Juve Leo considera ilegal fim dos apoios do clube mas abre porta a diálogo com Varandas

A 20 outubro, a direção do Sporting rescindiu, "com efeitos imediatos", os protocolos que celebrou a 31 de julho com a Associação Juventude Leonina e com o Diretivo Ultras XXI -- Associação, alegando a "escalada de violência" recente.

A claque Juventude Leonina (JL) mostrou-se disponível para dialogar com a direção do Sporting, apesar de considerar ilícita a resolução do protocolo que tinha com o clube.

"A JL, apesar de todos os atos precedentes, encontra-se na disponibilidade para reunir e encontrar um entendimento comum que possa favorecer o Sporting e, em particular, os seus profissionais, nunca lhes faltando o apoio que merecem", lê-se na carta enviada à direção pela claque, que não pensa para já recorrer à via judicial.

No mesmo documento, a Juve Leo "acredita que é esta única via possível e aquela que respeita a instituição centenária que é o Sporting, os seus adeptos e os seus sócios, o grande ativo das instituições, não devendo ser estes o objeto do foco de uma Direção a contas com problemas, de certo, mais importantes a resolver".

A Juve Leo considera que a resolução do protocolo por parte do clube é ilegal, por a comunicação da resolução não cumprir os requisitos previstos e porque "nenhuma das razões invocadas encontra abrigo em algum facto".

"O critério que apontam como sendo o 'mais importante' [a falta de apoio aos atletas do Sporting] apresenta-se como destituído de sentido, sendo inclusive um facto notório que não precisará sequer de demonstração judicial, uma vez que o apoio dos GOA [grupo organizado de adeptos], em geral, é o que mais se evidencia em qualquer campo, estádio ou no pavilhão onde jogue qualquer equipa, de qualquer modalidade, do Sporting", lê-se.

Na carta enviada à direção do Sporting, liderada por Frederico Varandas, a Juventude Leonina defende que "a resolução de um contrato é o culminar de um caminho sem retorno, o que não é o caso". Para a claque "este "caminho" implica que a parte que pretende resolver um contrato se predisponha a notificar a pretensa parte em incumprimento das condutas passíveis de gerar incumprimento contratual".

A claque considera que "tal não sucedeu porque o Sporting decidiu, de um dia para o outro, resolver o contrato, não tendo notificado a JL relativamente às condutas que queriam ver alteradas".

Para já, a Juve Leo não recorre à via judicial

Na missiva, a Juventude Leonina refere que, "no imediato", não pensa recorrer à via judicial. "O que está em causa, no nosso entender, é o interesse superior do Sporting que, independentemente, das escolhas de V. Exas. nunca perderá a identidade que entronca nos seus sócios e adeptos".

No documento, a claque refere-se ainda "intimação" da direção do Sporting sobre a desocupação dos locais utilizados pela JL, "nomeadamente da sua sede, referindo cinco dias para a 'desocupação'".

Apesar do espaço conhecido como 'a casinha' estar debaixo de umas escadas do Complexo Alvalade XXI e ser propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, o mesmo está cedido ao Sporting e por isso o clube pode dar-lhes ordem de expulsão.

Perante esta situação, a claque sublinha que o protocolo estabelecido com o clube "expressamente prevê um prazo de 30 dias de antecedência para a comunicação de cessação dos termos de utilização dessas referidas instalações".

"Alertamos que qualquer ato por parte de V. Exas. (...) que obstaculize os direitos que nos assistem, agiremos em conformidade com recurso às instâncias judiciais competentes", avisa o maior grupo organizado de adeptos afetos ao Sporting.

A 20 outubro, a direção do Sporting rescindiu, "com efeitos imediatos", os protocolos que celebrou a 31 de julho com a Associação Juventude Leonina e com o Diretivo Ultras XXI -- Associação, alegando a "escalada de violência" recente.

"O Sporting Clube de Portugal e a Sporting Clube de Portugal -- Futebol, SAD informam que, na presente data, resolveram, com efeitos imediatos, os protocolos celebrados", pode ler-se no comunicado publicado no sítio 'online' dos 'leões'.

Segundo a mesma nota, a decisão foi tomada "em virtude da escalada de violência que culminou com tentativas de agressões físicas a dirigentes e outros adeptos", durante a vitória no futsal frente ao Leões de Porto Salvo (6-1), no Pavilhão João Rocha.

Outra das razões, segundo o clube, prende-se com o "incumprimento sistemático" destes grupos organizados de adeptos (GOA) da obrigação do cumprimento da Lei, dos estatutos e regulamentos do clube, patente "nas multas suportadas" pela SAD e clube.

Por fim, o clube realça que cumpriu os protocolos e esperava igual comportamento das claques, que acusa de "faltar sistematicamente no apoio devido aos atletas do Sporting, nomeadamente da equipa principal de futebol".

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