Penáltis permitem final de leão após entrada de sendeiro

Sporting vai defender a Taça da Liga na final frente ao FC Porto, que se realiza no sábado, depois de ter conseguido salvar uma má entrada na meia-final com o Sp. Braga.

Foram precisos 14 penáltis para desatar o nó de uma meia-final intensa, equilibrada, nem sempre bem jogada - com as inevitáveis polémicas e VAR à mistura - e permitir ao Sporting avançar para o jogo decisivo da Taça da Liga, onde no próximo sábado defende o troféu frente ao FC Porto.

Acabou por ser um final feliz para o leão após uma entrada de sendeiro da equipa de Marcel Keizer, que passou grande parte do jogo em dificuldades para impor o seu plano de jogo frente a um Sp. Braga que tentava validar aqui a primeira final do projeto de grandeza idealizado por Abel Ferreira. Ainda não foi desta. Nos penáltis, Renan defendeu mais um remate do que Marafona e só aí se fez a diferença.

O Sporting salvou-se assim de uma entrada completamente em falso na partida. Ainda nem três minutos de jogo tinham decorrido e a equipa leonina já se via a perder frente a um Sp. Braga que entrou de prego a fundo e forçou erros defensivos que vão sendo recorrentes neste leão.

A novidade de Luiz Phellype em detrimento de Bas Dost na frente de ataque do Sporting fazia prever uma maior aposta de Marcel Keizer na profundidade do futebol leonino, reforçada também com a inclusão de Raphinha em vez de Diaby. Um ataque de características mais velozes, a denunciar um plano de intenções para o ataque a um Sp. Braga capaz de disputar a posse de bola com qualquer equipa do futebol português.

Mas o plano rapidamente se tornou ultrapassado pelos acontecimentos. Que é como quem diz: uma entrada agressiva do Sp. Braga, pressão no meio-campo leonino, bola nos pés de João Novais sobre a esquerda e um cruzamento com precisão para o segundo poste, onde Dyego Souza apareceu nas costas de Mathieu a cabecear para o golo. Aos três minutos.

Praticante assumido da rotatividade, Abel Ferreira mudou seis jogadores no onze inicial do Sp. Braga em relação ao último jogo do campeonato, frente ao Nacional, onde tinha arriscado dar descanso a alguns jogadores importantes. Goiano, Bruno Viana, Sequeira, Claudemir e Wilson Eduardo voltaram às opções do técnico bracarense, que, como habitualmente nas Taças, deu a baliza a Marafona.

E o Sp. Braga entrou cheio de vontade de se assumir perante o Sporting, em busca da final no seu estádio. A defender mal, com dificuldades para travar as movimentações do meio-campo bracarense, a equipa de Marcel Keizer abanou bastante nessa entrada em jogo. Depois do golo, ainda viu Renan negar um segundo a Wilson Eduardo, que voltou a aparecer solto nas costas da defesa, e demorou uns bons 20 minutos a reagir.

Nesta altura, de resto, parece já uma saudosa memória distante aquele leão voraz e dinâmico dos primeiros tempos de Keizer em Alvalade. Em Braga, voltou a sobressair uma dificuldade na criação de jogo que não encontrou ainda plano B convincente face à preparação dos adversários.

A pressão forte dos minhotos sobre a primeira fase de construção leonina deixava o Sporting sem tempo nem espaço para sair a jogar com bola no pé, obrigando-o muitas vezes a recorrer ao passe longo. Quando começou a privilegiar as faixas laterais para sair a jogar, esticando o jogo e procurando fazer o Sp. Braga dispersar a intensidade da pressão, o Sporting começou então a crescer, aos poucos. E o jogo descaiu então para a área contrária.

Raphinha deu o primeiro sinal, aos 21", numa boa jogada individual da direita para o centro que terminou com um remate cruzado a que Marafona se opôs com dificuldade. E o mesmo Raphinha teve depois nos pés uma bela oportunidade, aos 37", quando apareceu isolado por um passe longo de Nani, mas tirou mal as medidas ao chapéu que tentou fazer ao guardião bracarense.

Em crescendo, o Sporting conseguiu empatar antes do intervalo, por Coates, que nesta época ainda quase não tinha feito sentir a sua presença nas áreas contrárias mas subiu mais alto do que toda a gente para cabecear um canto apontado por Acuña.

Pensar-se-ia que o empate poderia tranquilizar o plano de jogo do Sporting, que entrou para a segunda metade com André Pinto no lugar de Mathieu, mas os leões voltaram a repetir a má entrada em jogo e a cometer os mesmos erros defensivos. Desta vez, nem dois minutos demorou o Sp. Braga a voltar a marcar na baliza de Renan, com Wilson Eduardo a ganhar espaço na linha de fundo, sobre a direita, e a cruzar para João Novais aparecer de cabeça na pequena área. Valeu ao Sporting a intervenção do videoárbitro, que descortinou falta de Dyego Souza sobre Acuña no início do lance.

A partir daí, a segunda parte discorreu num equilíbrio de forças relativo, sem oportunidades cantadas de golo, mas foi havendo sempre um pouco mais de Sp. Braga. Ou, sobretudo, um Sp. Braga mais incisivo, perante um futebol mais pausado do Sporting.

Com dificuldades na criação, sem ligação eficaz ao ataque, e numa noite particularmente desinspirada de Bruno Fernandes, bem vigiado, o fio de jogo dos leões ficava curto. Bas Dost entrou para o lugar do infeliz Luiz Phellype, para tentar reforçar a ameaça de área, e o holandês ainda causou um arrepio a Marafona, numa tentativa de desvio na área. Mas foi do bracarense Raul Silva, com um cabeceamento à barra, a melhor oportunidade da segunda parte.

Sem ninguém que desatasse o nó, a decisão fez-se por grandes penalidades. Foram precisas 14, até Renan agarrar o lugar na final para os leões.

A FIGURA: RENAN

Num jogo com poucas exibições inspiradas de parte a parte, é justo destacar quem foi verdadeiramente decisivo para o desfecho. O guarda-redes do Sporting, que durante os 90 minutos também já tinha feito um punhado de valiosas intervenções (como num livre de João Novais ou numa saída aos pés de Wilson Eduardo), defendeu três dos sete penáltis tentados pelos jogadores do Sp. Braga e viu o poste ajudá-lo noutro. Numa competição sem prolongamento, é ainda mais importante estar bem preparado para a eventualidade dos penáltis. Renan foi o mais bem preparado de todos.

FICHA DO JOGO

Jogo realizado no Estádio Municipal de Braga.

Sp. Braga-Sporting, 1-1 (3-4 após g.p.)

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores: 1-0, Dyego Sousa, 3'; 1-1, Coates, 37'.

Sporting de Braga: Marafona, Marcelo Goiano, Bruno Viana, Raul Silva, Sequeira (Murilo, 72'), Claudemir, João Novais (Ricardo Horta, 84'), Ryller, Esgaio, Wilson Eduardo (Paulinho, 63') e Dyego Sousa.

Treinador: Abel Ferreira.

Sporting: Renan, Ristovski, Coates, Mathieu (André Pinto, 46'), Acuña (Jefferson, 81'), Gudelj, Wendel, Bruno Fernandes, Nani, Raphinha, Luiz Phellype (Bas Dost, 69').

Treinador: Marcel Keizer.

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Raul Silva (48'), Bruno Fernandes (46'), Esgaio (51') Gudelj (60') e Marcelo Goiano (60').

Assistência: 10.087 espectadores.

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