Joga no Belenenses e é irmão do guardião mais caro do Mundo. "Insisti para ele não ser guarda-redes"

Muriel defende a baliza do Belenenses e é a grande referência de Alisson, o guarda-redes mais caro do mundo. E falou ao DN sobre a relação com o reforço que custou 75 milhões de euros ao Liverpool

O internacional brasileiro Alisson Becker tornou-se esta quinta-feira o guarda-redes mais caro de sempre. No entanto, o reforço que custou 75 milhões de euros ao Liverpool, proveniente da Roma, até podia nem ter sido guardião se tivesse seguido inicialmente os conselhos do irmão Muriel, cinco anos mais velho, que é guarda-redes do Belenenses.

"Insisti bastante para ele ser jogador de campo, para não ser guarda-redes, porque ele tinha qualidade a jogar com os pés. Treinou duas semanas como médio, mas quis ser guarda-redes logo com 9 ou 10 anos", contou ao DN o guardião do Belenenses, cinco anos e meio mais velho do que dono da baliza da seleção brasileira, que a 2 de outubro completa 26 anos.

Porém, como se pode comprovar, Alisson seguiu mesmo as pisadas não só do irmão, como do pai, da mãe e... do bisavô, todos goleiros. "Que eu saiba, o nosso bisavô foi mesmo o primeiro da família. Gostamos muito de futebol, e sempre jogámos muito com a família e amigos, apesar da diferença de idades. O nosso bisavô jogou num clube amador, a nossa mãe foi guarda-redes de andebol e o nosso pai ia à baliza nas equipas das empresas em que trabalhava. Víamos o nosso pai a divertir-se muito a ser guarda-redes, atirando-se e fazendo piruetas, e isso fez-nos gostar da posição", revelou Muriel, 31 anos, considerado pelo mano mais novo como a sua principal referência.

Num texto assinado a 2 de julho no portal Players Tribune e intitulado "Esta é para o meu irmão", o agora ex-guardião da Roma contou o percurso da sua carreira desde que chegou às camadas jovens do Internacional de Porto Alegre até à convocatória para o Mundial 2018, apontando o irmão como a principal inspiração e dedicando-lhe cada defesa no Campeonato do Mundo. "Quando li o que ele escreveu, fiquei emocionado. Ele é o meu melhor amigo. Temos cinco anos de diferença, mas estávamos sempre juntos, brigávamos muito e jogávamos futebol juntos. Trabalhámos juntos no Inter, e isso fortaleceu a nossa relação. Ainda hoje trocamos ideias depois dos jogos", apontou Muriel, que foi concorrente de Alisson no emblema gaúcho entre 2012 e 2016.

"Quando éramos da formação, não treinávamos juntos, porque éramos de escalões diferentes, mas olhávamos para o treino um do outro", acrescentou. "Temos uma ligação muito forte. Só de olharmos um para o outro sabemos o que cada um está a pensar", rematou.

A qualidade técnica por ser baixo e a força mental devido às brigas em criança

Alisson e Muriel Becker têm 1,91 m e 1,90 m, respetivamente, mas nem sempre foram altos. "Tanto eu como ele demorámos a amadurecer. Éramos baixos até aos 14 ou 15 anos. Nessa fase, ele irritava-se muito comigo. Eu sabia tirá-lo do sério, e isso contribuiu para que ele seja hoje muito controlado e forte mentalmente. Consegue estar concentrado os 90 minutos, não é ansioso e manteve o foco no Mundial apesar da especulação em torno do seu futuro. Ele atribuiu isso às nossas brigas em criança", contou Muriel, desafiado a enumerar as qualidades do irmão.

"Há muitas qualidades dele que são visíveis, mas a principal é a forma mental dele. Não se conforma com qualquer coisa. Tem muita velocidade, força e qualidade técnica, que desenvolveu quando era baixo, para compensar a falta de estatura. Tem qualidade a jogar com os pés, sai bem da baliza, é forte no jogo aéreo e tem grandes reflexos", descreveu o guarda-redes que chegou há um ano ao Belenenses.

Como pessoa, o guardião dos azuis diz que o irmão é "brincalhão", apesar de reservado, e "gosta muito de música".

Jogar pelo Liverpool "vale mais" do que ser o mais caro de sempre

Muriel contou ao DN que o irmão está "muito feliz" e que "é um sonho ter a oportunidade de jogar num clube com tanta história". "A família está em festa", atirou, bastante orgulhoso por ter visto Alisson vestir a camisola do vice-campeão europeu Liverpool.

Sobre a questão de Alisson ter batido os valores da transferência de Gianluigi Buffon do Parma para a Juventus em 2001 (52,88 milhões de euros) e de se ter tornado o guarda-redes mais caro da história do futebol, o guarda-redes do Belenenses não evitou um riso, mas salientou a importância de atuar em Anfield. "O facto de ele ser o mais caro é, para mim, um motivo de orgulho, mas jogar num clube grande e ser escolhido para essa missão, ser treinado por um treinador como Jurgen Klopp e lutar por títulos vale mais do que isso", considerou o guardião de 31 anos.

Alisson assinou por cinco temporadas pelos reds, após dois anos na Roma, e foi internacional brasileiro por 31 vezes, mas a julgar pelas palavras do irmão e melhor amigo, esta transferência constitui um ponto de partida e não um ponto de chegada. "Uma transferência por estes valores é raro acontecer, e ele tem muito mérito. Acredito que vai conseguir ser ainda melhor", vaticinou Muriel, esperançoso em ver o irmão ser aplaudido pelo Kop [mítica bancada topo de Anfield que acolhe tradicionalmente os adeptos mais ferrenhos] às ordens de Klopp.

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