"Regresso do MotoGP a Portugal não está descartado"

Português Jorge Viegas, que é presidente da Federação Internacional de Motociclismo, admite Estoril ou Algarve como alternativa a grandes prémios cancelados.

De vez em quando o assunto do regresso do Campeonato do Mundo de MotoGP a Portugal entra na ordem do dia. Mais agora com a pandemia a atrasar o início do mundial e a cancelar provas. É nesse cenário de incerteza que as pistas portuguesas (Estoril e Algarve) voltam a ser opção. "Ainda não está em cima da mesa, mas não está descartado", disse o presidente da Federação Internacional de Motociclismo, o português Jorge Viegas, à Agência Lusa.

"Estamos a acabar de delinear o novo calendário, que será conhecido nos próximos dias. Terá pelo menos 12 corridas, maioritariamente na Europa. Nesta fase, aguardamos apenas saber se ainda será possível ir à Ásia", revelou Jorge Viegas, explicando que os cancelamentos dos Grandes Prémios da Austrália e da Grã-Bretanha têm, "sobretudo, a ver com questões logísticas, pois a Austrália, por exemplo, tem as fronteiras fechadas e ainda não se sabe quando serão reabertas".

O GP da Grã-Bretanha deveria realizar-se no circuito de Silverstone, de 28 a 30 de agosto, mas foi cancelado. É a primeira vez na história do campeonato mundial de motociclismo, criado em 1949, que não haverá evento em solo britânico. A temporada de MotoGP deveria estava prevista começar a 15 de março, no Qata.

Com cinco das 15 provas previstas inicialmente no calendário de 2020 do Mundial de MotoGP canceladas, Portugal, que estava como país de reserva para acolher um evento em caso de necessidade, volta a estar na ordem do dia. No entanto, Jorge Viegas admite que se houver mais cancelamentos - além de algumas rondas asiáticas, também o GP das Américas (EUA) dificilmente será realizado este ano - Portugal entra na luta. "Tanto o Autódromo Internacional do Algarve (AIA), como o Autódromo do Estoril receberam inspeções que detetaram a necessidade de realizar obras devido a questões de segurança que têm de ser resolvidas", explicou.

Em causa estão as distâncias de escapatórias ou dos rails de segurança, que têm de ser revistas, para além do piso do autódromo algarvio. "Antes da pandemia, as obras estavam previstas para mais tarde. No caso de ser necessário recorrer a estes circuitos, terão de ser feitas de urgência", frisou, lembrando que, no caso de Portimão, a situação será "mais fácil de resolver", até porque o AIA "já tem homologação para o Mundial de Superbikes", que está previsto para o verão.

O calendário final está dependente da resposta do governo espanhol quanto à realização de duas corridas na Andaluzia, no circuito de Jerez de la Frontera, em dois fins de semana seguidos, em 19 e em 26 de julho. No entanto, a acontecerem, serão "à porta fechada", sem adeptos, e com muitas restrições.

"Só deveremos ter mil pessoas no paddock em vez de três mil. Jornalistas só deverão estar os das televisões. E no fim de semana seguinte seria a prova de Superbikes, para permitir manter toda a gente no mesmo local três semanas, pois os comissários viajam de vários países", explicou ainda Jorge Viegas.

A ideia é fazer um campeonato com pelo menos com 12 provas: "Sendo maioritariamente na Europa, evita-se a necessidade de viajar de avião, o que facilita a logística. Mas não queremos um campeonato de apenas duas ou três provas."

A última vez que o Mundial de MotoGP visitou Portugal foi em 2012, no Estoril

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