcar, Alex Telles permitiu a defesa de Fahrmann (conhecido por ser um especialista neste tipo de lances). Há quatro anos que os dragões não desperdiçavam um castigo máximo na Champions, o último tinha sido Jackson Martínez (esse mesmo, hoje jogador do Portimonense), num jogo com o Ath. Bilbau.

Danilo recuperou a titularidade no meio-campo e Otávio foi titular. O sacrificado foi Sérgio Oliveira, que começou o jogo no banco de suplentes. Tirando o lance do penálti, foi uma primeira parte aborrecida, praticamente sem oportunidades de golo nas duas balizas e muito faltoso (sete cometidas pelos alemães, quatro pelos jogadores portistas), com o FC Porto a entrar algo nervoso, como admitiu Danilo no final.

Ficou a desde logo a ideia de que este FC Porto era superior ao adversário, que jogou com três centrais, uma equipa sem grandes artistas que fazia sempre apelo ao músculo e à solidariedade dos seus jogadores para tentar contrariar a mais-valia dos dragões. Mas com Marega mais descaído para o lado direito, Aboubakar foi quase sempre uma presa fácil para os gigantes defesas do Schalke. Depois, faltou o habitual perfume de Brahimi e Herrera viu-se pouco nas ações ofensivas. Sobressaíam assim os centrais, Felipe e Militão, imperiais a limpar a sua área.

O FC Porto entrou na segunda parte disposto a mudar o figurino do jogo. E aos 47', no seguimento de um livre estudado, Felipe quase marcou com o peito, valendo a intervenção com o pé do guarda-redes alemão. Este golo seria a cereja no topo do bolo para uma grande exibição do central portista.

As oportunidades sucederam-se na baliza dos germânicos, mas foi o Schalke quem se adiantou. Aos 64 minutos, Embolo abriu o marcador num lance que começou... num canto do FC Porto. Os jogadores alemães partiram para um rápido contra-ataque, Serdar ganhou uma bola a Danilo no meio-campo, serviu McKennie que abriu em Embolo para o golo. O erro portista saiu caro.

O FC Porto, contudo, acabou por ser feliz, quando aos 75' o árbitro assinalou nova grande penalidade a favor dos dragões, num lance em que Marega caiu na área depois de 'apertado' por Naldo e Sané. Estava feito o empate, um resultado sempre positivo na Liga dos Campeões tratando-se de um jogo fora. Até ao final, Otávio dispôs de uma boa oportunidade para voltar a bater Fahrmann. E Felipe salvou com um corte providencial aquele que seria o segundo golo do Schalke. O resultado manteve-se.

No outro jogo do Grupo D, o Galatasaray venceu o Lokomotiv de Moscovo (Manuel Fernandes foi titular e Éder entrou), por 3-0, com golos de Rodrigues, Derdiyok e Inan, e é líder do grupo.

A FIGURA: Felipe

O central do FC Porto já nos habituou a grandes exibições, mas na Champions o grau de dificuldade é outro e sobretudo quando do outro lado estão jogadores fortes fisicamente e altos. Felipe esteve impecável e deu-se às mil-maravilhas com o parceiro Militão. Ganhou duelos no ar, foi decisivo nos alívios, fundamental no último lance do jogo e esteve muito perto de marcar logo no início da segunda parte, quando de peito quase fez entrar a bola na baliza do Schalke.

FICHA DO JOGO

Schalke 04: Fahrmann, Sané, Naldo, Nastasic, Caligiuri, McKennie, Serdar (Harit, 84'), Bentaleb, Schöpf, Uth (Konoplyanka, 66') e Embolo (Burgstaller, 72').

Treinador: Domenico Tedesco.

FC Porto: Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Éder Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Otávio (Hernâni, 90'), Brahimi (Sérgio Oliveira, 82'), Marega e Aboubakar (Corona, 60').

Treinador: Sérgio Conceição

Marcadores: Embolo (64') e Otávio (75' gp).

Árbitro: Jesus Mantano, Espanha

Ação disciplinar: cartão amarelo a Embolo (27'), Uth (53'), Corona (78') e Herrera (86').

Arena Auf Schalke, em Gelsenkirchen

Assistência: cerca de 45.000 espectadores

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