I Liga é o 47.º campeonato do mundo que mais troca de treinadores

Um estudo do CIES realizado entre 2015 e 2019 mostra que na liga portuguesa as equipas tiveram em média 4,3 técnicos. O Benfica foi quem menos contribuiu para essa instabilidade. A nível mundial, na Bolívia é onde a cabeça dos treinadores estão verdadeiramente a prémio.

Um relatório do Observatório de Futebol do Centro Internacional de Estudos do Desporto (CIES) publicado esta semana revela que a I Liga portuguesa é o 26.º entre 50 campeonatos europeus onde os clubes mais vezes trocam de treinadores.

O estudo abrange o intervalo de tempo entre 2015 e 2019 e considera as 83 ligas melhor posicionadas no ranking da FIFA. E, nesse contexto, Portugal aparece com uma média de 4,3 treinadores por clube nos quatro anos em análise, o que corresponde a pouco mais de um treinador por época em cada equipa. Aliás, o campeonato português surge em igualdade com a Bélgica.

Já a nível mundial, a I Liga também está ligeiramente abaixo do meio da tabela, ocupando a 47.ª posição.

Curiosamente, o líder desta tabela é o campeonato da Bolívia, onde, em quatro anos cada clube registou uma média de 9,1 treinadores, segue-se a Tunísia com 8,3 e a Argélia com 7,9. A liga da Bósnia é, na Europa, onde os técnicos têm menos estabilidade segundo este estudo, com uma média de 7,0, o que coloca este torneio no quinto lugar a nível mundial.

No outro extremo da tabela surgem Suécia, Irlanda do Norte, Islândia e a MLS, que é formada por equipas do Canadá e dos Estados Unidos, todos com uma média de 2,6 treinadores por cada equipa no período em apreço.

Se tivermos em atenção as cinco principais ligas da Europa, as chamadas Big 5, constatamos que a Premier League, de Inglaterra, é aquela onde os treinadores têm mais estabilidade, uma vez que as 20 equipas analisadas mudaram em média 3,2 vezes de técnico entre 2015 e 2019. Segue-se a França (3,4), Alemanha (3,8), Itália (3,9) e Espanha (4,6) que, curiosamente, tem pior registo que Portugal.

Benfica é onde os treinadores duram mais

No que diz respeito aos clubes, Marítimo, Moreirense e V. Setúbal são os que têm pior média entre os portugueses analisados pelo estudo, pois tiveram nove treinadores neste período, sendo que os maritimistas têm uma média de 18,7 jogos por técnico, ligeiramente inferior aos outros emblemas (18,8).

No polo oposto surge o Benfica, que teve apenas três treinadores entre 2015 a 2019, o que perfaz uma média de 56,7 jogos por técnico. Seguem-se FC Porto (42,0), Sporting (33,2), Sp. Braga (28,3), Boavista (28), Rio Ave (24), V. Guimarães (24) e Belenenses (20,5).

O clube mais instável apresentado por este estudo do CIES é o Kairouanaise, da Tunísia, que em quatro anos teve 14 treinadores, o que dita uma média de 9,8 jogos por cada técnico, a mesma proporção do que tiveram os nove treinadores do Pegasus, de Hong Kong.

No polo oposto, os hondurenhos do Motagua, com 224 jogos realizados por único treinador nos quatro anos analisados é um autêntico caso de estudo. Contudo, há 30 clubes que tiveram sempre o mesmo treinador neste espaço de tempo, destacando-se o River Plate (Argentina), onde Marcelo Gallardo é rei e senhor.

Entre as equipas que disputam as Big 5, a Udinese surge como a mais instável, pois entre 2015 e 2019 teve 10 treinadores, com uma média de 19,1 jogos por cada técnico, segue-se Lille (23,9) e Valência (24) com oito comandantes.

Nas cinco principais ligas mundiais nenhum clube teve apenas um treinador neste período, sendo que há oito equipas com dois treinadores Barcelona (média de 96 jogos por técnico), Atlético de Madrid (96), Manchester City (95,5), Tottenham (95,5), Lazio (95), Liverpool (95), Juventus (94,5) e AS Mónaco (94).

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