Jorge Jesus condecorado com a Ordem do Infante D.Henrique: "Esta condecoração vai para além do futebol"

Marcelo Rebelo de Sousa distinguiu, esta segunda-feira, o treinador do Flamengo pelas conquistas do Brasileirão e da Libertadores.

Jorge Jesus foi esta segunda-feira condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, "pelo prestígio que o seu trabalho como treinador lhe granjeou, bem como a Portugal". As recentes conquistas alcançadas no Brasil, ao serviço do Flamengo, nomeadamente a conquista do Brasileirão e da Taça Libertadores, foram o mote para a distinção de Marcelo Rebelo de Sousa.

Nascido na Amadora a 24 de julho de 1954, Jorge Fernando Pinheiro de Jesus traz o futebol no sangue. "É com orgulho que recebo esta condecoração. Sei o significado dela, sei bem quem é o Infante D. Henrique, porque todos os dias no Brasil tinha de atravessar a Avenida Infante D. Henrique. Até no Brasil, antes de ser condecorado, já havia uma aproximação com ele. Portugal e o Brasil são dois países irmãos. Ao longo destes sete meses percebi isso, não tenho dúvidas que são dois países ligados pela história. Não fui eu e a minha equipa técnica a descobri o Brasil, foi Pedro Álvares Cabral em 1500. Não fomos nós a dar a independência ao Brasil, foi D. Pedro em 1822. Mas fomos nós que, a 23 e 24 de novembro, conquistámos dois títulos no Brasil, também vamos ficar na história, mas de uma forma diferente", salientou o treinador do Flamengo.

E não tem dúvidas quanto à importância das conquistas: "Daqui a cinquenta anos, já não estarei cá [risos], vão lembrar-se lá que foi um português que conquistou a Libertadores e o Brasileirão."

Emocionado, Jorge Jesus, confessou que para ele "esta condecoração vai para além do futebol". E ele sentiu isso no Brasil: "Para além de estar a representar um clube, estava a representar o meu país e por isso, quando subi ao pódio me lembrei logo de levar a bandeira de Portugal às costas."

Para o treinador "o Infante D. Henrique nunca foi um navegador, foi um estratega e é um papel que se assemelha ao de um treinador". E a missão dele foi também unir os portugueses à sua volta: "Essa vitória, para mim, é a mais importante. Ver os portugueses em conjunto a apoiarem um treinador português."

Jesus fez questão de ter entre os convidados alguns dos presidente dos clubes em que treinou, como Luís Filipe Vieira (Benfica), António Salvador (Sp. Braga), Frederico Varandas (Sporting), e ainda Fernando Gomes (Federação) e Pedro Proença (Liga). "Neste percurso há que reconhecer quem nos ajudou e quis associar esta minha condecoração a eles, porque sem eles, hoje talvez não estaria aqui", ressalvou, revelando que também convidou Pinto da Costa, que não pode estar, "não só porque fez anos, mas também porque está doente".

Depois elogiou o futebol português. "Somos 10 milhões, mas existe uma enorme riqueza nos métodos de treino e nos jogadores produzidos. Tem de haver uma valorização do produto, mas pelo futebol praticado. Ainda se pensa que se pode ganhar fora do campo e isso tem de acabar", avisou o novo comendador português, perante os jornalistas no Palácio de Belém.

Questionado sobre se irá manter-se no comando do Flamengo, respondeu: "Quando saí, pensava que regressava mais rápido. Hoje, não digo que não regresso, mas está mais difícil."

Marcelo: "Contribui para projetar o prestígio de Portugal"

Marcelo Rebelo de Sousa começou por explicar o porquê da condecoração. "Uma das tradições desta casa é a condecoração de treinadores de futebol que se destacam pelo seu trabalho. A segunda tradição é os condecorados receberem as insígnias pelo mérito conquistado e que elevam o nome de Portugal. No caso Jorge Jesus, para além da carreira conhecida, interna e externa, temos a condução à vitória de um clube de uma competição Continental, de prestígio mundial e, como consequência, disso a presença na final do Mundial de Clubes", sublinhou o Presidente da República.

"Jorge Jesus contribuiu e contribui para projetar o prestígio de Portugal, no mundo do desporto, mas em geral em termos sociais e isto num país que nos é muito querido. O que dá uma densidade enorme, porque sabemos bem que há uma grande quantidade de portugueses a viver no Brasil e que é o país onde é mais falada a nossa língua e isto tem de ser relevado. Esta é uma condecoração pensada para a projeção de Portugal no Mundo, tal como fez o Infante D. Henrique", destacou Marcelo, que atribuiu a Jesus a mesma insígnia que só José Mourinho e Manuel José tinham recebido.

A distinção mais importante

Esta é a distinção pessoal mais importante do técnico português, que, em novembro, recebeu o título de cidadão honorário da cidade brasileira do Rio de Janeiro, numa cerimónia realizada na Câmara Municipal da cidade. A iniciativa partiu do ex-atleta do clube e atual vereador daquela cidade brasileira, Felipe Michel, que durante o seu discurso deixou um pedido: "Mister, querido carioca, não deixe a gente não. Este povo precisa ainda muito do senhor. Você tem ainda muito para nos ensinar."

Jesus foi ainda eleito o melhor treinador do Brasileirão por duas vezes. O técnico recebeu o prémio entregue pela ESPN e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no mesmo dia.

Em 24 horas Jorge Jesus conquistou a Taça dos Libertadores e o Brasileirão (sem jogar), fazendo história no futebol brasileiro. O​​​​​ mengão conquistou a maior prova de clube da América do Sul e o sétimo título brasileiro no historial do clube brasileiro, quando faltavam disputar quatro jornadas do campeonato. Desde 2009 que a equipa do Fla não festejava o título de campeã do Brasil. Foi o seu quatro título de campeão nacional, depois dos três que o técnico português conquistou em Portugal ao serviço do Benfica.

No Mundial de Clubes, o Fla perdeu apenas na final com o campeão europeu Liverpool

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