Portugal no Mundial B de sub-20 com espírito de combate e para ganhar

Na véspera da partida para o World Trophy que decorrerá em S. José dos Campos, arredores de S. Paulo, ente 9 e 21 deste mês, o selecionador nacional sub-20 tricampeão europeu Luís Pissarra promete uma equipa ainda mais evoluída. E depois de duas presenças consecutivas no pódio, revela a ambição de atingir por fim o triunfo final.

Depois de ser finalista derrotada pelo Japão em 2017 (Montevideu) e 3.º no ano passado em Bucareste, a seleção nacional de sub-20 - tricampeã europeia, convém não esquecer - volta a pisar solo sul-americano, desta vez S. Paulo (Brasil), onde será de novo o representante do continente europeu no World Rugby U20 Trophy, também conhecido por Mundial B e que apura o vencedor para o Mundial A do próximo ano onde militam os principais quinzes deste escalão etário.

Portugal inicia a sua participação na próxima terça-feira defrontando a seleção de Hong Kong (23 horas portuguesas). Segue-se o encontro frente ao Canadá (dia 13, pelas 21 horas) e finaliza a fase de grupos diante de Tonga (dia 17, às 18 horas). Os jogos finais serão todos no domingo, dia 21.

Na véspera da partida - que será amanhã, sexta-feira, de manhã - para S. José dos Campos onde serão realizados todos os jogos, o DN foi ao Jamor assistir a um dos derradeiros treinos da equipa e ouvir o selecionador nacional tricampeão europeu Luís Pissarra, que começou por referir as diferenças na preparação da equipa relativamente aos anos anteriores devido à antecipação de datas do World Trophy.

"Este ano as coisas decorreram de maneira diferente pois a prova realiza-se em julho quando antes era em finais de agosto. Ou seja, contrariamente a 2017 e 2018, junho não foi mês de descanso com os jogadores a recomeçarem os treinos mais repousados e com os exames já feitos" começou por explicar. "Desta feita os atletas não pararam de jogar pois o campeonato e taça só terminaram em meados de maio. Surgiram aqui sem interrupção na competição mas também com mais toques físicos."

Mas essa circunstância foi importante para se construir um forte espírito de grupo. "Sim por que os miúdos tiveram que tomar decisões e avaliar a sua disponibilidade - dos 50 inicialmente convocados houve logo sete desistências por razões académicas. Foram obrigados a organizar a sua vida para conciliar seleção e estudos", refere o técnico, enaltecendo a maturidade dos seus jovens jogadores. "E isso faz com que quem cá está quis muito estar presente e fez tudo para aqui estar. Isto fê-los crescer, ponderar bem o que querem nesta fase da sua vida. E isso reforçou muito a coesão do grupo."

E o facto de quase não ter havido tempo para fazer uma curta paragem influenciou a intensidade dos treinos? "Este ano foi menos duro para os jogadores, pois como praticamente não deixaram de jogar chegaram aqui em melhores condições. No ano passado alguns desleixaram-se durante o período de férias... E isso vai-nos permitir fazer um jogo mais evoluído do que no Europeu deste ano, por exemplo."

Mas tal como em anos anteriores mais uma vez a preparação para estar num Mundial não foi a ideal, sem jogos-treino que testassem os atletas, ao contrário do que fizeram os nossos adversários. "Tentámos defrontar várias equipas nacionais mas dada a época do ano e depois de diversas negas, acabámos por só fazer um jogo com Direito. Foi pena pois jogar apenas entre nós não é suficiente. Os atletas precisam de outros estímulos para darem diferentes respostas, necessitam de sentir mais pressão. Mas paciência, já estamos habituados..." conclui, resignado perante a pobre realidade do râguebi português. Mas faz questão de salientar um capítulo que considera ter sido muito importante na preparação: "Realizámos um estágio de três dias em Mafra graças ao apoio da câmara municipal, com condições duras para os jogadores e que foi muito proveitoso pois houve oportunidade para analisar as suas reações sob pressão e fez o grupo unir-se ainda mais."

Quanto ao objetivo para este World Trophy 2019 o selecionador nacional não é parco em ambição: "Vamos mesmo para ganhar e nem acho que seja um objetivo desmesurado, até por que esta equipa ficou muito forte durante a conquista do Europeu em Coimbra. A principal característica é o seu espírito de combate. É uma equipa guerreira e com um "pack" avançado muito coeso, compacto e sólido nas fases estáticas, o que nos vai permitir fazer o tal jogo mais evoluído. E assim é natural apontarmos para a vitória, com realismo e sem triunfalismos."

E termina analisando os nossos adversários na fase inicial: "Abrimos com Hong-Kong no primeiro jogo da prova que é sempre complicado e frente a uma equipa chata, aguerrida, que não tem nada a perder e muito batida neste Trophy pois é sempre o representante asiático. Segue-se o Canadá a quem ganhámos os últimos três jogos que os defrontámos, mas sempre com resultados equilibrados e como eliminaram os Estados Unidos estão certamente melhores do que quando os batemos nas Caldas da Rainha em fevereiro. E terminamos com Tonga, seleção da qual temos poucas informações, mas eliminaram Samoa e está tudo dito. Têm que ser muito fortes, mas como é o terceiro jogo vai dar tempo para os analisar bem."

Esta seleção sub-20 tem dois jogadores já internacionais A (o capitão José Roque e Rodrigo Marta), apresenta nove novidades em relação à equipa que se sagrou campeã europeia este ano e repete seis atletas que chegaram ao pódio no Trophy 2018 na Roménia.

A lista dos 26 convocados é a seguinte: Francisco Salgado, Manuel Maia, Pedro Lucas, Raffaele Storti, Rodrigo Bento, Simão Bento (Técnico); Frederico Simões, José Madeira, José Santos, Manuel Pinto, Rodrigo Marta (Belenenses); Duarte Conde, Martim Belo, Sebastião Silva (Cascais); João Vieira, Joaquim Félix, Márcio Pinheiro (CDUL); Francisco Afra Rosa, Jerónimo Portela (Direito); José Roque (capitão), André Gouveia (RC Montemor); António Cunha (Académica); David Costa (Bath University); Helano Alberto (Brive); José do Carmo (Agronomia) e Tomás Lamboglia (Caldas)

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