Jogadores do Boca Juniors "em choque" mal conseguiram dormir

Final da Taça Libertadores foi adiada para este domingo depois do bárbaro ataque de adeptos do River Plate ao autocarro do Boca Juniors. Polícia deteve pelo menos 29 pessoas.

Juan Tagliaferro, chefe de segurança da equipa do Boca Juniors, disse este domingo ao jornal Olé que grande parte dos jogadores do Boca dormiram mal esta noite devido ao acontecimentos de sábado, que resultaram num ataque bárbaro ao autocarro da equipa horas antes da final da Libertadores frente ao Boca, que motivou mesmo o adiamento da partida para hoje (às 20.00 portuguesas).

"Alguns jogadores tiveram grandes dificuldades em dormir. Sinceramente não sei se existe tempo para recuperarem depois de tudo o que aconteceu ontem. Foram muitas horas no balneário e com os jogadores em estado de choque", referiu o responsável da segurança do Boca.

Juan Tagliaferro falou também da operação policial. "Aquele é o único acesso ao estádio, o único que dá para o autocarro da equipa visitante. São três ou quatro quarteirões numa área conflituosa, e estavam à nossa espera numa esquina", declarou.

Pelo menos 29 pessoas foram detidas sábado na sequência dos incidentes registados em Buenos Aires a propósito da final da Taça Libertadores de futebol.

Segundo informaram fontes policiais à EFE, foram detidas 29 pessoas na sequência dos incidentes, que começaram quando o autocarro do Boca Juniors foi atacado a caminho do estádio Monumental, palco da segunda mão da final da Champions sul-americana.

Segundo fontes da autarquia de Buenos Aires, estavam nos arredores do estádio mais de 100.000 pessoas, tendo sido detidas 29 na sequência dos incidentes, por "resistência à autoridade", sendo que os confrontos com as forças policiais ainda continuam.

O jogo, previsto para as 17:00 de sábado (20:00 em Lisboa), foi, finalmente, marcado para a mesma hora deste domingo, depois de a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) ter adiado por duas vezes o seu início, primeiro por uma hora e depois por uma hora e 15 minutos.

O presidente da Confederação Sul-americana de Futebol, Alejandro Domínguez, anunciou o adiamento, dizendo que não consegue "explicar o inexplicável", depois de o avançado do Boca Carlos Tévez ter dito, antes do anúncio do adiamento para domingo, que os jogadores estavam a ser "obrigados a jogar".

Vários jogadores do Boca ficaram feridos, por serem sido atingidos por vidros ou devido ao uso de gás lacrimogéneo por parte da polícia, com o 'capitão' Pablo Pérez a ter de ser assistido no hospital, antes de regressar ao estádio, com uma pala a proteger o olho esquerdo.

O dirigente do clube de Buenos Aires César Martucci explicou que o uso do gás lacrimogéneo -- que provocou inflamações oculares em vários futebolistas - se deveu à necessidade de dispersar a multidão que acompanhava a passagem do veículo, que entrou no estádio com vários vidros partidos.

"Se, realmente, os jogadores [do Boca Juniors] não estavam em condições de jogar, o River Plate considerou conveniente apoiar o Boca, para que se possam recuperar e jogar a final em pé de igualdade", afirmou o presidente do River Plate, Rodolfo D'Onofrio.

No primeiro jogo, em casa do Boca, as duas equipas empataram a duas bolas, depois de a partida ter sido adiada um dia devido à chuva forte que alagou o relvado do estádio La Bombonera.

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