Messi anuncia que fica no Barcelona, mas arrasa o presidente

O jogador deu uma entrevista ao portal goal.com onde acabou com a novela que durava há dez dias. A estrela argentina diz que viveu uma época difícil e revela que o presidente do Barça sabia da sua vontade de sair e "não cumpriu a palavra".

Ponto final na novela. Messi vai, afinal, ficar no Barcelona. A decisão foi comunicada esta sexta-feira pelo próprio jogador argentino numa entrevista ao portal goal.com, no qual assumiu que irá cumprir o contrato que termina em junho de 2021, mas não poupou críticas ao presidente Josep Maria Bartomeu, que acusa de não ter cumprido a palavra.

"Nunca iria a tribunal contra o clube da minha vida. É por isso que vou ficar no Barcelona", revelou Messi na entrevista concedida em sua casa, em Castelldefels, Barcelona, dez dias depois de ter comunicado a vontade de deixar o clube.

Messi admite que a goleada de 8-2, em Lisboa, frente ao Bayern Munique para a Liga dos Campeões "foi muito difícil". "Demos uma imagem péssima do clube. Estava mal e não tinha vontade de nada", começou por dizer: "Disse ao clube, especialmente ao presidente que queria ir embora. Tenho dito isso durante todo o ano. Acreditava que era o momento de ir e que o clube precisava de gente jovem. Pensava que tinha terminado a minha etapa no clube e isso era muito doloroso porque sempre disse que queria acabar a carreira aqui", explicou.

"Foi um ano muito complicado, sofri muito nos treinos, nos jogos e no balneário. Tudo se tornou muito difícil para mim e cheguei a um momento em que pensei procurar novos desafios, novos ares. A decisão que tomei não foi por causa do resultado com o Bayern, já vinha a pensar nisso há muito tempo. Fui falando com o presidente e ele dizia-me que no fim da época eu decidiria se queria ir ou ficar, mas no final ele não cumpriu a palavra", revelou.

Messi garantiu que em todo este processo, que causou muita polémica, nunca se sentiu sozinho. "Sozinho, não. Senti-me magoado por coisas que foram ditas por algumas pessoas, que puseram em dúvida o meu barcelonismo. Disseram coisas que, creio, eu não merecia. Serviu para ver quem é quem. No mundo do futebol há gente muito falsa", frisou, deixando uma garantia: "Quer vá embora, quer fique, o meu amor pelo Barça não vai mudar nunca."

"Há muito tempo que não existe projeto no Barça"

E Messi aproveitou para recordar que "sempre" colocou o clube "antes de tudo". "Tive a oportunidade de deixar o Barcelona muitas vezes. Dinheiro? Todos os anos tive a oportunidade de ir e ganhar muito mais dinheiro do que ganho aqui, mas sempre disse que esta era a minha casa e era isso que sentia e sinto", frisou, apesar de agora sentir que "precisava de uma mudança e novos objetivos, coisas novas".

Lionel Messi apontou depois o dedo aos dirigentes do clube por se ter chegado a uma situação como esta. "Sempre disse que queria um projeto ganhador, conquistar títulos com o clube para continuar a lenda do Barcelona ao nível dos títulos. Mas a verdade é que há muito tempo não existe projeto, não há nada. Vão fazendo malabarismos e vão tapando buracos à medida que o tempo vai passando. Como disse antes, sempre pensei no bem-estar da minha família e do clube", atirou, numa clara crítica ao presidente Josep Maria Bartomeu e à sua junta diretiva.

O jogador revela ainda nesta entrevista que quando comunicou à família que queria deixar o Barça, a reação foi bastante má. "Foi um drama bárbaro. Toda a família a chorar, os meus filhos não queriam sair de Barcelona, ​​nem queriam mudar de escola", revelou.

"Neste último ano não encontrei a felicidade no clube"

Na sua cabeça estava afinal tudo muito claro nessa altura. "Tínhamos a certeza de que ficava livre, o presidente sempre me disse que no final da temporada eu poderia decidir se ficava ou não. E agora dizem que eu não comuniquei antes de 10 de junho, quando nessa data ainda estávamos a lutar pela Liga por causa deste vírus de merda que obrigou a mudar o calendário", sublinhou, não escondendo a sua revolta pela situação que foi criada.

"É este o motivo pelo qual vou continuar no clube... Vou continuar no clube porque o presidente me disse que a única forma de sair era pagando a cláusula dos 700 milhões, mas isso é impossível, e a alternativa era ir a julgamento", disse, deixando uma certeza: "Nunca iria a julgamento contra o Barça porque é o clube que amo, que me deu tudo desde que cheguei, é o clube da minha vida, fiz a minha vida aqui. O Barça deu-me tudo e eu também dei tudo, jamais me passou pela cabeça ir para tribunal."

"Repito, queria ir embora e tinha esse direito, porque o contrato dizia que eu poderia ficar livre. E não era, 'vou-me embora e pronto'. Custava-me muito, mas queria ir porque pensei em viver feliz nos meus últimos anos de futebol. Afinal, neste último ano não encontrei a felicidade no clube", acrescentou.

A polémica do burofax e a falta de "bola" do presidente

Uma coisa é certa, apesar de ter visto negada a saída do Barcelona, Messi garante que a sua atitude "não vai mudar". "Darei o meu melhor. Quero ganhar, sou competitivo e não gosto de perder. Temos um novo treinador e uma nova ideia e isso é bom, mas depois temos de ver como a equipa responde e se ela nos dará condições de competir", sublinhou.

Questionado sobre o facto de ter enviado o documento por burofax, que lhe valeram algumas críticas em relação à forma de terminar uma ligação de 20 anos, Messi deixou claro que a forma como o fez era apenas "para tornar oficial" a sua vontade. "Durante todo o ano disse ao presidente que queria ir embora. E ele dizia-me "vamos conversar, que não, que isto e aquilo' e nada acontecia. O presidente não dava bola àquilo que eu dizia. O burofax era apenas para tornar oficial que queria ir embora e que que ficava livre do ano de opção. Não era para criar confusão, nem para ir contra o clube", concluiu Messi.

Para trás ficam dez dias que abalaram Barcelona, desde que Messi enviou um documento pelo famoso burofax a comunicar que iria deixar o clube, exercendo uma cláusula no seu contrato que lhe permitia sair sem encargos no final da penúltima época de contrato. Essa cláusula não era, no entanto, reconhecida pelos advogados do Barça, pois defendiam que ela tinha expirado em junho, enquanto os juristas do atleta consideravam que a cláusula mantinha-se válida até final de agosto porque o final da época tinha sido adiado devido à pandemia.

A situação estava num impasse, com o Barcelona a reclamar uma indemnização de 700 milhões de euros, que constava da cláusula de rescisão, no caso de Messi não voltar atrás na sua decisão. Esta quarta-feira, depois de uma reunião entre Jorge Messi, pai e empresário do jogador, e o presidente Josep Maria Bartomeu, o acordo revelou-se impossível, pelo que o desfecho acabou por ser selado pelo próprio Messi, que agora anunciou a sua permanência na equipa que esta época será treinada pelo holandês Ronald Koeman.

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