Pepe atribui longevidade no futebol à constante "busca da perfeição"

Defesa central do FC Porto tem 37 anos e contou como se adaptou às exigências da profissão à medida que ia subindo na carreira. Jogar no Marítimo não era a mesma coisa que jogar de dragão ao peito ou ser campeão europeu pelo Real Madrid.

A longevidade da carreira deve-se a uma contínua "busca da perfeição", garante Pepe. Aos 37 anos, o defesa central representa o FC Porto e soma 113 internacionalizações pela seleção portuguesa.

Durante a sessão Liderando de trás da Web Summit 2020, que decorre em formato online, de hoje até sexta-feira, o defesa central do emblema azul e branco, com o qual renovou há um mês por mais duas épocas(até 2023) realçou que sempre teve a vontade de "melhorar" e de ultrapassar "todos os desafios" numa carreira profissional que começou, a nível europeu, em 2001, no Marítimo.

"Fui sempre curioso ao ponto de perguntar aos meus treinadores e aos meus companheiros como poderia evoluir (...). Essa busca da perfeição permite-me estar hoje com 37 anos e renovar com o FC Porto por mais dois anos. Muito desse trabalho que fiz no início da carreira continuo a fazer até hoje", disse o luso-brasileiro.

Para o defesa portista, o futebol era "muito simples" quando jogava pelo conjunto do Funchal, entre 2001 e 2004, e tornou-se mais exigente durante a primeira passagem pelo FC Porto, entre 2004 e 2007, quer pelos objetivos do novo clube, mas também pela introdução das tecnologias de apoio à recuperação dos atletas. "Estávamos naquela transição do que era a tecnologia, do que era recuperar rápido. Vim para o FC Porto e o nível era alto. A minha dedicação ao futebol tinha de ser a máxima. Procurei sempre saber o que poderia melhorar depois de um jogo, até para saber como recuperar para o jogo seguinte", realçou Pepe, que, nesse período, venceu duas edições da I Liga portuguesa, uma Taça de Portugal e duas Supertaças.

No Real Madrid, emblema que representou entre 2007 e 2017 e no qual conquistou a I Liga espanhola por três vezes, a Taça do Rei por duas e a Liga dos Campeões por três (2013-14, 2015-16 e 2016-17, Pepe disse ter encontrado um "outro mundo" a nível de exigência, onde não "podia falhar" e onde adquiriu a rotina de banhos de água fria para recuperar o corpo, tal como o colega de equipa Cristiano Ronaldo.

"Eu e o Cristiano Ronaldo chegávamos às 2.00 e fazíamos água fria para recuperarmos para o jogo seguinte. Tínhamos essa rotina. Hoje já não é tanto a água fria, mas as máquinas de frio que ajudam à nossa recuperação. Se antigamente o preparador físico era o mau da fita, porque nos punha em corridas contínuas, hoje já é o maior aliado para estarmos bem no jogo", revelou o central.

Convicto de que teve a "sorte" de trabalhar com "pessoas inovadoras" ao longo da carreira, Pepe acrescentou que o futebol é hoje muito mais do que os 90 minutos do jogo, considerando "importante" o "trabalho de recuperação e de prevenção no ginásio".

Ser capitão é desafiante e um orgulho, mas tem um lado difícil: motivar quem fica de fora

O defesa regressou ao FC Porto em janeiro de 2019, após passagem pelos turcos do Besiktas, e tornou-se capitão de equipa, estatuto em que o "grande desafio" é o de assegurar que os companheiros "comprem a ideia do que é o clube e a mentalidade do treinador", formando um grupo "unido", com "fome de ganhar"

"É difícil manter motivados aqueles que ficam de fora. Tento passar aos meus companheiros a importância de se trabalhar e de se ter rigor e paixão em cada exercício que fazemos", disse o atleta que, na época passada, conquistou a I Liga e a Taça de Portugal pelos dragões.

O defesa assumiu concordar com o estilo de liderança "muito duro" do treinador Sérgio Conceição, frisando que as videoconferências durante o confinamento provocado pela pandemia de covid-19, nas quais todos os atletas davam opiniões sobre as partidas já realizadas, ajudaram o plantel a "ter mais companheirismo" na fase final, em que o FC Porto ultrapassou o Benfica no topo.

Vencedor do Europeu de 2016 e da Liga das Nações de 2019, Pepe disse ainda que "custa digerir" a eliminação da próxima fase final da Liga das Nações, mas lembrou que Portugal é hoje "uma seleção de referência", pronta para tentar revalidar o título europeu em 2021, mesmo reconhecendo que "vai ser muito difícil".

A Web Summit, considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, realiza-se este ano totalmente online com "um público estimado de 100 mil" pessoas, depois de se ter começado a realizar em Lisboa, em 2016.

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