Guardiola e as seis músicas que definem a vida do técnico espanhol

Treinador do Manchester City revelou os seus gostos em entrevista à BBC Radio 5 Live

Desde o ataque terrorista em Manchester que colocou em perigo a mulher e as duas filhas, num concerto de Ariana Grande, às festas de Sant Joan, na adolescência, na Catalunha, passando pelo ano em que viveu em Nova Iorque, Josep Guardiola revive momentos marcantes da sua vida e da sua carreira, relacionando-os com algumas canções favoritas, numa entrevista conduzida pelo jornalista espanhol Guillem Balague.

Aqui ficam as seis canções escolhidas pelo técnico catalão:

Don't Look Back in Anger, Oasis. (1996)

"Adoro esta música, não conseguem imaginar o quanto. É incrível. Consegue transportar-me sempre para o meu melhor estado quando a ouço - é uma obra-prima. De cada vez que saímos cantamos esta música juntos [Pep e a esposa]. Adoro-a.

Gosto que, depois do que aconteceu no ataque da arena de Manchester, seja agora uma canção para as pessoas, sabe? Como num vídeo depois do incidente em que toda a gente está em silêncio e há uma mulher que começa a cantar esta música e de repente toda a gente a canta. Foi muito emotivo para a minha família e para mim.

Quando o ataque aconteceu eu estava em casa com o meu filho, e a minha mulher e as minhas duas filhas estavam lá na arena. Ela ligou-me, mas a chamada foi interrompida. Ela [a esposa] estava a dizer-me "algo aconteceu e nós estamos a fugir, mas não sei bem o que foi" e de repente a linha foi abaixo. Tentei ligar de volta e não dava. Fomos até ao estádio à procura delas e passados cinco minutos ela voltou a ligar a dizer que já tinham saído do recinto e iam voltar para casa.

No final, tivemos sorte. Muitas pessoas sofreram e nós tivemos sorte. A vida é assim. Estamos em melhor posiçao do que muitos desafortunados."

The Healing Day, Bill Fay (2012)

"Com a música, às vezes são os tons, outras vezes as letras. Esta é a música que vai lembrar-me do meu período em Manchester. Ouço muito esta música. Gosto muito de Bill Fay.

É a música perfeita para quando se fica em casa a ler um livro, estar com os miúdos e ouvir música.Todos os homens têm o seu refúgio e para mim, quando estou exausto, é o lar. Só em casa me sinto seguro. Seguro no sentido de não estar a ser observado. Fecho a porta e sinto-me seguro.

(...) Casa, mulher, filhos - é o único sítio onde eu sinto que posso fazer o qui quiser, todas as coisas patetas que me apetecer, sem estar a ser julgado.

(...) A Cristina é uma mulher fantástica, não apenas uma mãe incrível. Se ela não quisesse mudar-se para Nova Iorque, Munique ou Manchester, eu não estaria aqui. Não posso estar sozinho neste tipo de emprego, sem a minha família"

Fiesta, Joan Manuel Serrat (1970)

"Serrat é um dos melhores cantores da Catalunha e de Espanha, e esta música traz-me sempre alegria. Gosto muito dela. É uma canção sobre a festa de Sant Joan, uma festa típica na Catalunha, celebrada a 23 de junho com fogo de artifício na praia ou na rua e com toda a gente a dançar e a divertir-se.

Eu nunca fui um tipo de ir a muitas festas. Aos 13 anos já ia para a academia de treino do Barcelona. Sempre tentei manter-me focado e não ir a discotecas ou pubs para beber. Mas no verão, nas férias da escola, toda a gente ia à festa de Sant Joan e esta é uma canção que me lembra muito a minha juventude na minha pequena cidade de Santpedor.

Acho que é impossível ter vivido uma vida melhor e mais feliz do que a que vivi na infância. Não éramos uma família rica, éramos uma família normal de uma cidade pequena e todos os dias eu brincava na rua. Não havia ainda sequer semáforos, não havia carros... só brincar, jogar futebol, basquetebol, ténis, andar de bicicleta.

(...) Os tempos mudaram tanto e penso que os miúdos sentem um pouco a falta disso hoje em dia, sobretudo nas grandes cidades. Eu vivi em Barcelona, Nova Iorque, Munique, agora em Manchester, mas fui tão feliz naquele período da minha vida. tenho excelente memórias."

Amor Particular, Lluis Llach (1984)

"É uma das mais belas canções de amor que ouvi na minha vida. Às vezes, quando estou com amigos ingleses, gostava de traduzir esta canção. Isto é uma canção a sério.

Lluis Llach é uma das minhas inspirações. um cantor catalão, uma lenda na Catalunha. Ele é talvez o tipo mais adorado e popular, como o Serrat, por diversas canções, mas esta em especial.

Descobri-a em adolescente, no primeiro amor, no segundo amor e é definitivamente parte da minha vida.

Não sou tímido para dizer o quanto amo os meus. Talvez até o contrário. Talvez diga demasiadas vezes. Nisso acho que sou muito latino - as minhas expressões faciais e corporais dizem exatamente o que sinto a cada altura, não escondo nada.

Com os jogadores, muitas vezes penso: Pep, não faças isso. ainda hoje não sei se deveria demonstrar tanto amor, porque às vezes sofremos mais quando nos aproximamos muito dos jogadores.

Mas no futebol a paixão está em campo e às vezes sinto necessidade de os abraçar, não sinto necessidade de falar com eles. As pessoas esquecem-se que também somos seres humanos, acreditam que somos seres frios, mecânicos. Mas isso está longe de ser quem somos."

New York, New York, Frank Sinatra (1980)

"O que posso dizer sobre Nova Iorque e Frank Sinatra que não tenha sido já melhor explicado por alguém? Tudo o que precisas, tudo que queres, tens ali. Tens de pagar por isso - é uma cidade de serviços -, mas encontras.

Os meus miúdos aprenderam inglês ali. Quando chegámos lá não falavam uma única palavra e passados cinco ou seis meses falavam fluentemente.

O carisma daquela cidade. Toda a gente que alguma vez lá esteve quer voltar, é um sítio muito especial. Pensei que seria um sítio interessante para passar um ano afastado do futebol. (...) Foi um bom momento.

Eu cheguei lá, fiquei o primeiro mês e depois assinei contrato com o Bayern de Munique. Comecei a aprender alemão. É tão complicado. Três ou quatro horas por dia, com a gramática, e ao fim de dois meses pensei: vou ligar para eles que anular o contrato. É difícil até para as crianças alemãs, conseguem imaginar para um homem de 41 anos. Mas eu sou teimoso (...)"

Your Song, Elton John (1970)

"É claro que todos temos um dom para oferecer. Eu penso que sou bom no futebol, porque o meu trabalho é a minha paixão. Quando digo que amo este jogo, amo mesmo este jogo. Quando colocamos a paixão à frente do que fazemos, funciona sempre.

Costumo dizer sempre para procurarmos o nosso talento. Mesmo que queiras trabalhar na coisa mais estúpida, fá-lo. Digo o mesmo aos meus filhos: tentem descobrir aquilo de que gostam mais e aí não será um esforço, será um prazer.

(...) Um dos meus sonhos é estar num concerto do Elton John, especialmente a ouvir esta canção. Ouvi-a pela primeira vez aos 18 ou 19 anos, quando jogava no Barcelona, lembro-me de uma série de músicas desse período da minha vida.

Conheci-o quando defrontámos o Watford na época passada e foi um enorme prazer. Se ele fizer um concerto aqui, por favor, eu vou lá estar."

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