Campeões do mundo e da Europa sem arte para o golo

França e Portugal empataram 0-0 na reedição da final do Euro 2016, agora a contar para a Liga das Nações. A seleção nacional sai do Stade de France com a liderança do grupo 3, com os mesmos pontos dos gauleses.

Na reedição da final do Euro 2016, o Stade de France voltou a ser palco de um 0-0 entre França e Portugal nos 90 minutos, mas desta vez, como não havia uma taça para decidir, não houve prolongamento.

Há quatro anos valeu o golo de Eder aos 109 minutos para a equipa das quinas garantir o primeiro título internacional, neste domingo Cristiano Ronaldo viu Hugo Lloris negar-lhe o golo nos instantes finais da partida a contar para a 3.ª jornada do grupo 3 da Liga das Nações.

A equipa de Fernando Santos regressa a Lisboa com um ponto que lhe permite manter a liderança do grupo, embora com os mesmos pontos dos franceses. Mas a ideia que ficou deste jogo é que a seleção nacional foi bastante pragmática na forma como conseguiu controlar o jogo, anulando a criação de jogo ofensivo da França que apenas se viu no início da segunda parte, altura em que Mbappé conseguiu pela única vez arranjar espaço para acelerar e aplicar o seu remate. Valeu nesse momento Rui Patrício a manter a baliza inviolada.

Esse foi, aliás, o primeiro grande momento de uma partida que opôs o campeão do mundo ao campeão da Europa. Isto porque em toda a primeira parte houve apenas um remate enquadrado com a baliza, por Griezmann, embora Portugal tenha rondado com mais perigo área gaulesa.

A equipa portuguesa controlava o jogo na totalidade, com marcações muito contundentes na zona do meio-campo apoiadas por uma grande pressão na recuperação da bola. Quando tinha a posse de bola, os jogadores franceses não conseguiam encontrar Griezmann para ligar o jogo com os atacantes, uma vez que Giroud ficava muito sozinho entre os centrais portugueses e Mbappé ficava sem espaço, muito encostado ao lado esquerdo.

Portugal ia aproveitando as boas jogadas de entendimento entre Nélson Semedo e Bernardo Silva para incomodar a defesa contrária, bem como as trocas posicionais entre Ronaldo e João Félix, que eram uma dor de cabeça para os adversários.

Lloris evita golos de Sanches e Ronaldo

A França entrou melhor no segundo tempo, mas àquela grande oportunidade de Mbappé quase respondia Ronaldo, mas não conseguiu desviar da melhor forma um cruzamento de Raphaël Guerreiro.

Aos poucos os gauleses foram perdendo gás e o jogo voltou à toada do primeiro tempo, com Portugal a dominar, com a seleção francesa a procurar os passes em profundidade para as costas da defesa portuguesa, cujo quarteto esteve em grande plano, mesmo num período em que William Carvalho e Danilo Pereira já davam sinais de desgaste e eram ultrapassados na zona de meio-campo.

As grandes emoções voltaram no tempo extra, com Portugal a testar a atenção de Hugo Lloris, primeiro com um remate venenoso de Renato Sanches e logo a seguir com Trincão a servir Ronaldo para um remate que o guarda-redes francês desviou com a mão.

Na partida em que Fernando Santos se tornou o selecionador com mais jogos (75), deixando para trás Luiz Felipe Scolari, a equipa das quinas registou dois empates consecutivos sem golos, algo que nunca tinha acontecido desde que chegou ao comando técnico, em 2014.

Agora segue-se a Suécia, em Alvalade, na próxima quarta-feira. Um jogo em que é preciso recuperar a arte de marcar golos para que Portugal continue lançado na defesa do troféu da Liga das Nações conquistado no ano passado.

FICHA DO JOGO

Stade de France, em Saint-Denis, Paris.
Árbitro: Carlos del Cerro Grande (Espanha)

França - Hugo Lloris, Pavard, Varane, Kimpembe, Lucas Hernández, NGolo Kanté, Rabiot, Paul Pogba, Kylian Mbappé (Kingley Coman, 84'), Griezmann, Giroud (Martial, 74')
Selecionador: Didier Deschamps

Portugal - Rui Patrício, Nélson Semedo, Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro (João Cancelo, 89'), Danilo, William Carvalho (João Moutinho, 88'), Bruno Fernandes (Renato Sanches, 80'), Bernardo Silva (Diogo Jota, 61'), João Félix (Trincão, 89'), Cristiano Ronaldo.
Selecionador: Fernando Santos.

Cartão amarelo a Rúben Dias (2')

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